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Política econômica do governo golpista aproxima risco de convulsão social

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Durante o naufrágio do navio Titanic, em 1912, os camarotes de luxo ainda estavam alheios ao desastre que se avizinhava com o transatlântico, continuavam tomando champagne e curtiam ao fundo os acordes da orquestra. Instantes depois, um dilúvio tragou a todos para as profundezas do oceano. A imagem é adequada para o país nos dias de hoje, com um governo ilegítimo, a serviço de uma minoritária elite social rentista, operando uma agenda econômica desastrosa, que nos lançará para uma inevitável convulsão social.

Imagem relacionadaOnda de saques em supermercados abala São Paulo em 1983

 

 O país completa neste mês dois anos de recessão econômica e uma queda de quase 10% do nível da renda per capita,  atingindo em cheio as camadas mais pobres da população, acossadas pelo desemprego,  que crava a marca de 22 milhões de brasileiros em idade produtiva desempregados, sub-empregados ou no intermitente ‘bico’, segundo dados do segundo trimestre da pesquisa PNAD Contínua, divulgada pelo IBGE.

A pesquisa também aponta para a crescente inadimplência das famílias com dívidas básicas como o pagamento de luz e água, a redução do consumo de carne bovina e de produtos derivados do leite. Um drama social que cresce com o aumento dos despejos por falta de pagamento de aluguéis, ampliando a legião de moradores de ruas e de logradouros públicos das capitais e grandes cidades de norte a sul do país.

A crise atinge até o funcionalismo público, em tese com salários e estabilidades garantidos, milhares deles nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas Gerais padecem com atrasos de pagamentos de salário, benefícios e pensões ou de políticas de arrocho e calotes salariais, como no  Paraná. Ou seja, um contingente a mais da população que engrossa o caldo dos atingidos pelo descalabro da crise em curso.

Enquanto isso, o governo golpista continua insistindo no receituário neoliberal de uma política recessiva, com cortes brutais nos investimentos e programas sociais, de estrangulamento fiscal e monetário, praticando juros siderais (taxa Selic) para o financiamento criminoso de uma dívida pública, que drena os recursos do país para o bolso de meia dúzia de banqueiros e rentistas.

Além disso, a PEC 55, que congela os gastos em saúde e educação por vinte anos, e a reforma da Previdência significam um ataque frontal aos direitos dos trabalhadores e da população mais pobre, quebrando o contrato social estabelecido pela Constituição Federal de 1988, o que levou o relator da ONU para a extrema pobreza e direitos humanos, Philip Alson, declarar como medidas de regressão social a aprovação dos projetos da PEC 55 e da Previdência defendidas pelo governo golpista de Temer.

Quem ganha com a crise

Não é verdade o discurso de que todos perdem com a crise. A recessão econômica promovida por Temer-Meirelles está fazendo a festa dos banqueiros e especuladores, transferindo renda dos trabalhadores e da classe média para uma maior acumulação e concentração do capital.

O economista Karl Marx previa as crises cíclicas do capitalismo como um mecanismo próprio do sistema. Ele previa a crise de natureza estrutural, que tenderia a ser cumulativa, e as chamadas crises de superprodução, que seriam cíclicas. Outros economistas também formularam teorias sobre as crises e os ciclos econômicos de expansão, depressão e recessão. Porém, para além da teoria, as opções de como enfrentar as crises e os custos delas são de natureza política. É na esfera da política que cabe a decisão de quem vai pagar pela crise: e o governo golpista já decidiu jogar no lombo dos trabalhadores e das massas de pobres o pagamento dos custos da atual crise econômica. Resta saber, se os “de baixo” aguentarão de forma passiva o esbulho, só o tempo dirá.

Diversos analistas e políticos calejados, como o senador paranaense Roberto Requião, apontam para o risco de uma convulsão social em 2017. Até porque o cenário não aponta nenhuma perspectiva de melhoria a curto prazo, uma estimativa feita pelo Banco de Credit Suisse zera o PIB do próximo ano, confirmando a déblâcle financeira e material da nação.

Portanto,  tirar do Planalto o governo golpista, convocando imediatamente eleições diretas, é a melhor e mais segura rota para impedir o naufrágio do país com uma convulsão social protagonizada pelo desespero, ressentimento e a miséria. Ou “os de cima” querem pagar para ver…

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Uma resposta »

  1. Muito bom seu texto, Milton! Desgraçadamente, essa é também a minha leitura! Oremos!

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