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A aposta de Bolsonaro e a saída democrática da crise

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O presidente Jair Bolsonaro decidiu apostar na radicalização e insiste na defesa do fim do isolamento durante a pandemia do coronavírus como forma de “salvar” a economia. Após o pronunciamento provocador de terça-feira (24), ele voltou a repetir o discurso criminoso de que a pandemia do coronavírus é uma “gripezinha”.

A radicalização de Bolsonaro é uma ameaça à vida de milhares de brasileiros, principalmente das pessoas maiores de 60 anos, mas obedece uma lógica política cruel que tem por objetivo manter uma base de apoio político e jogar a responsabilidade da crise econômica nas costas do “sistema”. Ou seja, dos governadores, deputados e das instituições de Estado – judiciário, parlamento e também da imprensa.

Apesar do crescente desgaste político e administrativo, Bolsonaro segue contando com uma fatia de apoio social no “andar de baixo” e no “andar de cima”. O empresariado e o agronegócio continuam apostando as fichas nele. São os setores que estão por trás das propostas econômicas como a da PEC do fim do contrato de trabalho e da supressão dos salários por alguns meses.

Na atual crise política, que combina o desastre econômico da agenda bolsonarista com a emergência da pandemia do coronavírus, surge diversas proposições de como nos livrarmos do nefasto ocupante da cadeira presidencial. É um debate cada vez mais necessário e urgente.

No momento atual, a esquerda (partidos, movimentos sociais, sindicais e a intelectualidade progressista) ainda precisa definir uma estratégia eficaz e minimamente comum para enfrentar o governo da extrema-direita. Bolsonaro apela, com eficácia, para o discurso antissistêmico, arrastando apoio entre camadas do povo que identificam no sistema político e nas instituições de Estado os responsáveis por suas agruras e dificuldades de vida. Exatamente aí se concentra um eixo robusto de sustentação da narrativa bolsonarista. Ainda não logramos quebrar essa construção política.

Uma tarefa que exige um duplo esforço de diferenciação e, em alguns momentos, também de apoio condicional e pontual aos dirigentes do Congresso Nacional e da Corte Suprema – instituições que participaram ativamente do golpe de 2016 contra o mandato da presidente Dilma Rousseff e que estão desmoralizadas.

Para além da demarcação política com a velha direita, que busca um protagonismo pelo comando do processo – Maia, Doria, Fernando Henrique, STF -, a esquerda deve se bater, prioritariamente, na luta em defesa dos trabalhadores e da população mais pobre para resistir à catástrofe econômica, social e sanitária em curso. Somente assim, organizando a resistência popular, é que iremos acumular as forças necessárias para pôr fim ao governo Bolsonaro. É nesse contexto que se insere a palavra de ordem “Fora, Bolsonaro”.

A saída democrática da crise, com uma possível falência do governo Bolsonaro, aponta para a necessidade da construção de um vasto movimento de massas, organizado na base da sociedade, para derrotar globalmente o projeto das classes dominantes e do imperialismo. Sem isso, a esquerda será abduzida por alguma saída por cima, costurada pelo establishment. Ou esmagada pelo fechamento bonapartista do regime, uma opção sempre presente no cardápio da fração dominante da “burguesia nacional”, que comanda e controla as finanças do país.

A experiência histórica indica que em momentos de aguda convulsão social – um dos possíveis cenários de desdobramento da crise -, a política opera em circuitos de choques precipitados, fortuitos, e até disruptivos. A esquerda precisa estar preparada para tal cenário e tempo político.

Haitiano enquadra Bolsonaro e inicia ‘impeachment simbólico’

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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) levou uma invertida histórica nesta segunda-feira (16) em frente ao Palácio do Alvorada, em Brasília. O corajoso e inusitado gesto de um haitiano iniciou uma espécie de “impeachment simbólico e moral” de Bolsonaro da presidência.

Bolsonaro estava em frente à residêncial oficial, local em que costuma receber afagos de fanáticos apoiadores e xingar a imprensa, quando um haitiano criticou em bom português a participação dele no ato pelo fechamento do Congresso Nacional e do STF no domingo (15), rompendo os protocolos de quarentena obrigatórios para os suspeitos de contaminação por coronavírus.

Bolsonaro fingiu não entender o que falava o haitiano com a mais absoluta clareza: “Bolsonaro acabou. Não é presidente mais”, afirmou ele, diante de um Bolsonaro desconcertado e com pose de paisagem.

Segundo o jornal O Estado de São Paulo, Bolsonaro teve contato com ao menos 272 pessoas no domingo. Apertou mãos, agitou a bandeira brasileira e fez selfies com celulares de apoiadores – situações que facilitam a propagação do Covid-19. E 14 membros de sua comitiva presidencial, que foi para Miami na semana passada, já estão infectados por coronavírus.

O vídeo com as cenas do inesperado diálogo viralizou nas redes sociais desde a noite de segunda-feira. Além disso, a hashtag #Bolsonaroacabou amanheceu nesta terça nos trending topics do Twitter (assista abaixo).

Desdobramentos políticos:

1. Bolsonaro começa a viver o primeiro círculo do isolamento político: o das forças políticas, dos líderes de bancadas e de partidos. O impeachment de Dilma começou a ganhar força institucional a partir desse círculo inicial.

2. Bolsonaro ainda tem uma razoável base de apoio social (entre 15 a 20% sólidos, firmes), mas começa a perder apoios em franjas importantes da sociedade, que antes estavam agrupadas em torno dele como um instrumento para o enfrentamento da esquerda, em particular do petismo.

3. Os próximos três meses serão decisivos para determinar o futuro do governo Bolsonaro. Tudo vai depender do resultado da economia, que caminha para uma brutal recessão e aponta para a falência da agenda neoliberal de reformas de Paulo Guedes. A hora é de mais Estado durante a crise econômica e sanitária: Dos Estados Unidos aos países da União Europeia as medidas adotadas, cada vez mais, são de caráter estatizante para tentar segurar o repuxo da crise econômica mundial.

4. Coronavírus: A depender do grau de expansão da pandemia no país, do número de vítimas, e das medidas de contenção adotadas pelo governo, que até aqui foram débeis, apesar do esforço do ministro da Saúde, a doença pode ser tornar um fator de alta combustão social e política -, contribuindo para a desestabilização do governo Bolsonaro.

5. As opções do establishment. Ainda em fase de especulações iniciais, exploratórias: a) Impeachment de Bolsonaro e a entronização de Hamilton Mourão; b) “Parlamentarismo branco” com o Triunvirato Neoliberal – Maia, Alcolumbre e STF – para seguir a agenda de Paulo Guedes sem Bolsonaro; c) Fechamento do regime (autogolpe) – governo de tipo bonapartista de Bolsonaro em aliança com os generais.

6. Saída democrática da crise, com a falência do governo Bolsonaro: Esquerda dividida e ainda sem iniciativa política de monta. Pode ser capturada na teia do establishment e optar por alianças com setores dominantes tipo governadores ou ser tragada pela força do Triunvirato Neoliberal (defesa das instituições). Sem povo na rua, organizado e mobilizado, a esquerda será abduzida por alguma saída por cima, costurada pelo establishment.

De todo modo, a experiência histórica indica que, em momentos de aguda crise social e humanitária, a política opera em circuitos de choques inesperados, fortuitos, e até disruptivos.

*Artigo publicado originalmente no portal Brasil 247 em 16-03-2020

Bolsonaro, um delinquente, e o coronavírus

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O presidente Jair Bolsonaro protagonizou neste domingo (15) mais uma cena de aberto desafio ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal (STF). Um gesto político que oscila entre o patético e o estarrecedor.

Bolsonaro, rompendo o protocolo médico da quarentena, compareceu ao ato em frente ao Palácio do Planalto, que demandava o fechamento do Congresso e do STF. Ele acenou para manifestantes, agitou a bandeira brasileira e ainda tirou algumas selfies com correligionários que estavam no local.

A delinquência de Bolsonaro prosseguiu ao longo do domingo nas redes sociais, com o estímulo e a convocação para os atos. Mais uma vez, o presidente operou como um chefete de facção, ignorando os atributos e as responsabilidades institucionais na condução da presidência do país.

A ação delinquente de Bolsonaro acontece em meio ao caos econômico dos últimos dias e da expansão do coronavírus no país. Um explosivo e duplo coquetel capaz de gerar uma perigosa combustão social.

A nova conjuntura internacional, que combina crise econômica e a pandemia do coronavírus, exige rápidas medidas do governo federal para manter a economia respirando e, ao mesmo tempo, conter a propagação do Covid-19. Apesar da ação, no fundamental, correta do Ministério da Saúde, há um descompasso no conjunto do governo Bolsonaro de como enfrentar a dupla e entrelaçada crise.

A iniciativa do governo bolsonarista de defender mais reformas de destruição do Estado é incapaz de superar a crise. O que demonstra a fragilidade da agenda da extrema-direita – que recebeu os impactos iniciais da pandemia do coronavírus, da oscilação das bolsas e da queda nos preços internacionais do petróleo -, sem um programa articulado e de conjunto.

O esforço concentrado do presidente Bolsonaro é no sentido de manter uma base coesa de apoio entre segmentos da população para investir na narrativa autoritária e golpista de que é impedido de governar pelos políticos e as instituições. É a aposta do bolsonarismo no xadrez da disputa política em curso.

Bolsonaro, sem saída para a crise econômica e sanitária, vai apostar tudo na polarização, é o que lhe resta. Além disso, o fechamento do regime segue no cardápio de opções dele e dos generais encastelados no Planalto.

Neste sentido, a oposição de esquerda e as forças progressistas estão chamadas ao duro combate em defesa de uma agenda anticrise, que contemple medidas para a proteção dos trabalhadores e da população mais pobre.

As propostas apresentadas pelo Partido dos Trabalhadores (PT) apontam na direção correta para retomar o crescimento da economia e proteger o povo durante a pandemia do coronavírus.

O PT sugere investimentos imediatos do estado para a geração de emprego e renda, o fim da fila do Bolsa Família com a incorporação das 3, 5 milhões de famílias no programa, abono salarial de emergência para quem ganha salário mínimo, a retomada das obras paradas e a suspensão dos programas de privatização das empresas estatais.

Além da necessidade de descongelar imediatamente os recursos para a Saúde represados pela Emenda Constitucional 95 (teto dos gastos), o que representaria um aporte de cerca de R$ 21 bilhões ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Bolsonaro faz provocação sobre 2018 e ‘tempestade perfeita’ se avizinha

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Foi uma segunda-feira (9) turbulenta, tensa, no Brasil e no mundo. As bolsas de valores despencaram, o preço internacional do petróleo desabou e o coronavírus se espalha cada vez mais.

Uma segunda-feira longa que reservava mais surpresas…

O presidente Jair Bolsonaro, de Miami, fez uma declaração surpreendente sobre as eleições presidenciais de 2018. Segundo Bolsonaro, houve fraude nas eleições e ele venceu o pleito ainda no primeiro turno. Ele assegurou ter provas e que vai apresentá-las.

A fala de Bolsonaro soa como mais uma irresponsável provocação golpista para açular as hordas da extrema-direita, que preparam os atos do próximo domingo (15) contra o Congresso Nacional e o STF. Uma provocação política feita em um cenário de crise econômica global, que arrasta perigosamente o Brasil para olho do furacão de uma tempestade perfeita.

Nesta segunda, o dólar bateu em quase de R$ 4,80, com o Banco Central (BC) torrando as reservas internacionais para tentar conter a moeda norte-americana. A bolsa de valores brasileira despencou 12%, recorrendo até ao expediente do circuit breaker.

O Banco Central foi obrigado a intervir no mercado duas vezes. Pela manhã de segunda, a autoridade monetária vendeu à vista US$ 3 bilhões das reservas internacionais. À tarde, vendeu mais US$ 465 milhões.

Além disso, a queda de braço entre a Rússia e a Arábia Saudita na disputa por preços do petróleo abalou as ações da Petrobras, a maior empresa brasileira capitalizada na bolsa. Os papéis ordinários da petroleira fecharam o dia com queda de 29,68%. As ações preferenciais caíram 29,7%. A estatal perdeu R$ 91 bilhões em valor de mercado nesta segunda fatídica.

Enquanto isso, Bolsonaro pintava o retrato da mulher no atelier de Romero de Britto, em Miami, e Paulo Guedes fingia serenidade em Brasília. Ou seja, estamos à mercê de dois pilotos irresponsáveis que já fracassaram na condução da economia nacional.

A desastrosa política econômica neoliberal do governo bolsonarista deixa o país extremamente vulnerável para enfrentar as turbulências da economia global. Especialistas de diversas escolas do pensamento econômico apontam para uma recessão na economia mundial igual ou superior a dos anos 2008 e 2009.

Uma tempestade perfeita se desenha no horizonte e o governo Bolsonaro pode apelar para a provocação e o golpismo como armas para encurralar a oposição democrática-popular e chantagear as débeis instituições do país. O momento exige uma resposta firme aos milicianos provocadores encastelados no Palácio do Planalto e nas estrebarias das casernas.

O fracasso da política econômica de Bolsonaro e Paulo Guedes

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A economia do país definha sob o comando da dupla Bolsonaro e Paulo Guedes, o “posto ipiranga” que desabou. Neste ano, somente nos dois primeiros meses, investidores já retiraram R$ 34, 908 bilhões do mercado acionário brasileiro. Na última quarta-feira (26), a saída alcançou R$ 3,068 bilhões, maior retirada já feita em apenas em um único dia por investidores estrangeiros desde 1994.

Diante do evidente fracasso da política econômica do governo Bolsonaro cresceu a desconfiança dos chamados investidores internacionais na condução da economia pilotada por Paulo Guedes. Um dos sintomas imediatos é alta continuada dólar, que atingiu esta semana R$ 4, 48.

O mecanismo para tentar segurar a alta seguida da moeda norte-americana é perverso e perigoso. Bolsonaro e Paulo Guedes já torraram cerca de US$ 37 bilhões das reservas acumuladas durante os governos de Lula e Dilma, cerca de US$ 400 bilhões.

No entanto, para além dos dados da relação real-dólar e da fuga de capitais, o país continua com uma alta taxa de desemprego. Segundo o IBGE, o desemprego encerrou o trimestre em 11,2%. Ou seja, são 26,390 milhões de pessoas desempregadas. Números que revelam um drama social e humano de profundas consequências para a vida de milhões de compatriotas.

O relatório do IBGE também mostrou que a taxa do trabalho informal continua extremamente elevada. São 38,3 milhões de brasileiros que continuam trabalhando na informalidade. No ano passado, a informalidade atingiu o maior nível desde 2016 e foi recorde em 19 estados e no Distrito Federal. Já os desalentados – trabalhadores que desistiram de procurar emprego – atingem a marca de 4,7 milhões.

A campanha narrativa do governo Bolsonaro, e da mídia amiga neoliberal, de que o Brasil estava retomando o caminho do crescimento, de que a economia ia decolar e de que os empregos estavam voltando não passou de mais um conto do vigário. As sucessivas revisões do “pibinho” de Bolsonaro apontam para algo em torno de 2% em 2020.

A devastação da economia real do país por Bolsonaro e Paulo Guedes é o fio condutor para a uma concentração de renda sem precedentes, do aumento da pobreza, do esmagamento dos direitos sociais da população e do desmonte das políticas públicas essenciais como a de saúde (SUS), educação, emprego, seguridade e de proteção social.

O fracasso da agenda econômica bolsonarista, além de enfraquecer o bloco governista e criar dissenções no establishment, facilita a luta pela derrota global do projeto neoliberal, que sufoca os trabalhadores e trava o desenvolvimento da nação.

Portanto, acumular forças nas mobilizações do mês de março, ampliar a denúncia do desastre de Paulo Guedes e barrar a mistificação dos efeitos do coronavírus na economia são eixos políticos que devem ganhar a nossa atenção prioritária no enfrentamento ao governo de Bolsonaro.

Em tempo: Registro aqui meu apoio e solidariedade a presidenta do PT, companheira Gleisi Hoffmann que repeliu com firmeza o ataque de fascistas neste fim de semana no Rio de Janeiro.

*Publicado originalmente no Blog do Esmael em 02/04/2020 .

Derrotar a intentona golpista de Bolsonaro com o povo na rua

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O presidente Bolsonaro e a sua base de apoio militante optaram por um teste de forças. A convocação das manifestações para o dia 15 de março pelo próprio presidente é um sinal claro de que o governo é o principal organizador e inspirador da intentona golpista contra o que resta de democracia institucional no país.

O “Foda-se” Congresso Nacional, STF e os políticos (que ‘atrapalham’ o presidente) é uma manifestação aberta por um regime de força, autoritário e antidemocrático. Um complô antidemocrático aberto, sem tirar nem pôr.

A escalada autoritária do bolsonarismo visa remover os entraves institucionais ainda existentes para esmagar a oposição parlamentar e social, com o objetivo de acelerar o ritmo da aplicação do modelo econômico de espoliação desenfreada das riquezas nacionais e do povo brasileiro.

A provocação golpista de Bolsonaro é gravíssima e exige uma pronta resposta da esquerda e do conjunto das forças democráticas da sociedade. É a hora de convocar uma resistência ativa nas ruas para barrar o tour de force da extrema-direita no governo. Uma grande vigília nacional em defesa das liberdades democráticas, mobilizando as entidades da sociedade civil, os movimentos sociais e, sobretudo, a população trabalhadora.

A reunião de emergência convocada pelos partidos de oposição precisa estimular e contribuir para a construção de uma agenda de resistência popular.

Não há atalhos e não há uma varinha mágica para derrotar o governo Bolsonaro e seus impulsos autoritários. Em particular para o PT e as forças de esquerda, resta o árduo caminho da resistência ativa e de massas, sustentada a partir das bases sociais dos trabalhadores e do povo mais pobre, os mais afetados pela política genocida de exclusão social.

Nos próximos dias, se avizinham duros e intensos combates em defesa do Brasil e da democracia para barrar o golpismo de viés bonapartista de Bolsonaro e do baronato neoliberal.

*Publicado originalmente no 247Brasil e Blog do Esmael em 26-02-2020

Ampliar o apoio político à greve dos petroleiros

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A greve dos petroleiros completou o seu 16º dia de resistência contra a privatização da Petrobras e o fechamento da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen-PR). O movimento se expande, ganha adesão crescente da categoria, e segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP) já são mais de 20 mil trabalhadores paralisados em 116 unidades da Petrobras, de norte a sul do país.

A greve nacional dos petroleiros por sua dimensão e intensidade ingressa numa etapa decisiva, com as inevitáveis implicações na arena política polarizada em curso no país. Neste momento, é fundamental ampliar e fortalecer o apoio político e social ao movimento.

O desmonte do Sistema Petrobras faz parte da ofensiva privatista do governo neoliberal e entreguista de Bolsonaro. A estatal foi resultado do impulso desenvolvimentista brasileiro ainda no governo nacionalista de Getúlio Vargas, atendendo um anseio das massas populares que foram às ruas dizer que o “petróleo é nosso!” .

O fechamento da Fafen, além de comprometer a cadeia produtiva da indústria petroquímica, de imediato, vai causar a demissão de mil trabalhadores (diretos e terceirizados) e de quase quatro mil empregos indiretos, com impacto efetivo na economia do município de Araucária, na região metropolitana de Curitiba.

Neste sentido, é fundamental ampliar as ações concretas de apoio ao movimento grevista dos petroleiros, unificando a mobilização da categoria com os diversos segmentos em luta contra as privatizações como os trabalhadores dos Correios, da Eletrobras, da Dataprev ainda ameaçados, da Casa da Moeda e agora a junção com o protesto dos caminhoneiros.

E para romper a operação de confinamento da greve, imposta pelo silêncio sistemático da mídia corporativa pró-governo, é um imperativo a realização de atos públicos nas capitais e cidades com bases da Petrobras, audiências públicas nas casas legislativas e ações de propaganda nos locais de maior afluência popular. O que também amplia as possibilidades para travar a disputa de narrativa em torno da defesa do caráter estatal da Petrobras, da sua importância para a economia nacional, e, ao mesmo tempo, facilitando a denúncia da nefasta política de preços dos combustíveis adotada pelo governo de Bolsonaro e Guedes.

Os partidos de esquerda, os movimentos sociais e os líderes parlamentares do campo popular e democrático estão chamados a assumir como prioridade política o apoio à greve de resistência dos petroleiros. Uma ação necessária no contexto da agenda de combate político ao governo bolsonarista.

Todo apoio aos petroleiros é a palavra de ordem para enfrentar e conter as ameaças do governo, a intransigência e chantagem da direção da empresa, o confinamento programado pela mídia e a hostilidade do Poder Judiciário contra a greve.

*Ativista político e social. Autor do livro ‘A Política Além da Notícia e a Guerra Declarada Contra Lula e o PT’.

*Publicado em 17/02/2020

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