Assinatura RSS

Quem é quem no ‘bate-chapa’ da eleição para APP-Sindicato em setembro

Publicado em

Maior entidade sindical do estado, a APP-Sindicato, com eleição marcada para 19 de setembro, vai ter quadro chapas disputando a direção do sindicato. A novidade do pleito é que depois de 30 anos a disputa extrapolou o campo cutista e três chapas se apresentam como oposição. Nesta sexta (28), as chapas 1 e 2 farão atos públicos de lançamento. A chapa 1 realizará ato no Sintracon (Sind. Trabalhadores da Construção Civil de Curitiba), às 19h00 -, e a chapa 2, na Sociedade Urca também no mesmo horário.

Hermes Leão, chapa 1, da situação; Professor Paixão, chapa 2; Isabele Pereira, chapa 3; Gilson Mezarobba, chapa 4.

Depois de cerca de trinta anos, A APP-Sindicato vai ter uma bate-chapa inédito: com quatro chapas, 3 delas reivindicando o discurso de oposição. Além disso, a disputa extrapolou o campo cutista e da esquerda. A Chapa 3, potencialmente, tem afinidades com o discurso governista de Beto Richa, que acusa a atual direção da entidade dos professores de ser uma “corrente de transmissão” da política do Partido dos Trabalhadores (PT).

A chapa 2, liderada pelo professor Luiz Carlos Paixão, aglutinou também a antiga chapa 3, do pleito passado, identificada com a Conlutas, central sindical com vínculos com o Partido Socialista Unificado dos Trabalhadores (PSTU). A chapa 2 tem entre os seus integrantes membros de diversas correntes de esquerda que atuam na categoria como o ‘Mais'(grupo que rompeu com o PSTU), militantes do PSOL, a Esquerda Marxista, a Organização Comunista Internacionalista(OCI) e ativistas indepedentes. E conta também com o apoio de um setor do PT liderado pelo deputado Tadeu Veneri.

A Chapa 4, de Gilson Mezarobba, última inscrita para a disputa, reúne militantes do Partido Causa operária (PCO) e do PCB (Partido Comunista Brasileiro).

Por sua vez, a Chapa 1, da situação, aglutinou as correntes tradicionais do PT (CNB, DS e O Trabalho e professores vinculados ao PMDB do senador Roberto Requião).

Tudo indica uma disputa acirrada e sem prévio favoritismo. Com a palavra, ou melhor, o voto, os mais de 70 mil filiados aptos a votar e eleger a nova direção sindical.

Podemos deixa claro que ‘Podemos fake’ não tem identidade política e ideológica com o partido espanhol da esquerda renovada

Publicado em

Um vídeo do deputado e dirigente do Podemos, Rafael Mayoral, deixa claro a falta de qualquer tipo de vinculação entre a agremiação espanhola, sucesso de público e de voto, e o Podemos fake do Brasil, que tenta surfar na onda política positiva despertada pela legenda da esquerda renovada. O parlamentar espanhol disse ainda que “o Podemos fake [do Brasil] é amigo de Temer”. Confira artigo da jornalista Mônica Bergamo sobre a polêmica.

Imagem relacionada
Podemos espanhol nasceu de um amplo movimento social,  que pede renovação na forma de fazer política
O deputado espanhol Rafael Mayoral, do Podemos, gravou um vídeo para dizer que o partido brasileiro…

A ‘pedalada’ de Deltan Dallagnol para entrar no Ministério Público Federal

Publicado em

O blog reproduz artigo do jornalista Reinaldo Azevedo sobre a incrível pedalada de Deltan Dallagnol para ingressar no Ministério Público Federal (MPF). O ‘Torquemada dos políticos’ recorreu ao brejeiro e maroto jeitinho brasileiro para driblar a determinação expressa da lei. Confira a íntegra do artigo.

Dallagnol virou procurador contra o que diz a lei. E ficou na base da “teoria do fato consumado”

O agora coordenador da Força Tarefa colou grau em 2002 e prestou concurso no mesmo ano; só poderia tê-lo feito dois anos depois de formado; TRF4 foi muito criativo no uso da teoria que o manteve no cargo. Definitivamente, não se pode dizer que esse rapaz seja um fanático das leis que o regime democrático consagra

É, tenho, sim, enroscado com o Ministério Público Federal, como vocês sabem. É aquele ente que celebrou aquele magnífico acordo com o ex-bandido e ex-criminoso Joesley Silva. Essa turminha, em regra, não gosta muito das leis que temos. Prefere aquelas que têm na cabeça. E, se preciso, opta por atalhos nem sempre muito claros. Eis que descubro que a Vigínia Lane do MPF, a sua maior vedete, ao se tornar procurador, o fez por caminhos nada ortodoxos, contrariando a lei. Refiro-me a Deltan Dallagnol.

“Como, Reinaldo? Aquele que se apresenta como o Torquemada dos políticos e o Savonarola dos procuradores ingressou no MPF na contramão da lei?” Sim. Seu pai, Agenor Dallagnol, procurador de Justiça aposentado do Paraná, foi seu advogado na causa e, ora vejam, foi surpreendentemente bem-sucedido no pleito. Vamos ao caso.

1: Dallagnol colou grau, como bacharel em direito, no dia 6 de fevereiro de 2002;

2: segundo o Artigo 187 da Lei Complementar nº 75/93 (Estatuto do Ministério Público da União), só podiam se inscrever para prestar concurso “bacharéis em Direito há pelo menos dois anos, de comprovada idoneidade moral”. NOTE-SE: a Emenda Constitucional 45, que é de 2004, elevou esse prazo para três anos;

3: Mas vocês sabem como é Dallagnol… Ele é um rapaz apressado. Seu Twitter prova isso. Vive pedindo a prisão de pessoas que nem denunciadas foram. Aproveitou a circunstância de que seu pai era um procurador aposentado do Ministério Público do… Paraná e, ORA VEJAM, CONSTITUIU-O COMO ADVOGADO E ENTROU COM UM RECURSO PARA PRESTAR O CONCURSO EM 2002, MESMO ANO EM QUE COLOU GRAU, AINDA QUE A LEI O IMPEDISSE. Que dois anos que nada! Isso era para os mortais!;

4: e, acreditem!, ele conseguiu, sim, uma liminar na Justiça Federal do Paraná para participar do concurso. Por quê? Não tentem saber! É impossível!;

5: sim, ele foi aprovado no concurso de 2002;

6: em 2003, já começava a exercer as funções de procurador no Tribunal de Contas União, com nomeação publicada no Diário Oficial;

7: a Advocacia Geral da União recorreu contra a flagrante ilegalidade. O que fez o juiz relator do caso, em 2004, no Tribunal Regional Federal da Quarta Região? Empregou a teoria do fato consumado, o que acabou sendo confirmado pela turma;

8: o recurso chegou ao Supremo, e decisão monocrática manteve Dallagnol no MPF; a AGU não recorreu;

9: a “teoria do fato consumado” em matéria de concurso público, sempre repugnou os juízes; em 2014, o STF bateu o martelo: não pode e pronto!;

10: sic transit gloria mundi…Fazer o quê? Fico aqui pensando o que diria Dallagnol se fosse um adversário seu a viver tal circunstância…

Sim, tenho aqui alguns documentos da coisa. Não deixam de ter a sua graça. Trecho do acórdão do TRF 4, como vocês podem ler abaixo, não se constrange em dizer que seria uma aberração anular a nomeação de Dallagnol depois de empossado. O relator, no caso, foi o então desembargador federal Valdemar Capeletti. Veja trecho.

Novo recurso da União foi negado pelo tribunal, ainda que ali fique patente a ilegalidade da participação de Dallagnol no concurso. Vejam:

Mas, ora vejam, a desembargadora Marga Inge Barth Tessler não acata o recurso da União porque esta, diz, não respondeu à questão do fato consumado. Pois é… Por esse princípio, vamos longe. Há as leis, incluindo a Lei Maior, a Constituição, e Sua Excelência o fato consumado. Ocorre que o tal fato consumado dependeu, na origem, de uma liminar destrambelhada. Vejam o trecho. Bem, se a desembargadora diz que nada pode contra o fato consumado, a argumentação da União nesse sentido seria inútil.

Eis aí. Esse foi o primeiro passo relevante da carreira de Dallagnol, o procurador que vive no Twitter e no Facebook a pedir a cabeça de políticos e que orienta seus comandados a considerar que o grande entrave para que se faça justiça no Brasil é o… Supremo Tribunal Federal. É o rapaz que propôs 10 medidas contra a corrupção, quatro das quais seriam típicas de um regime fascista de direita ou de esquerda.

Como se sabe, a fama que Dallagnol construiu é o de alguém que não tergiversa nunca com a ilegalidade e o compadrio. Devemos certamente parabenizar a competência de seu pai, então procurador no Estado do Paraná, por ter sido bem-sucedido no esforço de fazer com que o filho-cliente fosse admitido, contra a lei, no concurso.

Certamente não é para qualquer um. E, depois, por ter vencido os embaraços futuros.

Vocês sabem como sou. Um democrata radical, liberal, de direita. Posso traduzir: só aceito o poder que deriva da vontade do povo; entendo que o Estado deva ter função meramente reguladora (o nosso tem de privatizar todas as estatais), podendo atuar apenas na segurança pública, na defesa do país (com o monopólio das duas funções), na saúde e na educação: em ambos os casos, com uma intervenção de caráter social, já que a iniciativa privada pode e deve ser livre para oferecer serviços.

Essa visão de mundo tem algumas implicações. E uma delas é o cumprimento estrito das leis e das formas de mudá-las quando já não se mostram eficazes. Como digo sempre: a melhor maneira de tornar melhor o mundo é conservar as regras da mudança, desde que atendam aos fundamentos da democracia.

O fato: Dallagnol se tornou procurador contra a lei, o que foi admitido pela própria Justiça, e lá permaneceu com base da teoria do “fato consumado”.

A propósito: no que diz respeito ao caixa dois de campanha, o que seria, doutor Dallagnol, a teoria do fato consumado?

Ou será que Dallagnol é um daqueles que nos diriam: “Façam o que eu digo, não o que eu faço”?

Opinião – Hipócritas e frio matam em Curitiba

Publicado em

O blog reproduz artigo do jornalista Fernando Nandé, o ‘Zé’Fernando, sobre a morte nesta madruga de um morador de rua, nas imediações da Praça Tiradentes, região central de Curitiba. A primeira morte registrada na gestão do prefeito Rafael Greca (PMN). O articulista entende do que fala, pois foi um sobrevivente do abandono e das agruras da vida nas ruas.

 

Por Fernando Nandé*

Curitiba registrou uma morte de morador de rua em congelante madrugada. Uma tragédia admitida pelas estatísticas dos burocratas da prefeitura, que culpam o próprio morador de rua de procurá-la, supostamente ao ter se negado a encaminhar-se para um abrigo oferecido pela bondade do prefeito Rafael Greca.

O nome da alma ignorada

Adilson José Juz, 41 anos, morador de rua, morto na Praça Tiradentes, em pleno centro de Curitiba.

Hipócritas

Há nos sobreviventes enorme vontade de viver (sei disso, pois sou um deles). Os que sobrevivem em penúria abandonados nas ruas, preferem lá ficar se o local oferecido em troca não tiver o que eles mais precisam, acolhimento com respeito e perspectiva de mudança de vida. Fora disso, teremos sempre uma caridade pública hipócrita, mais preocupada em responder à opinião pública – não menos hipócrita – do que solucionar em definitivo o problema.

Acolher sempre

Acolher significa devolver a quem se acolhe a esperança.

O frio que mata

Em Curitiba de tudo se morre
Assalto, acidente, bala perdida
Mas, a mais triste morte vem do frio
Dos corações indiferentes.

Marketing da caridade

Caridade que se faz e que se revela é vaidade apenas.

Campo florido de branco

Nesta fria manhã desperto
Com o beijo de uma réstia de Sol
E pela janela vejo o branco campo
Congelado ao pé da Serra
O vento sussurra-me sonatas de Bach
Como se me sussurrasse ao pé do ouvido
Que o importante em cada dia
É o que está nos dias desde todo o sempre
E que desprezamos tolamente.

Patientia, fratres mei!

 

*Artigo publicado originalmente no seu blog

Opinião – Dr. Rosinha: Extinção da Unila é um disparate

Publicado em

Dr. Rosinha detona extinção da Unila: Disparate, ignorância, autoritarismo e ódio.


Rosinha: Não tem como amenizar diante de tamanho disparate do deputado federal Sérgio de Souza (PMDB-PR)

Por Doutor Rosinha* – O blog reproduz artigo especial publicado no Viomundo

O deputado Sérgio Souza, do PMDB do Paraná, no seu imenso desprezo pelo mundo acadêmico e pela integração da América Latina apresentou uma emenda aditiva à Medida Provisória 785/2017, propondo a extinção da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).

Nesta mesma emenda, propõe também que os campis de Palotina e Toledo, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), passem a pertencer, junto com a Unila, à Universidade Federal do Oeste do Paraná (UFOPR).

Na mesma canetada, o deputado mata uma Universidade e amputa outra. Faz tudo isso em nome do desrespeito, do autoritarismo, da ignorância e do ódio.

O sonho do “diligente” deputado deve ser o de entrar para a história como criador de uma universidade. Se isto ocorrer, entrará para a história como um destruidor de projetos, por sua imbecilidade e autoritarismo. Nem acredito que seja possível separar uma coisa da outra.

Quando deputado federal, tive a honra e o orgulho de defender a criação da Unila e, dentro do pouco que podia, fiz o máximo na sua formulação, constituição e construção. No parlamento, mais especificamente na Comissão de Constituição, Justiça e Redação, fui o relator do Projeto de Lei (PL) que originou a Unila.

A Unila foi proposta pelo presidente Lula em 2007. O PL tramitou por todas as comissões de mérito, a que correspondia a matéria, e em todas foi profundamente debatido. Após todos os debates realizados, foi aprovado.

Agora, numa única canetada, sem nenhum debate e com profundo viés autoritário e ignorante, o deputado Sérgio Souza, do PMDB-PR, propõe a extinção de uma universidade símbolo e singular para a América Latina.

Como símbolo e por ser única, foi proposta como sede a cidade de Foz do Iguaçu, onde, além do marco de três fronteiras, há o marco de uma empresa binacional, a Itapu, que até o momento cede seus prédios para o funcionamento da instituição de ensino superior.

Junto à Unila está também o Instituto Mercosul de Estudos Avançados (IMEA), que funciona desde 2009 e, portanto, antes da própria Unila.

O senhor Sérgio Souza, na sua insana sapiência, provavelmente nem sabe que existe o IMEA e tampouco sabe o que é Mercosul.

O PL de criação da Unila traz um esclarecedor arrazoado para a criação da Universidade Federal da Integração Latino Americana. Desta justificativa, saliento somente dois pontos:

1) As universidades têm papel preponderante no processo de integração regional e um dos objetivos de criação da Unila é a interação com universidades de outros países, repartindo “solidariamente e com respeito mútuo, o saber e a tecnologia”; e,

2) “A Unila pretende, no que diz respeito à inclusão social e redução das desigualdades, ampliar o acesso à educação e ao conhecimento; ao fortalecimento das bases culturais, científicas e tecnológicas de sustentação do desenvolvimento, ampliando a participação do País no mercado internacional, preservando os interesses nacionais; e à promoção dos valores e interesses nacionais, intensificando o compromisso do Brasil com uma cultura de paz, solidariedade e de direitos humanos no cenário internacional”.

A Unila, criada pela Lei nº 12.189/2010, começou a funcionar em 2010 e teve sua primeira turma com 200 alunos e, como símbolo da integração, composta por brasileiros, uruguaios, paraguaios e argentinos. Todos os alunos proveniente de países do Mercosul.

Os artigos um e dois da Lei demonstram a razão da existência de uma universidade com este caráter.

A Unila tem como objetivo (Art. 2º)

“ministrar ensino superior, desenvolver pesquisa nas diversas áreas de conhecimento e promover a extensão universitária, tendo como missão institucional específica formar recursos humanos aptos a contribuir com a integração latino-americana, com o desenvolvimento regional e com o intercâmbio cultural, científico e educacional da América Latina, especialmente no Mercado Comum do Sul – MERCOSUL”.

O parágrafo primeiro define como característica atuar

“nas regiões de fronteira, com vocação para o intercâmbio acadêmico e a cooperação solidária com países integrantes do Mercosul e com os demais países da América Latina”.

O parágrafo segundo estabelece que os

“cursos ministrados na Unila serão, preferencialmente, em áreas de interesse mútuo dos países da América Latina, sobretudo dos membros do Mercosul, com ênfase em temas envolvendo exploração de recursos naturais e biodiversidades transfronteiriças, estudos sociais e linguísticos regionais, relações internacionais e demais áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento e a integração regionais”.

Mas a extinção da Unila proposta pelo deputado Sérgio Souza, do PMDB do Paraná, faz parte do pacote de ataques que o governo golpista de Michel Temer pratica contra as escolas públicas.

Sérgio Souza justifica a extinção da Unila unicamente com argumentos econômicos e relacionados ao agronegócio, o que demonstra a sua total ignorância quanto ao papel da universidade na integração e no desenvolvimento da região.

Não bastasse matar a Unila, Souza quer amputar parte da Universidade Federal do Paraná, ao passar para a sua UFOPR os campi de Palotinas (há mais de 25 anos integrado a UFPR) e de Toledo.

Reitero: a emenda apresentada pelo deputado Sérgio Souza do PMDB é fruto do autoritarismo, desrespeito, ódio e ignorância. Não tem como suavizar a narrativa diante de tamanho disparate!

É médico pediatra da rede pública municipal de Curitiba-PR, ex-deputado federal e ex-presidente do Parlamento do Mercosul, foi alto representante-geral do Mercosul e é presidente do Diretório Estadual do PT do Paraná.

Nota da Reitoria em defesa da integridade e autonomia da UFPR contra o nefasto projeto do dep. Sergio Souza

Publicado em

A Autoridade Universitária distribuiu nota neste domingo (16) alertando para o nefasto intento do deputado Sergio Souza (PMDB-PR), que apresentou emenda Aditiva à Medida Provisória 785 (Trata de Financiamento Estudantil) propondo a criação da Universidade Federal do Oeste do Paraná (UFOPR), a partir da desagregação da UNILA e da incorporação dos atuais campi da UFPR de Palotina e de Toledo.  Confira a íntegra da nota “Em defesa da UFPR e da autonomia universitária”.

Resultado de imagem para sergio souza deputado paraná com temer 
Deputado Sergio Souza (PMDB) integrante da base aliada do governo golpista

 

Tendo tomado conhecimento por terceiros de proposta de Emenda Aditiva à Medida Provisória 785, de 6 de julho de 2017 (que originalmente trata do Fundo de Financiamento Estudantil), elaborada pelo deputado federal Sergio Souza, para propor a criação da UFOPR (Universidade Federal do Oeste do Paraná) a partir da desagregação da UNILA e da incorporação de dois campi da UFPR (em Palotina e em Toledo), a Reitoria da Universidade Federal do Paraná, surpreendida e jamais tendo sido consultada sobre a referida proposta, tem a declarar que:

1. Num momento em que as Universidades Federais brasileiras sofrem uma das maiores restrições orçamentárias das últimas décadas e quando o seu processo de expansão está em crise, o que se deve esperar da nossa classe política é a solidariedade em defesa da educação pública superior, aliada a diálogo estreito com as universidades (para entender sua dinâmica e suas necessidades), com respeito à sua autonomia, ao seu papel e à sua história.

2. A UFPR – Universidade centenária e protagonista na formação de gerações e na produção de saberes, tecnologia e inovação em nível nacional e internacional – tem recebido, nesse momento de crise, apoio e diálogo de grande parte da bancada federal paranaense, que, em ação suprapartidária, está se colocando à disposição para ajudar as instituições federais de ensino superior do Estado. É isso que seus dirigentes, em contatos individuais, também têm constatado.

3. Justamente em vista desse contexto é que a Universidade Federal do Paraná vê com surpresa, consternação e indignação a ideia do deputado Sergio Souza, que, numa proposta que afeta a UNILA e amputa a UFPR, e sem qualquer ampliação efetiva do ensino superior, busca criar uma “nova” universidade no Oeste do Paraná.

4. Universidades têm identidades, têm solidariedades, têm história. Universidades não são blocos que se desmontam e montam a partir de desejos ou interesses.

5. A comunidade universitária de Palotina (que há quase 25 anos tem o DNA da UFPR e que a integra com corpo e alma) e o jovem curso de Medicina de Toledo (que nasce sob o orgulho de pertencer à UFPR, embalada que foi e é por todos os seus esforços) sentem em suas veias institucionais correr o sangue da UFPR, daí advindo sua identidade e sua força simbólica. Esses dois campi efetivamente fazem parte da comunidade universitária da UFPR, compõem sua identidade. Cogitar mudar essa realidade implica em atentar contra a sua própria natureza.

6. De outro lado, a UFPR hoje se define, em seu planejamento e em suas ações, como uma universidade multicampi, expandida e interiorizada (com sedes também em Jandaia do Sul, Pontal do Paraná e Matinhos), que valoriza e abraça cada um dos seus campi. Nenhum campus expandido da UFPR deve se sentir sequer um centímetro menos UFPR que qualquer campus de Curitiba. Tanto é assim que Palotina cresceu com pujança nos últimos anos, inclusive com grande apoio da administração central da UFPR (e assim continua a acontecer em suas obras e iniciativas, mesmo no atual momento de crise). Tanto é assim que Toledo cresce e terá um prédio próprio a partir de iniciativas que foram articuladas com a força da divisa e do prestígio da UFPR no Estado.

7. Por isso tudo é que causa grande consternação a “justificativa” utilizada para a mencionada “Emenda aditiva à MP”, que é calcada praticamente só em motivações econômicas (o “potencial agroindustrial da região”), sem qualquer respeito à forte vocação e identidade acadêmica e científica dos campi de Palotina e Toledo e, igualmente, sem qualquer respeito à fortíssima identidade da UNILA.

8. É certo que as Universidades têm também como missão trazer desenvolvimento econômico e suporte para as regiões onde estão instaladas. Mas não é menos certo que essa instituição secular – a Universidade – também deve ter como norte prioritário produzir saberes, formar cidadãos, fomentar ciência, produzir tecnologia e inovação e transformar vidas pela forma revolucionária da educação. E fazer isso, sempre, a partir da vocação e da identidade (sempre diversas) de cada instituição, definidas em suas missões institucionais dentro de seus planejamentos estratégicos. E isso, salvo engano, a proposta de “Emenda aditiva à MP” desconsidera completamente.

9. Esse é um momento em que o ensino superior, a ciência e a tecnologia precisam de ajuda. Por isso, um debate de quem esteja comprometido com a pujança do ensino público superior de nosso Estado é algo mais do que bem-vindo. Mas para tanto, imperioso é que aquela que é a protagonista ativa e passiva dos rumos a serem tomados no futuro – a própria Universidade – não seja ignorada e desrespeitada.

10. Por fim, o modo como é feita a proposta – por meio de emenda aditiva à medida provisória (ou seja, sem que tenha sequer sofrido o crivo prévio do debate parlamentar), que originalmente trata de tema alheio à criação ou modificação de universidades – e, sobretudo, sem qualquer diálogo com a própria UFPR, demonstra laivos tecnocráticos e autocráticos, que são completamente alheios à natureza de nossa comunidade universitária – baseada no diálogo, no debate e na participação democrática. Não é demais ressaltar que as instituições de ensino superior (e não somente alguns de seus setores internos “interessados”) têm como um dos seus vetores mais preciosos a autonomia universitária (art. 207 da Constituição da República), que constitui um valor que, sobretudo em tempos difíceis, devem ser cultivados pela comunidade interna e também por todos aqueles que apreciam a Universidade como lugar livre de conhecimento. De nossa autonomia e de nossa liberdade de decidir sobre nossos rumos, jamais renunciaremos.

*Informação da Superintendência de Comunicação – Via Portal da UFPR

**Foto e legenda do editor do Blog

Em tempos de crise, ostentar luxo e riqueza é uma afronta!

Publicado em

O casamento-ostentação da deputada Maria Victória (PP), herdeira de uma clã política oriunda de Maringá (norte do estado), filha do ministro da Saúde, Ricardo Barros(PP) e de Cida Borghetti, vice-governadora, foi notícia nacional e viralizou negativamente nas redes sociais. Espetáculo de luxo e ostentação chocou a população curitibana às voltas com desemprego massivo, colapso nos serviços de saúde, transporte e segurança. Além da notória sensação de gastança e deboche com a situação de aperto financeiro e material de vasta maioria da população.

Protesto popular no casamento-ostentação da deputada Maria Victória

O cineasta Luis Buñel, no clássico do cinema mundial ‘O discreto charme da burguesia’, de 1972, desvendou, em certa medida, o enfado blasé e intimista de um setor da burguesia, o que revelava até um certo e discreto charme.

Porém, na atualidade, o que temos é uma burguesia, composta de novos e esnobes ricos, gente que um dia ascendeu praticando todo tipo de alpinismo social. Um vale tudo sem princípios e sem escrúpulos. Ou seja, a burguesia perdeu todo charme e a etiqueta (pequena ética) que um dia cultivou como uma das poucas virtudes.

O casório de ontem tinha tudo para terminar em confusão: a começar pelo local escolhido, a Sociedade Garibaldi, de remota tradição anarquista, localizada na região do Largo da Ordem, centro histórico de Curitiba. Patrimônio tombado e um prédio com mais de cem anos, que requer certas normas de funcionamento e uso. A intervenção feita para abrigar uma festa com mil pessoas já gerou protestos durante a semana na área cultural e de preservação da memória.

Numa semana de acontecimentos políticos dramáticos com o fim da legislação protetiva do trabalho, as manobras vergonhosas de Temer para manter um governo de ficção e a condenação do ex-presidente Lula -, o clima estava fervendo.

O clã político dos Barros, uma poderosa oligarquia regional, que ocupa espaços nas três esferas de poder do país, tem procurado consolidar uma atuação na capital, premissa política indispensável para alçar voos maiores no establishment. No entanto, tem encontrado dificuldades para legitimar um protagonismo positivo na imagem do clã. Maria Victória ficou conhecida como “Maria camburão” no triste episódio do massacre dos professores no Centro Cívico em 2015; Ricardo Barros, é o ministro do governo golpista que está desmontando o SUS; Cida Borghetti é vice-governadora do impopular Beto Richa(PSDB).

O legítimo protesto ocorrido durante o casamento-ostentação teve uma imensa repercussão e representou a indignação do “andar de baixo”, chamado para pagar a conta da crise e do ajuste regressivo com desemprego, redução de direitos e a fome.

Que o episódio sirva de lição para os ricos e poderosos: em tempos de crise, é uma afronta ostentar luxo e riqueza.

Maria Victória deu ruim.

%d blogueiros gostam disto: