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UFPR decreta luto por três dias pelo falecimento do Reitor Luiz Carlos Cancellier da UFSC

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A Autoridade Universitária decretou luto por dias três dias pelo falecimento em circunstâncias trágicas do Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo, nesta manhã de segunda-feira (2). A nota de pesar acompanha a manifestação de toda comunidade acadêmica nacional

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A Universidade Federal do Paraná lamenta profundamente o trágico falecimento do Prof. Dr. Luiz Carlos Cancellier de Olivo, reitor da Universidade Federal de Santa Catarina. Como faz hoje o conjunto das Universidades Federais brasileiras, a UFPR decreta também luto de três dias.

Acompanhando a nota publicada pela ANDIFES, entendemos que a ocasião, além de ser de pesar e de solidariedade aos familiares e aos amigos do professor Cancellier, é de reflexão sobre o papel desempenhado atualmente em nosso país pelos aparatos estatais de controle e de punição, bem como sobre a consequente repercussão pública, especialmente nesse momento crítico vivido pelas Universidades. E, não menos importante, ponderar, em nossa jovem democracia, sobre o necessário resgate de uma cultura de direitos que respeite a dignidade humana, o contraditório, a ampla defesa e a presunção de inocência, reafirmando que a responsabilidade em relação à vida é soberana em qualquer situação.

Leia também a nota emitida pela Andifes:

http://www.andifes.org.br/nota-de-pesar/

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O último artigo de Luiz Carlos Cancellier. Quem matou o reitor da UFSC?

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A notícia chocou o país e a comunidade acadêmica nesta segunda-feira(2). Luiz Carlos Cancellier de Olivo, reitor “afastado” da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), cometeu suicídio nesta manhã se jogando de um dos pisos no Shopping Beira-Mar, em Florianópolis. Foi preso por ação aparatosa da PF,  humilhado nas dependências policiais, posteriormente solto, afastado da Reitoria por decisão judicial e acusado do desvio de R$ 80 milhões. Além disso, o reitor Luiz Carlos Cancellier estava impedido de entrar na universidade, onde foi eleito pela comunidade acadêmica. A seguir o último artigo assinado pelo reitor, que foi publicado na edição do dia 28/09 do jornal O Globo. Confira.

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“Reitor exilado”

Por Luiz Carlos Cancellier de Olivo*

“Não adotamos qualquer atitude para obstruir apuração da denúncia.
A humilhação e o vexame a que fomos submetidos — eu e outros colegas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) — há uma semana não tem precedentes na história da instituição. No mesmo período em que fomos presos, levados ao complexo penitenciário, despidos de nossas vestes e encarcerados, paradoxalmente a universidade que comando desde maio de 2016 foi reconhecida como a sexta melhor instituição federal de ensino superior brasileira; avaliada com vários cursos de excelência em pós-graduação pela Capes e homenageada pela Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Nos últimos dias tivemos nossas vidas devassadas e nossa honra associada a uma “quadrilha”, acusada de desviar R$ 80 milhões. E impedidos, mesmo após libertados, de entrar na universidade.

Quando assumimos, em maio de 2016, para mandato de quatro anos, uma de nossas mensagens mais marcantes sempre foi a da harmonia, do diálogo, do reconhecimento das diferenças. Dizíamos a quem quisesse ouvir que, “na UFSC, tem diversidade!”. A primeira reação, portanto, ao ser conduzido de minha casa para a Polícia Federal, acusado de obstrução de uma investigação, foi de surpresa.

Ao longo de minha trajetória como estudante de Direito (graduação, mestrado e doutorado), depois docente, chefe do departamento, diretor do Centro de Ciências Jurídicas e, afortunadamente, reitor, sempre exerci minhas atividades tendo como princípio a mediação e a resolução de conflitos com respeito ao outro, levando a empatia ao limite extremo da compreensão e da tolerância. Portanto, ser conduzido nas condições em que ocorreu a prisão deixou-me ainda perplexo e amedrontado.

Para além das incontáveis manifestações de apoio, de amigos e de desconhecidos, e da união indissolúvel de uma equipe absolutamente solidária, conforta-me saber que a fragilidade das acusações que sobre mim pesam não subsiste à mínima capacidade de enxergar o que está por trás do equivocado processo que nos levou ao cárcere. Uma investigação interna que não nos ouviu; um processo baseado em depoimentos que não permitiram o contraditório e a ampla defesa; informações seletivas repassadas à PF; sonegação de informações fundamentais ao pleno entendimento do que se passava; e a atribuição, a uma gestão que recém completou um ano, de denúncias relativas a período anterior.

Não adotamos qualquer atitude para abafar ou obstruir a apuração da denúncia. Agimos, isso sim, como gestores responsáveis, sempre acompanhados pela Procuradoria da UFSC. Mantivemos, com frequência, contatos com representantes da Controladoria-Geral da União e do Tribunal de Contas da União. Estávamos no caminho certo, com orientação jurídica e administrativa. O reitor não toma nenhuma decisão de maneira isolada. Tudo é colegiado, ou seja, tem a participação de outros organismos. E reitero: a universidade sempre teve e vai continuar tendo todo interesse em esclarecer a questão.

De todo este episódio que ganhou repercussão nacional, a principal lição é que devemos ter mais orgulho ainda da UFSC. Ela é responsável por quase 100% do aprimoramento da indústria, dos serviços e do desenvolvimento do estado, em todas as regiões. Faz pesquisa de ponta, ensino de qualidade e extensão comprometida com a sociedade. É, tenho certeza, muito mais forte do qualquer outro acontecimento”.

*Reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Artigo publicado originalmente no jornal O Globo

Polêmica – China: O mito do “Socialismo de Mercado”

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O blog publica o artigo de Valdir Izidoro Silveira, engenheiro agronômo, especialista em planejamento e desenvolvimento regional – , sobre o papel da China na economia mundial e o caráter das relações econômicas do estado chinês com os países em vias de desenvolvimento. Além disso, o texto é uma “resposta” a publicação pelo editor do blog do artigo “Os apetites velozes e furiosos dos chineses no Brasil e na América Latina”, que trata da ação do emergente imperialismo chinês na exportação de capitais, na política agressiva de aquisição de ativos e recursos naturais em países na Ámerica Latina, África e no próprio continente asiático.  A polêmica se reveste de atualidade pela presença marcante da China na atual política de “subasta’ e entreguismo conduzida pelo governo golpista de Temer. O governo e as corporações transnacionais chinesas planejaram uma ampla participação no processo de privatização do Brasil, particularmente nos setores de energia e mineração. (M.A).

 

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Por Valdir Izidoro Silveira*

“A análise concreta da situação concreta é a alma viva, a essência do marxismo” Lênin.

O primeiro livro que li , com análise mais aprofundada da China, foi O Problema Chinês (Le Probléme Chinois), editado em 1968 pela Zahar Editores, do filósofo francês Roger Garaudy, à época membro do Bureau Político do Partido Comunista Frances e Diretor do Centro de Estudos e Investigações Marxistas. Garaudy foi expulso do PCF em 1970 por ter criticado a invasão da Checoslovakia pelas União Soviética.

A forma tomada pela construção do socialismo na China impõe não só aos comunistas, mas a cada homem, uma interrogação imensa: a China será o nosso destino?

O livro de Garaudy foi uma análise crítica do momento sobre o que se denominava “ a cisão chinesa” no mundo comunista internacional. “Cisão” essa que o tempo se encarregou de desmistificar e demonstra que o timoneiro Mao Tse Tung estava correto quando à luz da interpretação do marxismo, da situação e do momento concreto, promoveu transformações de acordo com a realidade sócio, político e cultural do povo chinês.

A convicção de Marx e Engels de que o marxismo não é um dogma, mas um método para a ação, e assim em Lênin algo muito forte; trata-se de uma ideia frequentemente repetida, sobretudo nos momentos de virada histórica e quando surge novas situações políticas. O marxismo é o método que permite compreender o processo histórico em sua determinação concreta.

Foi dentro desse princípio que Mao Tse Tung deu inicio ao processo de construção do socialismo na China. Mao Tse Tung foi responsável por adaptar o marxismo-leninismo às peculiaridades históricas chinesas; às tradições do povo chinês.

Há que se ressaltar, na continuidade do processo de transformação e ascensão da China, a atuação do líder Deng Xiaoping, que encampou os apelos de Mao de um socialismo com características chinesas. Em 1979, Deng abriu a economia do país, então quase completamente estatizada. Os chineses puderam montar negócios. Dez anos depois, em 1989, os movimentos de protesto mostraram a Deng que o processo de abertura não podia ser abortado, sim acelerado. Foi quando Deng fez uma histórica viagem pelo país para pregar aos chineses que pensassem diferente, que ousassem, que buscassem ideias novas.

Deng procurou atingir a população jovem, os jovens disposto a experimentar. Base sólida para isso já havia. Uma das grandes tradições chinesas, o confucionismo – a doutrina de Confúcio, filósofo de 2500 anos atrás, baseada na educação para os moços, lealdade para os amigos e cuidados com os velhos – é um traço chinês que confere ao país uma grande vantagem competitiva sobre o resto do mundo.

E então a China começou a decolar. As grandes economias do Ocidente até aqui não se recuperaram , andaram para trás, enquanto a China corria para frente.
No mundo, um em cada sete homens (M/F) é chinês. Dois terços das populações que vivem sob regime socialista estão na China. Neste inicio do século XXI ninguém pode ignorar o crescimento e o progressivo desenvolvimento da China.

A China está despertando o interesse em muita gente, quer capitalista, quer comunistas. O crescimento, com desenvolvimento, da China provocou – e provoca- arrepios pelo mundo, em todos os cantos, bem como elogios de economistas em todo o mundo; dizem os críticos arrepiados:

1- O que vamos fazer para enfrentar a China?
2- Como administrar a decadência dos EUA?
O modelo de desenvolvimento, baseado em propostas e programas pragmáticos, tem suscitado desconfianças e ranços no meio de segmentos comunistas. A critica à esquerda,de comunistas confusos, dogmáticos, é de que a China está retornando ao capitalismo.

São constantes a falas, os discursos e críticas de que a China pratica um desvio capitalista. Nada mais falso! Não se pode confundir o ”socialismo de mercado” com as relações mercantis no capitalismo. Na China de hoje estamos diante de duas situações, que caminham num mesmo sentido: uma a cidade cujas transformações caminham mais rápidas e, outra, no campo, um pouco mais lentas; a distância entre as duas situações aumenta progressivamente, mas não nos esqueçamos que ambas vão na mesma direção.

No âmbito do capitalismo esse cenário é diferente, há uma supremacia do urbano sobre o rural, bem como um processo de exploração do trabalho e do homem do campo.
Domenico Losurdo, um dos maiores analistas marxistas da atualidade, no seu longo prefácio ao livro de Elias Jabbour, China Hoje-Projeto Nacional, Desenvolvimento e Socialismo de Mercado (17/11/11), fala “da paixão autocrítica que parece caracterizar os comunistas chineses”. Os chineses tem trabalhado com perseverança, insistindo “ no caráter intolerável, em especial, ao fosso crescente entre a cidade e campo, entre as zonas litorais, por um lado, e o centro e o oeste do país, por outro”. Losurdo indaga: “ esses fenômenos não são a demonstração do desvio capitalista da China”. Essa é uma tese que está amplamente difundida na esquerda ocidental equivocada.

A China montou um plano tático-estratégico para desenvolver suas potencialidades e eliminar alguns bolsões de pobreza que não estão sendo assimilados e compreendidos por alguns comunistas e, principalmente, por analistas críticos e partidos de esquerda do ocidente. Enquanto os críticos se divertem e tergiversam sobre o modelo socialista de mercado, a China centrou suas metas nas chamadas Zonas Econômicas Especiais (ZEEs).

As ZEEs, desenvolvidas no país a partir dos anos 1980, são um marco histórico, em termos de escala e investimentos, sendo uma importante força motriz do crescimento chinês nas últimas três décadas.

E acompanhando este processo, um curioso fenômeno ganhou força desde o final dos anos 1990: a criação de ZEEs chinesas fora da China, em países em desenvolvimento, principalmente na África e no Sudeste Asiático. Apesar das críticas, os benefícios da experiência chinesa são notórios. As ZEEs garantiram altos fluxos de investimentos externos diretos, geraram milhões de empregos e promoveram a transferência de tecnologia e a formação de recursos humanos, a partir de contratos de joint ventures.
É necessário frisar que a base de formação e consolidação das ZEE está assentada nos seguintes pontos:
– Abertura do mercado ao capital estrangeiro, mas também com forte participação Estatal;
– Abertura das áreas portuárias e urbanas;
– Produção industrial diversificada e voltada especialmente para as exportações;
– Foram apoiadas por um conjunto de infraestrutura que permitissem a entrada do capital financeiro;
– Existência de mão de obra abundante a custos compatíveis;
– Isenção de impostos;
– Os salários das empresas que ali se instalam devem ser mais altos do que os pagos no restante da China, bem como priorizar o preenchimento dos cargos com a mão de obra local.
Um dos principais fatores que permitiram a arrancada da produção industrial na China foi a criação das chamadas Zonas Econômicas Especiais (ZEEs), assim como a abertura de importantes cidades portuárias abertas ao capital externo constituem zonas de livre comércio, estabelecidas por meio de uma legislação mais flexível, com a redução ou até mesmo a isenção de impostos. Essas medidas visam atrair investimentos estrangeiros e absorver as inovações tecnológicas desenvolvidas nos países mais avançados. Enfim, os chineses estão “ chupando” os avanços tecnológicos das empresas dos países capitalistas que estão se instalando na China. Isso é bom ou ruim para o país? Com a palavra os “socialistas e comunistas” equivocados!

Neste sentido, desde o final dos anos de 1990, a China deixou apenas de ser uma grande receptora de investimos externos diretos e suas empresas passaram a empreender no estrangeiro. Com o suporte financeiro e político-diplomático do governo chinês, principalmente por meio do Ministério do Comércio, inúmeras ZEEs têm sido criadas em países pobres e em desenvolvimento – África Subsaariana, África do Norte, Ásia Oriental, entre outras- os quais veem no investimento chinês uma possibilidade de empregos e industrialização.

Os objetivos do governo chinês ao incentivar este processo podem ser descritos da seguinte forma ( World Bank, 2011, p.28):
1) Elevar a demanda por maquinários e equipamentos produzidos na China;
2) Evitar barreiras tarifárias impostas à China por parte dos EUA e União europeia,uma vez que a produção é feita em um terceiro país;
3) Promover saltos qualitativos da economia chinesa na cadeia produtiva ao transferir atividades de menor valor agregado para o exterior;
4) Criar economias de escala para incentivar empresas menores a investir no exterior;
5) Transferir o modelo de sucesso chinês para outros países – visando não apenas o desenvolvimento do país receptor, mas também o estreitamento de laços com nações que não façam parte do Ocidente industrializado, o Sul Global.

Diante deste perfil dos países receptores (nações pobres e em desenvolvimento, majoritariamente na África e no Sudeste Asiático), é possível afirmar que a “exportação do modelo de exportações” chinês difere dos métodos ocidentais de relacionamento com esses países e se encaixa nos objetivos de longo prazo do próprio governo da China.

O que há de mal nesse modelo mercadológico de exportação e importação? Fere princípios do socialismo? Não!

A abordagem chinesa, dentro da filosofia do “ socialismo de mercado”, difere da ocidental porque assim como a maioria dos Estados africanos e asiáticos, o país tem um passado comum de humilhação e revolta contra o imperialismo europeu, apresentando um discurso terceiro-mundista e desenvolvimentista; adota política do offend-no-one, ou seja, não condiciona a execução dos projetos a questões políticas e de direitos humanos ( como uma possível “cláusula democrática”); não vincula a execução dos projetos a condições econômico-financeiras ( como o FMI); não impõe condições para a venda de armas a Estados Pária; e utiliza de uma diplomacia ativa de aproximação bilateral e multilateral, como o Forum para Cooperação entre a China e a África (FOCAC) e o “ASEAN + 1” ( Fonte: LECHINI, Gladys. A China na África: discurso sedutor, intenções duvidosas. Nueva Sociedade Especial em português, 2013).

Agora a China já está na América Latina, investindo no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia, Cuba, Equador, Peru e Venezuela. Enquanto isso os nossos parlamentares golpistas botocudos, sem quaisquer ofensas aos nossos índios que são mais inteligentes, ficam criticando nossa aproximação com os países latinoamericanos.

Em recente visita ao Brasil, o primeiro ministro chinês Li Kepiang, manifestou a intenção de investir 53 bilhões de dólares, de forma maciça em infraestrutura: ferrovias, portos, aeroportos, rodovias e hidrelétricas. O anúncio de investimentos no Brasil segue na esteira de concretização do plano da China de elevar os investimentos na América Latina para 250 bilhões de dólares na próxima década.

Quem disseca com muita propriedade o significado de socialismo de mercado é o professor e sociólogo cubano Fidel Vascós Gonzáles no seu livro Socialismo y Mercado. Segundo Gonzáles, as relações mercantis no socialismo existem sobre uma base nova e com um novo conteúdo o qual as diferencia, substancialmente, das relações mercantis do capitalismo. Gonzáles diz que as diferenças principais são:

– As relações mercantis do socialismo se baseiam na propriedade social sobre os meios de produção, as do capitalismo, na propriedade privada sobre os meios;
– As relações mercantis do socialismo existem com a ausência de exploração do homem pelo homem; as do capitalismo pressupõem a existência desta exploração mediante o trabalho assalariado;
– As relações mercantis do socialismo são utilizadas conscientemente pelo Estado Socialista no sistema de planejamento centralizado da economia, as do capitalismo, como tendência, acontecem espontaneamente em meio a anarquia da produção, da distribuição, na troca e no consumo;
– No socialismo, o valor de uso da mercadoria adquire um significado de primeira ordem; no capitalismo, o incremento do valor é o único objetivo da produção, independentemente do seu valor de uso;
– No socialismo, o caráter mercantil da força de trabalho, a terrra, as edificações destinadas à produção é muito restrita e o objetivo principal do dinheiro já não é converter-se em capital; no capitalismo, tudo é mercadoria, inclusive a força de trabalho, e nas mãos do capitalista, o objetivo do dinheiro é converte-se em capital;
– As relações mercantis do socialismo tem lugar segundo as leis econômicas deste regime social, com a finalidade de satisfazer as crescentes necessidades materiais e espirituais do povo, sem crises cíclicas da economia gerda por causas internas, sem antagonismos sociais, sem conduzir à ruína algumas empresas e ao enriquecimento de outras; as relações mercantis do capitalismo se regem, na sua essência, pela lei da mais valia e tem lugar através das crises cíclicas de produção, agudos conflitos sociais e num processo que engendra a ruína de muitas empresas e o enriquecimento desmedido de umas poucas.

São essas as relações que desmentem e desmistificam os equívocos de que o socialismo de mercado é o retorno ao capitalismo. O marxismo-leninismo não é dogmatismo, não é uma bíblia que norteia cegamente os rumos das pessoas que nele acreditam.

Finalmente, admitindo que a discussão sobre o socialismo de mecado é uma questão polêmica e exige profundas reflexões, discordamos de setores comunistas e outros críticos que alimentam preconceitos infundados e equivocados sobre o tema. Concluindo perguntamos: quem controla a economia é a iniciativa privada ou o Partido Comunista Chinês? Como o socialismo de mercado pode ser um retorno ao capitalismo se o controle da economia é do Estado comunista?
– Essa é a China do socialismo de mercado, cujo controle da economia pertence ao Estado, a direção do Partido Comunista Chinês e onde a propriedade do solo é estatal. Isso é capitalismo? Só na cabeça de pensador com miolo mole!

 

*É engenheiro agronômo, especialista em planejamento e desenvolvimento regional. Militante do PCML/Paraná. Texto publicado originalmente no Jornal INVERTA nº 481

**Imagem de responsabilidade do editor do blog

Os apetites velozes e vorazes dos chineses no Brasil e na América Latina

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Diferentemente da onda privatista do anos 90, nos governos Collor e FHC, no governo golpista de Temer surgiu a presença emergente do imperialismo chinês, que agora volta o seu radar para a América Latina em fase de “subasta”, incluindo o Brasil, como se viu agora nas primeiras rodadas de vendas de quatro usinas da Cemig – a estatal mineira de energia elétrica. No momento, os alvos preferenciais dos chineses no Brasil são os ativos e recursos das áreas de energia e mineração.

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O século XXI é mesmo uma etapa histórica de paradoxos e contradições, que estão “bagunçando” os esquemas mentais e as ideias de mundo pré-concebidas e fossilizadas, portanto, anti-dialéticas. Hoje muitos, nestes tempos conflituosos e cheios de armadilhas da História, se aferram a fé política-ideológica, descuidando-se da “árvore verde” da vida, tentando se agarrar numa pretensa zona de conforto assegurada por uma opção fatalista pelo “cinza-escuro” das teorias forjadas noutros “tempos e condições” históricas e políticas.

A grande nação asiática se afirma hoje no mundo, de forma cristalina, como um polo crescentemente dominante, que amplia todos os seus interesses e apetites no mundo, levando na bagagem o ímpeto de vorazes e velozes CEOs chineses formados em Havard, o trato confuciano da paciência para atingir os seus fins e, quando necessário em alguns casos, o apelo formal e desnaturado da “mística maoísta”.

Uma das principais características do imperialismo, é a exportação de capitais e o controle da economia de outras nações via a aquisição de ativos e riquezas naturais. Hoje, a China atua, já algum tempo, de forma agressiva na África, na própria Asia, no Oriente Médio – controlando setores inteiros da economia desses países. Agora, mira o seu radar poderoso para a América Latina em fase de “subasta”.

No Brasil, os alvos preferenciais são os setores energético e mineral. As bacias de petróleo, por enquanto, não são seus alvos principais; aí parece que os norte-americanos e outros estão mais interessados. Na venezuela, em crise, fecharam um acordo vantajoso no chamado “Arco do Orinoco”, uma extensa região rica em minérios e metais precisosos, além de forte presença na economia do país. E assim por diversos países.

Alguém pode dizer, mas a China não é “comunista”? Eu te afirmo que isto é como aquele adágio sobre o “enterro de anão” ou “dois irmãos negros gemêos”: Ou seja, ninguém vê, ninguém enxerga onde existe o tal socialismo. O estado chinês, que se auto proclamou, um “socialismo de mercado”, deixou há muito tempo qualquer traço de socialismo, o que prevalece, o setor dinâmico e rentável do país, é o mercado – um outro nome do capitalismo. São as grandes e megas corporações de tipo capitalista, com um determinado nível de planejamento estatal, que dirigem a economia do país.

No interior e no exterior, as relações travadas pelo estado chinês com os outros estados são de natureza puramente capitalistas. Que na geopolítica internacional, o Brasil faça alianças com a China é correto (Briscs e etc), até como forma de explorar as contradições entre as grandes potências mundiais, mas isto não significa ter claro os objetivos imperalistas do estado chinês e de suas grandes corporações transnacionais.

Além disso, alguns traços autoritários, como toda e qualquer nação imperialista, estão presentes na defesa dos seus interesses. Por exemplo: na África, em alguns países, uma das condições para a instalação de empresas chinesas, é a ausência da organização sindical e a proibição de greves. E dentro do país, o tratamento do Estado chinês aos seus trabalhadores é despóstico, sem liberdade sindical e direito de greve. A central sindical permitida, é a central vinculada ao partido único mal denominado, na atualidade, de “comunista”, aliás, com um comitê central composto na sua imensa maioria de bilionários capitalistas, executivos (CEOs), burocratas enriquecidos e empresários-militares.

Um dado alarmante, no que toca a natureza do regime, é o alto índice de suicídio de trabalhadores no país, segundo os relatórios anuais da OIT,  o que demonstra também o quanto os trabalhadores estão divorciados dos objetivos finais desse estado, que surgiu inicialmente de uma revolução popular e camponesa como um projeto para emancipar socialmente o povo chinês.

Na dúvida, esperem como serão tratados os consumidores e os trabalhadores dessas empresas, agora de propriedade dos imperialistas chineses.

Caso Aécio Neves: PT em defesa da Constituição e do Estado de Direito

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Em nota divulgada na tarde desta quarta-feira (27), a executiva nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) critica a decisão de uma turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que afastou o senador tucano do mandato. O documento assinala ainda, que a decisão viola a “autonomia do Senado Federal”. “Não temos nenhuma razão para defender Aécio Neves, mas temos todos os motivos para defender a democracia e a Constituição”, afirma um trecho do documento. Confira.

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NOTA DA EXECUTIVA NACIONAL DO PT SOBRE O CASO AÉCIO NEVES

Aécio Neves é um dos maiores responsáveis pela crise política e econômica do país e pela desestabilização da democracia brasileira.

Derrotado nas urnas, insurgiu-se contra a soberania popular e liderou o PSDB e as forças mais reacionárias da política e da mídia numa campanha de ódio e mentiras, que levou ao golpe do impeachment e à instalação de uma quadrilha no governo.

Para consumar seus objetivos políticos, rasgaram a Constituição e estimularam a ação político-partidária ilegal de setores do Judiciário e do Ministério Público.

Aplaudiram todas as arbitrariedades cometidas contra lideranças do PT e dos setores populares, as violações ao devido processo legal e ao estado de direito democrático.

Compactuaram com o processo de judicialização da política, que visou essencialmente a fragilizar os poderes eleitos pelo povo.

As repetidas violações ao direito criaram um monstro institucional que tem como cérebro a mídia, comandada pela Rede Globo, e tem como braços os setores do MP e do Judiciário que muitas vezes acusam, punem ou perdoam por critérios políticos.

Aécio Neves defronta-se hoje com o monstro que ajudou a criar.

Não tem autoridade moral para colocar-se na posição de vítima.

Vítimas são as brasileiras e brasileiros que sofrem com o desemprego, a recessão, o fim dos programas sociais e a volta fome ao país, sob o governo de que Aécio Neves é fundador e cúmplice.

Por seu comportamento hipócrita, por seu falso moralismo, Aécio Neves merece e recebe o desprezo do povo brasileiro.

Ele terá de responder um dia, perante a Justiça, pelos gravíssimos indícios de corrupção que o cercam. Terá de ser julgado com base em provas, dentro do devido processo penal.

Mas a resposta da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal a este anseio de Justiça foi uma condenação esdrúxula, sem previsão constitucional, que não pode ser aceita por um poder soberano como é o Senado Federal.

Não existe a figura do afastamento do mandato por determinação judicial. A decisão de ontem é mais um sintoma da hipertrofia do Judiciário, que vem se estabelecendo como um poder acima dos demais e, em alguns casos, até mesmo acima da Constituição.

O Senado Federal precisa repelir essa violação de sua autonomia, sob pena de fragilizar ainda mais as instituições oriundas do voto popular.

E precisa também levar Aécio Neves ao Conselho de Ética, por ter desonrado o mandato e a instituição.

Não temos nenhuma razão para defender Aécio Neves, mas temos todos os motivos para defender a democracia e a Constituição.

Acesse a nota: http://bit.ly/2frcpLv

‘Gazeta do Povo’ agoniza em praça pública

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A “Gazeta do Povo” agoniza: com uma edição em papel de vez “enquandaria” e um blog sectário, embalado por visões políticas conservadoras. Na imagem, operários retiram os letreiros da antiga redação do jornal, na Praça Carlos Gomes, centro da capital.

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Eleições na Alemanha: Nazistas de volta ao Bundestag

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Depois de 1945, Nazistas de volta ao parlamento federal(Bundestag). Últimos números da eleição: CDU/CSU 32,9% ,  SPD 20,8% ,  AfD 13,1% , FDP 10,5% ,  Die Linke 8,9% ,  Grüne 8,9% ,  Outros partidos 4,9% . Fonte: Parlamento Alemão.

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A coalização de Angela Merkel (CDU/CSU), tudo indica, segundo as pesquisas de boca de urna, vence o processo eleitoral com mais de 30%; logo a seguir o velho partido SPD (Social Democrata) com 20%.

Mais o dado novo do processo: foi o crescimento eleitoral dos fascistas da AfD (Alternativa para Alemanha), com 13,1%, partido de extrema-direita, xenófobo e racista, que fez uma campanha baseada no ódio aos estrangeiros, aos mulçulmanos em particular; além de pregar o “resgate do orgulho” dos valores dos soldados alemães na segunda guerra mundial – e contra a União Europeia.

Será a primeira vez, depois da 2ª guerra mundial, que políticos nazistas voltarão para o parlamento federal (a chamada Câmara Baixa).

Caso se confirme, os números das pesquisas, os fascistas da Alternativa para Alemanha (AfD) serão a terceira força política do país, com quase 90 deputados e com direito a todas as prerrogativas parlamentares para pregarem o ódio e uma política de exclusão.

Diferente do Front Nationale(FN) de Marine Le Pen, partido de direita que conquistou certo prestígio eleitoral entre os trabalhadores franceses, o partido extremista alemão é solidamente apoiado por uma classe média abastada e remediada do país.

Nas eleições regionais de 2015, a “Alternativa para Alemanha” já tinha conquistado cadeiras em quase todos parlamentos regionais da Alemanha.

Sinal de tempos duros, neste final da segunda quadra do século XXI.

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