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Em tempos de crise, ostentar luxo e riqueza é uma afronta!

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O casamento-ostentação da deputada Maria Victória (PP), herdeira de uma clã política oriunda de Maringá (norte do estado), filha do ministro da Saúde, Ricardo Barros(PP) e de Cida Borghetti, vice-governadora, foi notícia nacional e viralizou negativamente nas redes sociais. Espetáculo de luxo e ostentação chocou a população curitibana às voltas com desemprego massivo, colapso nos serviços de saúde, transporte e segurança. Além da notória sensação de gastança e deboche com a situação de aperto financeiro e material de vasta maioria da população.

Protesto popular no casamento-ostentação da deputada Maria Victória

O cineasta Luis Buñel, no clássico do cinema mundial ‘O discreto charme da burguesia’, de 1972, desvendou, em certa medida, o enfado blasé e intimista de um setor da burguesia, o que revelava até um certo e discreto charme.

Porém, na atualidade, o que temos é uma burguesia, composta de novos e esnobes ricos, gente que um dia ascendeu praticando todo tipo de alpinismo social. Um vale tudo sem princípios e sem escrúpulos. Ou seja, a burguesia perdeu todo charme e a etiqueta (pequena ética) que um dia cultivou como uma das poucas virtudes.

O casório de ontem tinha tudo para terminar em confusão: a começar pelo local escolhido, a Sociedade Garibaldi, de remota tradição anarquista, localizada na região do Largo da Ordem, centro histórico de Curitiba. Patrimônio tombado e um prédio com mais de cem anos, que requer certas normas de funcionamento e uso. A intervenção feita para abrigar uma festa com mil pessoas já gerou protestos durante a semana na área cultural e de preservação da memória.

Numa semana de acontecimentos políticos dramáticos com o fim da legislação protetiva do trabalho, as manobras vergonhosas de Temer para manter um governo de ficção e a condenação do ex-presidente Lula -, o clima estava fervendo.

O clã político dos Barros, uma poderosa oligarquia regional, que ocupa espaços nas três esferas de poder do país, tem procurado consolidar uma atuação na capital, premissa política indispensável para alçar voos maiores no establishment. No entanto, tem encontrado dificuldades para legitimar um protagonismo positivo na imagem do clã. Maria Victória ficou conhecida como “Maria camburão” no triste episódio do massacre dos professores no Centro Cívico em 2015; Ricardo Barros, é o ministro do governo golpista que está desmontando o SUS; Cida Borghetti é vice-governadora do impopular Beto Richa(PSDB).

O legítimo protesto ocorrido durante o casamento-ostentação teve uma imensa repercussão e representou a indignação do “andar de baixo”, chamado para pagar a conta da crise e do ajuste regressivo com desemprego, redução de direitos e a fome.

Que o episódio sirva de lição para os ricos e poderosos: em tempos de crise, é uma afronta ostentar luxo e riqueza.

Maria Victória deu ruim.

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