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Mundo do Trabalho – OIT: desemprego e déficits de trabalho decente continuarão altos em 2018

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Apesar da taxa de desemprego global estar se estabilizando, o desemprego e os déficits de trabalho decente permanecerão em níveis altos em muitas partes do mundo, afirma novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre sobre emprego e condições de trabalho.

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À medida que a economia global se recupera num contexto de crescimento da força de trabalho, projeções indicam que em 2018 o desemprego global deverá permanecer em um nível semelhante ao do ano passado, segundo um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) lançado no final do mês de janeiro.

De acordo com a publicação “Perspectivas Sociais e de Emprego no Mundo: Tendências 2018” , a taxa de desemprego global se estabilizou após um aumento em 2016. As projeções indicam que a taxa chegou a 5,6% em 2017, o que representa mais de 192 milhões de pessoas desempregadas no mundo.

À medida que as perspectivas econômicas globais de longo prazo permanecem modestas – apesar do crescimento mais forte do que o esperado no ano passado – o relatório atribui a tendência positiva entre 2016 e 2017 principalmente ao forte desempenho dos mercados de trabalho de países desenvolvidos, onde projeta-se que a taxa de desemprego cairá em 0,2 pontos percentuais adicionais em 2018, atingindo 5,5%, uma taxa abaixo dos níveis anteriores à crise.

Em contrapartida, apesar do crescimento do emprego ter melhorado em comparação com 2016, espera-se que ele seja inferior ao crescimento da força de trabalho nos países emergentes e em desenvolvimento.

“Embora o desemprego global tenha se estabilizado, os déficits de trabalho decente continuam generalizados e a economia global ainda não está criando empregos suficientes. Esforços adicionais devem ser implementados para melhorar a qualidade dos empregos para os trabalhadores e assegurar que os ganhos de crescimento sejam compartilhados de forma equitativa”, afirmou o Diretor-Geral da OIT, Guy Ryder.

Emprego vulnerável aumenta e ritmo de redução da pobreza entre trabalhadores desacelera
O relatório destaca o fato de que o progresso significativo alcançado no passado na redução do emprego vulnerável está paralisado desde 2012. Estima-se que cerca de 1,4 bilhão de trabalhadores estavam em empregos vulneráveis em 2017 e que outros 35 milhões deverão se juntar a eles até 2019. Nos países em desenvolvimento, o emprego vulnerável afeta três em cada quatro trabalhadores.

Um ponto positivo observado pelo relatório é que a quantidade de trabalhadores vivendo abaixo da linha da pobreza continua a cair em países emergentes, onde o número de trabalhadores vivendo em extrema pobreza deverá chegar a 176 milhões em 2018, ou 7,2% de todas as pessoas empregadas.

“No entanto, nos países em desenvolvimento o progresso na redução do número de trabalhadores vivendo abaixo da linha da pobreza é muito lento para acompanhar a expansão da força de trabalho. Espera-se que o número de trabalhadores que vivem em extrema pobreza permaneça acima de 114 milhões nos próximos anos, afetando 40% de todas as pessoas empregadas em 2018”, explica o economista da OIT Stefan Kühn, principal autor do relatório.

Os autores também destacam o fato de que as taxas de participação das mulheres no mercado de trabalho permanecem bem abaixo das taxas masculinas. As mulheres também são mais propensas a ter empregos de qualidade inferior e salários mais baixos.

Mudanças estruturais e envelhecimento aumentarão as pressões sobre o mercado de trabalho
Considerando as mudanças na composição setorial do emprego, o relatório observa que os empregos no setor de serviços serão o principal motor do crescimento do emprego no futuro, enquanto os empregos nos setores agrícola e industrial continuarão a diminuir.
Uma vez que o emprego vulnerável e informal é predominante na agricultura e nos serviços de mercado, as mudanças nos empregos projetadas em todos os setores podem ter um potencial limitado para reduzir os déficits de trabalho decente, se não forem acompanhadas de fortes esforços políticos para aumentar a qualidade dos empregos e a produtividade no setor de serviços.

O relatório também analisa a influência do envelhecimento da população e conclui que o crescimento da força de trabalho global não será suficiente para compensar a rápida expansão do grupo de aposentados. Segundo projeções do relatório, a média de idade dos trabalhadores irá aumentar de pouco menos de 40 anos em 2017 para mais de 41 em 2030.

“Além do desafio que um número crescente de aposentados cria para os sistemas de pensão, uma força de trabalho cada vez mais velha também deve ter um impacto direto nos mercados de trabalho. O envelhecimento pode reduzir a produtividade e diminuir os ajustes do mercado de trabalho após choques econômicos”, avisa o Diretor Interino do Departamento de Pesquisa da OIT, Sangheon Lee.

Principais conclusões regionais

América Latina e Caribe:

  • A previsão é de que a taxa de desemprego diminua apenas marginalmente, passando de 8,2% em 2017 para 7,7% até 2019.
  • Considerando que a taxa de desemprego regional chegou a 6,1% em 2014, a região ainda está longe de se recuperar completamente das perdas de emprego dos últimos anos.

Norte da África:

  • A taxa de desemprego deve diminuir de 11,7% em 2017 para 11,5% em 2018.
  • O número de desempregados permanece estável em 8,7 milhões, em meio ao forte crescimento da força de trabalho.
  • A região apresenta a maior taxa de desemprego no mundo, impulsionada por grandes lacunas nos grupos de jovens e mulheres, que estão significativamente sobrerrepresentados entre os desempregados.

África Subsaariana:

  • A taxa de desemprego deve atingir 7,2%, permanecendo essencialmente inalterada.
  • O número de desempregados deve aumentar em um milhão devido aos altos níveis de crescimento da força de trabalho da região.
  • Mais de um em cada três trabalhadores vive em condições de extrema pobreza, enquanto quase três em cada quatro trabalhadores estão em empregos vulneráveis.

América do Norte:

  • O desemprego provavelmente diminuirá de 4,7% em 2017 para 4,5% em 2018, impulsionado por uma queda nas taxas de desemprego no Canadá e nos Estados Unidos.

Estados Árabes:

  • As condições do mercado de trabalho devem permanecer relativamente estáveis, com a queda da taxa de desemprego regional projetada para diminuir ligeiramente para 8,3% em 2018 e voltar a aumentar em 2019.
  • Como resultado, quase cinco milhões de pessoas estarão desempregadas em 2018, com as mulheres representando quase um terço desse grupo, apesar de representarem apenas 16% da força de trabalho regional.

Ásia e Pacífico:

  • O desemprego deve permanecer baixo pelos padrões internacionais e bastante estável em 4,2% durante todo o período de projeção, devido principalmente ao fato de que a região deve continuar a criar empregos rapidamente.
  • O número de pessoas empregadas deve aumentar em cerca de 23 milhões entre 2017 e 2019.
  • O emprego vulnerável afeta quase metade de todos os trabalhadores na região, ou seja, mais de 900 milhões de pessoas.

Norte, Sul e Oeste da Europa:

  • Graças a uma atividade econômica melhor do que o esperado, prevê-se que a taxa de desemprego tenha diminuído de 9,2% em 2016 para 8,5% em 2017, a menor desde 2008.
  • As maiores reduções nas taxas de desemprego, da ordem de dois pontos percentuais, provavelmente serão observadas na Espanha e na Grécia, onde as taxas devem ser de 15,4% e 19,5% em 2018, respectivamente.
  • A taxa de desemprego também deve continuar a cair em 2018 na Itália, Irlanda e Portugal, mas a um ritmo mais lento do que no período entre 2015 e 2018.
  • O desemprego deve permanecer estável na França e no Reino Unido, embora no segundo seja esperado um leve crescimento em 2019.

Leste da Europa:

  • À medida que o crescimento econômico é retomado, a taxa de desemprego deverá diminuir modestamente, de 5,5% em 2017 para 5,3% em 2018.
  • Isso reflete a queda das taxas de desemprego em países como Polônia, Ucrânia e Eslováquia, parcialmente compensada pela expectativa de aumento do desemprego na República Tcheca.

Ásia Central e Ocidental:

  • A recuperação relativamente forte do crescimento econômico traduz-se apenas parcialmente na queda da taxa de desemprego regional, que deve permanecer em torno de 8,6% ao longo de 2018 e 2019.
  • O emprego vulnerável permanece elevado, afetando mais de 30% dos trabalhadores em 2017, mas estima-se que ele diminuirá ligeiramente em 2018 e 2019 (0,6 pontos percentuais).

Metodologias e dados aprimorados

As estimativas globais de desemprego e de trabalhadores vivendo abaixo da linha da pobreza foram revisadas nesta edição do relatório, após melhorias em metodologias de dados e estimativas. Apesar disso, os números ainda são comparáveis e as tendências são consistentes, uma vez que a metodologia melhorada é aplicada a anos anteriores.

“A metodologia melhorada faz parte do contínuo esforço da OIT para tornar os indicadores mais precisos e comparáveis entre países e regiões”, diz o chefe da Unidade de Produção e Análise de Dados da OIT, Steven Kapsos.

Embora o número de pessoas desempregadas tenha sido revisado para baixo em comparação com os dados apresentados na edição anterior do relatório, de 2017, a revisão reflete apenas o uso de dados e estimativas melhorados. Os novos números não refletem uma perspectiva do mercado de trabalho global melhor do que o esperado nem significam que os números de desemprego tenham despencado”, explica o economista da OIT,  Stefan Kühn, principal autor do relatório.

*Fonte OIT – Escritório Regional Brasil
**Imagem de  responsabilidade do editor do blog
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Mundo do Trabalho: Amazon patenteia pulseira para localizar trabalhadores

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Ideia da empresa de Jeff Bezos foi conhecida através do registo de duas patentes. Pulseira permitiria a localização exata de todos os trabalhadores.

 

Via Esquerda.Net

O objetivo é reduzir ao máximo os erros e o tempo que o trabalhador leva a recolher produtos nas prateleiras. Com esta pulseira, a Amazon saberá exatamente que trabalhador está a mexer em que produtos, permitindo igualmente a análise de rentabilidades e tempos mortos, e com isso medir a “eficácia dos trabalhadores”.

A candidatura das patentes, apresentada em 2016, foi publicada em setembro de 2017 e obtida no final do passado mês de janeiro.

Em teoria, as pulseiras permitem localizar as mãos dos trabalhadores, ajudando a conduzi-los para as caixas com as quais devem trabalhar. As pulseiras incluiriam um sistema de alertas por vibração cuja intensidade aumentaria se a mão se aproximasse ou afastasse do produto a recolher.

De acordo com a informação declarada na patente (link is external), o objetivo é reduzir as tarefas “que consomem tempo”, como a resposta a encomendas e a preparação do envio. Os trabalhadores poderiam assim “responder mais depressa às encomendas”.

Porém, as patentes não explicam como seria explorada a informação registada através das pulseiras, referindo apenas o seu potencial de “otimização de recursos”. Também o potencial aumento da vigilância no local de trabalho não é referida em qualquer momento.

Embora não esteja claro se a multinacional pretende avançar com a produção deste sistema, esta patente vem alimentar o crescente debate sobre a privacidade dos trabalhadores.

Recorde-se que a Amazon já foi alvo de denúncias públicas de jornalistas e ex trabalhadores sujeitos a cargas horárias que ascendem a 60 horas semanais, auferindo pouco mais que o salário mínimo e em condições laborais degradantes. Os trabalhadores são despedidos quando não cumprem os objetivos, existindo relatos de desmaios por esgotamento.

Opinião – O beco sem saída da “direita”

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O blog, por sugestão de amigos leitores, publica artigo do professor Luis Carlos Freitas, que faz uma apurada e competente análise sobre a “nova direita” e sua opção pela radicalização política, conduzindo uma ruptura aberta e franca ao pacto policlassista costurado pela Constituição de 1988 (vide o Manifesto Brasil 200, organizado por empresários). Para Freitas, “a aposta dessa ‘nova direita’ – uma articulação parlamentar, judiciária e midiática – é na polarização ideológica”. Portanto, o ultrapassado discurso da existência de uma suposta burguesia nacional, com determinados interesses nacionais e capaz de celebrar alianças políticas com os trabalhadores para o desenvolvimento do país”, é uma perigosa e desmobilizadora ilusão para as forças populares e de esquerda. (M.A).

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 A “nova direita” também usa toga

 

A nova direita (uma articulação parlamentar, judiciária e midiática), ao dar prosseguimento ao Golpe de 2016 anulando Lula e outros à esquerda, comete um erro do qual se arrependerá, tardiamente. Não são poucas as vozes que alertam para o fato de que a condenação de Lula e sua eventual prisão aumentam a radicalização ou, como gostam de dizer, a “polarização” no país. Isso é um outro nome para a velha “luta de classe”.

A direita (antiga) sempre valorizou lideres conciliadores na esquerda. Mais experiente que os Dória da “nova direita”, ela viveu a pressão da classe trabalhadora no pós-guerra e aprendeu a valorizar lideranças que impediam que a massa trabalhadora radicalizasse, colocando no lugar o “diálogo entre patrão e empregado”. A questão, na época, era anular as lideranças “radicais” que pregavam o socialismo e, portanto, a luta de classes.

Com este movimento, a direita isolou a liderança de esquerda considerada mais radical e valorizou o nascimento de uma “nova esquerda” que jogava o jogo, que pretendia fazer avançar a luta dos trabalhadores por dentro do próprio sistema, pelas eleições representativas da democracia liberal. Ainda podemos nos lembrar, os mais velhos, da capa de revistas da direita que nos anos 80 saudavam Genuino, Aloisio Mercadante e José Dirceu como as novas lideranças que iriam redefinir as esquerdas. O PT nasceu para ocupar este espaço: para construir a conciliação dos interesses dos trabalhadores com algo que se poderia chamar de “burguesia nacional”. Uma espécie de ganha-ganha.

A estratégia de eliminar a força político-eleitoral da “nova esquerda” por golpes jurídico-parlamentar-midiáticos tem as mesmas preocupações de Hayek no pós-guerra desenvolvidas por Buchanan nos Estados Unidos com financiamento dos Irmãos Koch (veja aqui). Ela é “inovadora” na medida em que prega abertamente abrir mão da democracia liberal que entende ser uma forma de organização que não resiste às pressões da massa. Neste sentido, a “nova esquerda” entrou em um barco furado, acreditando que as regras do jogo valiam. Esta mudança de entendimento caracteriza o conflito entre a direita (antiga), do tipo Alckmin e FHC, e a “nova direita” do tipo Doria. No Brasil, por agora, este conflito parece ter sido acomodado com a entrega do governo do Estado de São Paulo a Doria. Mas ela está se organizando para assumir o controle.

Com a queda do socialismo e o aumento das contradições do capitalismo, as teses desta “nova direita” emergente se fortalecem e vão sendo aceitas como tábua de salvação da acumulação de riqueza – especialmente a ideia de que a democracia representativa não tem forças, pela sua própria dinâmica, para conter as pressões da massa sobre o sistema democrático, fazendo com que este seja levado a introduzir nas constituições nacionais e na legislação ordinária as reivindicações dos trabalhadores, as quais dificultam a manutenção das taxas de acumulação.

Sem nenhum “agradecimento”, a “nova direita” dispensou a “nova liderança de esquerda” que elogiou no passado. Sente-se forte no atual cenário para enfrentar toda a esquerda e dispensar lideranças conciliadoras. Acirra, portanto, unilateralmente, a luta de classes, face às dificuldades que tem de garantir horizonte para suas taxas de acumulação sem que sejam feitas as tais “reformas”.

No pano de fundo está a sobrevivência das próprias burguesias nacionais de países como o Brasil se não aceitarem as regras do “mercado” internacional que exige as reformas. Enquanto Lula era condenado, a Bolsa de Valores batia recorde aos 83 mil pontos: com Lula fora do páreo, nada pode atrapalhar seus planos de acumulação. Esta é a “estabilidade” que o andar de cima procura.

A “nova esquerda” não estava errada do ponto de vista eleitoral. Tanto que tornou-se uma força considerável a ponto de meter medo. Mas a questão que se recusou a examinar foi a viabilidade de produzir mudanças substanciais pela via eleitoral, sendo atacada pelas costas por flancos jurídicos e parlamentares. Acabou crescendo demais para os propósitos da “nova direita”. Carta Capital denuncia reunião ocorrida em Atlanta (USA):

“No fim de 2012, Manolo Pichardo, político da República Dominicana, participou de uma sinistra reunião na suíte de um hotel em Atlanta, nos Estados Unidos. Alguns ex-presidentes latino-americanos de inclinação de centro ou direita discutiram como varrer adversários progressistas do mapa. Afinal, dizia um dos presentes, Luis Alberto Lacalle, ex-mandatário uruguaio, “não podemos ganhar desses comunistas pela via eleitoral”.”

As teses da “nova direita”, ao promover a radicalização – e é preciso que fique claro que é ela quem está radicalizando e não a esquerda – e eliminar as lideranças conciliatórias supõe um erro de base: a de que a esquerda é um fenômeno supra-estrutural da política e que pode ser eliminada junto com seus líderes. Pretende abrir caminho para realizar sua política (inclusive a privatização radical) que permitiria que o povo vivenciasse a nova lógica social e com isso percebesse as vantagens desta política frente à da esquerda. É cega para as consequências sociais contraditórias de sua ação.

O pensamento de esquerda não é produto do PT. Acabar com o PT e suas lideranças não acaba com a esquerda. Antes, o PT é produto das condições de vida sociais que ele procura interpretar à sua maneira. É produto das condições do funcionamento social e estas, sob a “nova direita”, vão ficar mais difíceis e não mais fáceis como eles pretendem demonstrar. As reformas que estão sendo feitas vão bater forte na classe trabalhadora produzindo um precariado que terá condições objetivas de luta jamais vistas antes. O descuido, insisto, é que quando o conflito aumentar, as lideranças conciliadoras (e o próprio sistema democrático liberal – parlamento e judiciário) já estarão desgastadas pelo embate que estão produzindo e a estratégia conciliatória estará desacreditada, restando apenas o caminho do arbítrio em substituição à democracia liberal o que levará ao confronto. Este é o sentido mais grave que se pode atribuir ao atual movimento da “nova direita” e que Roberto Romano, por outros motivos, chama de “atitude impensada” (referindo-se à condenação de Lula dia 24 de Janeiro de 2018):

“A decisão não abarcou a complexidade da situação política em que nós vivemos”, afirmou. Segundo Romano, os eleitores de Lula, em grande medida de origens mais pobres, não têm uma relação de confiança com o Judiciário brasileiro.”

Dessa forma, setores à direita desconstroem aquilo que poderia no futuro ser sua própria saída, ante as consequências da radicalização ou polarização que agora estão produzindo, a qual levará a fortes reações em termos de horizonte histórico. No entanto, do ponto de vista da esquerda, por contraste, a radicalização da “nova direita” com as reformas abre possibilidades de luta imensas.

O golpe de 64 mostrou que o espaço para produzir reformas desde dentro do sistema, participando do jogo, é praticamente nulo. O golpe de 2016 ratificou esta mesma compreensão, por outros meios, e mostra até onde está disposta a ir a “nova direita” para proteger seu sistema: abrir mão da própria democracia liberal na qual a esquerda acreditou. Este é o significado da “cassação” de Dilma e agora da “cassação” de Lula.

*É formado em Pedagogia e mestre em Educação, concluiu o doutorado em Ciências (Psicologia Experimental) pela Universidade de São Paulo em 1987. Atualmente é professor titular da Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas – Unicamp.

**Artigo publicado originalmente no blog avaliaçãoeducacional.com. A imagem é de responsabilidade do editor do blog http://www.miltoncompolitica.wordpress.com

Lula, o que o establishment fará com ele?

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No dia de ontem, terça-feira (30), nas filas do registro biométrico do TRE em Salvador (BA), de forma espontânea, foram registrados cantos e gritos de apoio ao ex-presidente Lula. E para reforçar a complexidade do atual cenário político, nova pesquisa Datafolha atesta a liderança do ex-presidente Lula em todos os cenários projetados.  Sem ele, disparam os votos nulos e a abstenção.

Maior líder político vivo do país, o ex-presidente é alvo de intensa perseguição judicial, um processo que diz muito sobre a natureza classista das nossas instituições. O empoderado, no mal sentido, Poder Judiciário é hoje, de fato, o “poder moderador” da República – no vácuo da desmoralização e falência da atual modelagem política. Sacudido, desde 2014, por intensa polarização política, aprofundado por um golpe parlamentar-midiático de uma presidente legítima, o pacto policlassista e de democracia limitada costurado pela Constituição de 1988 esfarelou-se.

A saída política e institucional da crise exige a presença de todos atores e forças políticas com representação e respaldo na cidadania. Neste sentido, é uma temeridade para a saúde da nossa ainda frágil democracia, a proscrição política de Lula e a demonização do Partido dos Trabalhadores – PT.

As pesquisas eleitorais favoráveis e a vitalidade demonstrada por Lula e o PT são ativos de anos de lutas políticas e sociais e da construção de uma consciência em diversas camadas da população da necessidade de mudanças estruturais na sociedade – que ostenta uma indecente desigualdade social. Reformas que os governos do PT não foram capazes de realizar e que também enfrentaram encarniçada resistência de setores do establishment mais conservador.

A saída é política

O país, mergulhado numa abismal crise econômica e social, com um governo que carece de legitimidade interna e externa, vive a expectativa do desfecho da situação do seu mais popular personagem político, no momento com ameaça até de encarceramento.

A entrevista da presidente da corte suprema, ministra Carmem Lúcia, ontem no JN da Globo, sobre a possibilidade da decretação de prisão depois de condenação em segunda instância (debate em curso no pleno do STF), foi uma demonstração ao mesmo tempo de arrogância e fraqueza, um perigo adicional para o momento em que atravessamos. Suas palavras tíbias e vagas diante de um ameaçador microfone global, mostraram em cadeia nacional o quanto de improviso e desrespeito à Constituição são  feitas as decisões daquela corte. A mulher, só é a presidente do STF, e não foi capaz de defender a Constituição e a sua integridade soberana na entrevista. Ela, sim, se apequenou, ao não defender as prerrogativas da própria corte em debater a pauta necessária e urgente. É por isso que vicejaram nos últimos anos “justiceiros” como os Moro, os Bretas, jagunços de toga, contumazes violadores do Estado de Direito.

O jogo está sendo jogado, o andar de cima dividido quanto ao caminho, mas unido na agenda regressiva de devastação social e do estado, opera a busca de um candidato para manter o atual estado de coisas.

No campo popular, hegemonizado pela figura de Lula, pairam dúvidas e desconfianças sobre os próximos passos – a resistência ao cerco remete a imagem do “gato acuado”, que luta com todas as garras para se livrar da ameaça iminente. A palavra de ordem petista que “eleição sem Lula é fraude” ganhou eco na sociedade brasileira e também fora do país.

Resta saber, o que fará o establishment com Lula; no desfecho das crises e dos impasses quase sempre é necessário “combinar com os russos” uma saída, mesmo que parcial e temporária.

*Artigo publicado originalmente na minha coluna no blog do Esmael – http://www.esmaelmorais.com.br edição de 31/01/2018

PCdoB: Condenação de Lula é novo golpe na democracia

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Presidente do PCdoB e pré-candidata à presidência da república do partido assinam nota em defesa de ex-presidente. Luciana Santos, presidente nacional do PCdoB, e Manuela D’Ávila, pré-candidata à presidência da república pela legenda, emitiram nota em nome do partido realizando uma defesa do ex-presidente Lula após sua injusta condenação pelo TRF-4 na tarde desta quarta (24). O texto se junta a outras notas e manifestações em protesto a essa tentativa de tirar o direito de Lula ser candidato.  Leia a nota na íntegra.

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Condenação de Lula é novo golpe na democracia

A condenação do ex-presidente Lula em segunda instância pelo TRF-4 nesta quarta-feira (24) é um arbítrio, o ponto culminante de um verdadeiro processo de exceção. Desde a primeira instância, o processo foi conduzido sem levar em conta o princípio básico do juiz natural; em nenhum momento foram apresentadas provas de qualquer tipo de que o tal tríplex é de propriedade ou esteve em posse do ex-presidente. Não há qualquer ato de ofício que demonstre que ele beneficiou a empresa em questão, dentre muitas outras inconsistências largamente demonstradas pela defesa.

Não à toa o processo movido contra Lula despertou a consciência jurídica nacional e internacional. Alguns dos mais renomados juristas do mundo se pronunciaram sobre o assunto, denunciando o caráter político do processo.

Lula foi submetido a um massacre midiático permanente, que buscou jogar lama sobre o seu nome. Nesse sentido, o que vemos é uma repetição de outros episódios da história do Brasil, nos quais a grande imprensa buscou destruir lideranças comprometidas com o povo e com os interesses nacionais através de ataques contra sua honra. Foi assim com Getúlio Vargas e com João Goulart, ambos vítimas de campanhas difamatórias que abriram espaço para golpes contra a nação.

Esta decisão, que visa o afastamento de Lula do processo eleitoral, é a nova fase do golpe institucional que cassou 54 milhões de votos dos brasileiros e brasileiras que elegeram Dilma Rousseff em 2014.

O golpe, como o PCdoB tem afirmado desde o início, tem um programa. Foi consumado para implementar um violento projeto de recolonização do país, que inclui a destruição dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e a reafirmação dos interesses do rentismo parasitário. Esse programa não aceita a democracia porque não pode ser implementado sem calar o povo, cassando-lhe o direito ao voto, perseguindo suas lutas e seus dirigentes. Lula não é o primeiro nem será o último, caso a sociedade brasileira não se mobilize em defesa da democracia e do Estado de Direito.

Provando que o golpe é um processo em curso, duas novas etapas dessa ofensiva contra a soberania e os interesses do trabalhador se encontram na pauta imediata de discussões do Congresso Nacional: a reforma daPrevidência Social e a privatização da Eletrobrás.
Para reverter esse processo, é preciso apresentar um programa que una todos os

brasileiros e brasileiras em torno de um projeto de desenvolvimento nacional autônomo, de reindustrialização e de reversão das medidas de Temer contra o Brasil e os direitos dos trabalhadores. Uma plataforma que demonstre que a realização plena do Brasil enquanto nação é o caminho para a consolidação da democracia e dos direitos do povo.
Este caminho de afirmação dos interesses nacionais contraria frontalmente os

especuladores e rentistas e, por isso, não passa pela pactuação com esses setores. Trata-se, pelo contrário, de construir a frente mais ampla possível, uma concertação que permita isolá-los. É para defender esse programa e sustentar essa orientação que o PCdoB lançou a pré-candidatura de Manuela D’Ávila, portadora de uma agenda de novas esperanças para o povo e de outro futuro para o país.

No momento em que é cometida essa violência contra o Estado Democrático Direito, o PCdoB abraça Lula e a militância do PT, e reafirma a convicção de que deve prosseguir a luta para que as próximas instancias do Judiciário revertam este arbítrio, permitindo que o ex-presidente dispute livremente as eleições, garantindo que todos os brasileiros e brasileiras tenham assegurado seu direito de votar livremente.

São Paulo, 24 de Janeiro de 2018.

Deputada federal Luciana Santos
Presidente nacional do PCdoB

Manuela D´Ávila
Pré-candidata à Presidência da República pelo PCdoB

Da redação da Agência PT de Notícias

Nota do PT: Não nos rendemos diante da injustiça. Lula é candidato

Publicado em

“Vamos lutar em defesa da democracia em todas as instâncias, na Justiça e principalmente nas ruas”, afirmou Gleisi Hoffmann, presidente do PT. Confira a íntegra do documento.

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 Nota do Partido dos Trabalhadores

 

O dia 24 de janeiro de 2018 marca o início de mais uma jornada do povo brasileiro em defesa da Democracia e do direito inalienável de votar em Lula para presidente da República.

O resultado do julgamento do recurso da defesa de Lula, no TRF-4, com votos claramente combinados dos três desembargadores, configura uma farsa judicial. Confirma-se o engajamento político-partidário de setores do sistema judicial, orquestrado pela Rede Globo, com o objetivo de tirar Lula do processo eleitoral.

São os mesmos setores que promoveram o golpe do impeachment em 2016, e desde então veem dilapidando o patrimônio nacional, entregando nossas riquezas e abrindo mão da soberania nacional, retirando direitos dos trabalhadores e destruindo os programas sociais que beneficiam o povo.

O plano dos golpistas esbarra na força política de Lula, que brota da alma do povo. Esbarra na consciência democrática da grande maioria da sociedade, que não aceita uma condenação sem crime e sem provas, não aceita a manipulação da justiça com fins de perseguição política.

Não vamos aceitar passivamente que a democracia e a vontade da maioria sejam mais uma vez desrespeitadas.

Vamos lutar em defesa da democracia em todas as instâncias, na Justiça e principalmente nas ruas.

Vamos confirmar a candidatura de Lula na convenção partidária e registrá-la em 15 de agosto, seguindo rigorosamente o que assegura a Legislação eleitoral.

Se pensam que história termina com a decisão de hoje, estão muito enganados, porque não nos rendemos diante da injustiça.

Os partidos de esquerda, os movimentos sociais, os democratas do Brasil, estamos mais unidos do que nunca, fortalecidos pelas jornadas de luta que mobilizaram multidões nos últimos meses.

Hoje é o começo da grande caminhada que, pela vontade do povo, vai levar o companheiro Lula novamente à Presidência da República.

São Paulo, 24 de janeiro de 2018

Gleisi Hoffmann,  presidente Nacional do PT

PSOL: Condenação de Lula é ataque à democracia brasileira

Publicado em

Presidente do PSOL, Juliano Medeiros, assinou nota de seu partido expressando apoio a Lula após a injusta condenação mantida pelo TRF-4 na tarde desta quarta-feira (24). É mais um apoio que o ex-presidente recebe nesta tarde, somando-se às diversas manifestações que ocorrem em todo o Brasil.  Leia a nota na íntegra.

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SOBRE CONDENAÇÃO DE LULA EM SEGUNDA INSTÂNCIA

A confirmação da condenação do ex-presidente Lula é mais um capítulo dos ataques recentes à democracia brasileira.

Apesar da ausência de provas, os desembargadores do TRF-4 aumentaram a pena estabelecida pelo juiz Sérgio Moro para mais de 12 anos de prisão – enquanto figuras como Temer e Aécio, mesmo com abundantes indícios de crime, continuam livres.

O PSOL guarda importantes diferenças com Lula e terá candidatura própria nas eleições. Mas repudiamos a condenação sem provas e defendemos seu direito de concorrer.

A luta pela democracia não começou e nem acaba aqui. Estaremos juntos nessa batalha, construindo uma alternativa política de direitos para o Brasil.

Juliano Medeiros
Presidente Nacional do PSOL

Da redação da Agência PT de Notícias

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