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PT, 37 anos: Unidade pela reconstrução do partido

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O PT completa 37 anos de existência, foi a maior agremiação política construída pela classe trabalhadora brasileira, um marco na história das lutas do povo trabalhador por um país mais democrático e justo. Neste momento, o PT debate o seu futuro, hora de todos os militantes, correntes e agrupamentos da legenda realizarem um profundo exame da trajetória política do partido.

 

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O PT enfrenta a fase mais difícil de sua existência. Uma poderosa coalizão de forças reacionárias promoveu um golpe de estado de novo tipo, através do impeachment da presidente Dilma Rousseff, e opera um processo de proscrição política do PT e do ex-presidente Lula. Uma operação de cerco e aniquilamento levada a cabo pelo governo golpista, os partidos da direita, o aparato jurídico-policial e a mídia corporativa, cujo objetivo é cada dia mais claro: impor as políticas exigidas pelo mercado financeiro, de ataques aos direitos dos trabalhadores e à soberania nacional.
O golpe, porém, foi muito facilitado pela política implementada pela direção do PT. Em nome da “governabilidade”, o partido manteve as alianças com inimigos da classe trabalhadora, mesmo quando esses inimigos caminhavam rapidamente para o golpe. O governo Dilma assumiu o ajuste fiscal de Levy e Barbosa, se aproximando do programa tucano. Por fim, adaptando-se às instituições carcomidas, nos 13 anos no qual governou o Brasil, e mesmo quando Lula teve alta popularidade, o PT deixou de fazer as reformas necessárias: política, tributária, agrária, urbana e dos meios de comunicação. 

O PT tem enormes desafios para animar a militância e recuperar a sua mística política. Aquele partido de militância, que organizava núcleos de base nos locais de moradia e trabalho, que nasceu “da decisão dos explorados de lutar contra um sistema econômico e político que não pode absorver os seus problemas, pois só existe para beneficiar uma minoria de privilegiados” (Manifesto de Fundação), perdeu, ao longo de um processo de adaptação e de acomodação institucional, seus profundos vínculos com a classe trabalhadora, com as massas pobres das periferias das cidades e do campo, com a intelectualidade, a classe média progressista e a juventude, forças que sustentavam o nosso projeto político e eleitoral.

Ao promover alianças com partidos da direita e se adaptar às estruturas eleitorais e institucionais baseadas nos financiamentos empresariais milionários de campanhas, aos olhos do povo, o PT foi se confundindo com os demais partidos que sempre criticou. Com o aprofundamento dos efeitos no Brasil da crise capitalista, com desinvestimento privado, desemprego e aumento do déficit público, o governo Dilma foi incapaz de sustentar um programa de enfrentamento ao falso consenso imposto pelo mercado, contrariando o conteúdo de campanha eleitoral da sua reeleição e aceitando o discurso da necessidade do ajuste fiscal.
Apesar da resistência ao golpe e ao governo ilegítimo de Temer, o PT e a esquerda não conseguiram reconquistar o apoio, a confiança e a identidade da classe trabalhadora, dos pobres e dos setores médios, inconformados com o ajuste fiscal implementado pelo governo Dilma/Levy e já impacientes com o adiamento por 13 anos das profundas mudanças sociais aspiradas. Tudo isso combinado com as ações da Operação Lava Jato, que atingiram fortemente a imagem do PT, levando para a cadeia parte da direção histórica do partido. Tal como quando da AP-470, o PT não foi capaz de denunciar o caráter da operação, voltada unicamente para estrangular o partido, as organizações dos trabalhadores e, assim, facilitar o golpe.
Resgatar os vínculos com essas classes e camadas do povo exige um novo reposicionamento político, a renovação de métodos e práticas e, sobretudo, um novo compromisso político, baseado na necessidade de um instrumento político que impulsione um projeto de sociedade inclusiva e transformadora. Enfim, um sujeito político da classe trabalhadora e do povo brasileiro para realizar as reformas estruturais necessárias e indispensáveis para a reconstrução do país em bases verdadeiramente democráticas. O que só pode ser feito por uma Assembleia Nacional Constituinte democrática e soberana, que dê a palavra ao povo e faça as reformas profundas exigidas pelo país.
Uma nova direção política do partido, em todas suas instâncias internas, terá o imenso desafio político de retomar o diálogo com esses setores populares e enfrentar o programa ultraliberal, antinacional e antipopular aplicado pelo governo golpista, para voltar a se tornar a esperança do povo brasileiro. Terá, portanto, que apontar, sem rodeios, para uma via de enfrentamento e resistência ao ajuste fiscal, às privatizações e aos ataques aos direitos trabalhistas e previdenciários em curso, voltando suas forças para a organização de base, dos sindicatos, dos coletivos, dos movimentos sociais e populares.
Ao mesmo tempo, revigorar a vida interna, valorizando a militância, ampliando a participação dos filiados nos mecanismos decisórios, via consultas diretas por meios digitais, de encontros deliberativos abertos e de retomada da nucleação de base dos petistas. Propomos que o Congresso do PT discuta o fim do PED como uma medida essencial para essa retomada, acabando com esse mecanismo que divide o partido, é “de cima para baixo” e impede o livre debate para fortalecermos nossa organização partidária.
Nestes 37 anos, o balanço da trajetória do partido exige também a unidade e o compromisso de todos pela reconstrução do PT.
Vida longa ao PT e sua combativa militância!
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