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Direitos Humanos: Associação Juízes para a Democracia alerta para a ‘tragédia do punitivismo’ em massacre de Manaus

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Em nota pública a Associação Juízes para a Democracia alerta para a tragédia anunciada do punitivismo no sistema prisional do país. Confira a íntegra do documento.

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As mortes em Manaus configuram a tragédia anunciada do punitivismo

A Associação Juízes para a Democracia (AJD), entidade não governamental e sem fins corporativos, que tem dentre suas finalidades o respeito absoluto e incondicional aos valores jurídicos próprios do Estado Democrático de Direito, diante das dezenas de mortes ocorridas no privatizado Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) de Manaus, em 02 de janeiro de 2017, vem a público manifestar-se nos seguintes termos:

O massacre sucedido na capital do Amazonas somente ocorreu em razão de uma histórica política de Estado brasileira, consistente no tratamento dos problemas sociais de um dos países mais desiguais do mundo como caso de polícia. É assim que se deve entender o crescente processo de encarceramento em massa, que inseriu o Brasil à posição de quarta maior população carcerária do mundo, formada basicamente pelos excluídos dos mercados de trabalho e de consumo, jogados, em abandono, para as redes de organizações criminosas que comandam estabelecimentos penitenciários que se assemelham a masmorras medievais.

A tragédia do Compaj corrobora a necessidade da sociedade e do Estado brasileiro refletirem sobre tal política punitivista. É necessário desnvencilhar-se da crença no Direito Penal como solução de problemas estruturais, como a violência decorrente da pobreza e das desigualdades. É necessário também cessar a irracional “guerra contra as drogas”, que vem causando a morte de milhares de pessoas socialmente excluídas em todo o mundo, o que, a propósito, tem levado a seu paulatino abandono até mesmo nos países que mais a incentivaram.

A tragédia do Compaj corrobora, ainda, a importância do respeito à independência de juízas e juízes, como imperativo democrático. É o caso da fundamental atuação do Juiz da Vara de Execução Penal de Manaus, Luis Carlos Valois, que, coerentemente com o que defende em sua carreira acadêmica e conforme se espera de um magistrado no Estado de Direito, exerce controle rigoroso sobre o poder punitivo oficial, priorizando as liberdades públicas sobre o encarceramento: por tal motivo, desagrada os donos do poder, acomodados com o tratamento prevalentemente repressivo dos problemas sociais do país.

Por tudo isso, a AJD reitera sua histórica crítica ao crescimento do punitivismo estatal e clama para que a sociedade e o Estado brasileiro atentem que velhos problemas sociais do país não se resolvem com o encarceramento ou com a intimidação de juízas e juízes que exercem seu dever funcional de controlar o aparelho repressivo oficial.

Do contrário, a tragédia de Manaus continuará a não ser caso isolado.

São Paulo, 3 de janeiro de 2017.

A Associação Juízes para a Democracia

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Uma resposta »

  1. Nóia Pergunta: Onde Está Todo Mundo?”
    > https://youtu.be/BLLDIyJjOeM

    Só há uma saída…
    Assim é. País sem pudor! USE SUA ARMA MAIS PODEROSA, MAIS LETAL!
    > https://gustavohorta.wordpress.com/2016/12/26/assim-e-pais-sem-pudor-use-sua-arma-mais-poderosa-mais-letal/

    “Oi.
    Oi você que terá que trabalhar até morrer.
    Oi você que não tem mais o direito de se aposentar com dignidade, pois roubaram seu direito para dar aos mais ricos que você, aos muito mais ricos…
    Oi você que não tem gás lacrimogêneo para usar, pois os que roubam de você têm a exclusividade para usá-lo contra você.
    Oi você que não tem balas de borracha. pois os que te manipulam e estupram têm a exclusividade de usá-las contra você.
    Oi você que não tem mais direito à saúde pública, …”

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