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Arquivo do mês: dezembro 2016

Legado de Fruet foi retorno de Greca

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Gustavo Fruet, que termina seu mandato na prefeitura neste sábado(31), foi “gongado” pela população curitibana ainda no primeiro turno das eleições municipais. “Que balanço e qual o legado de Fruet? Uma pergunta difícil e fácil de responder ao mesmo tempo”, pergunta o articulista para logo em seguida responder. Confira.

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Do Blog do Esmael*

Desprovido do carisma acolhedor do seu pai, o saudoso Maurício Fruet (prefeito entre 1983/85), e de sua verve democrática informal, o prefeito Gustavo Fruet não reuniu outros atributos para realizar uma gestão exitosa na condução da prefeitura de Curitiba.

Fruet, eleito em 2012, apresentava uma perspectiva mudancista, depois de uma campanha em aliança com o Partido dos Trabalhadores(PT), que bateu o grupo político que dominava a administração municipal por mais de duas décadas.

As promessas de campanha indicavam um novo rumo: abertura da caixa-preta da Urbs e do ICI, um novo pacto para a gestão do transporte público na cidade, prioridade para os investimentos sociais e uma governança democrática, com mais diálogo e maior participação dos movimentos sociais e sindicatos nas definições das políticas públicas.

As escolhas de Fruet foram demolindo uma a uma das promessas de mudanças e ampliando de forma crescente as faixas de desgaste político. Porém, as dificuldades da gestão na área do transporte público e da saúde impactaram de forma contundente na população, provocando uma corrosão do apoio popular ao prefeito já no meio do seu mandato.

Além disso, a administração teve uma grande dificuldade em lidar com as reivindicações do funcionalismo, vide os casos dos trabalhadores da Urbs e do magistério municipal. Também cultivou um front de desgaste na área da cultura, segmento que carrega forte simbolismo na cidade.

A gestão, sem uma marca forte de conteúdo social ou de realizações (obras), foi deslizando para a mesmice, tropeçando no cotidiano de uma máquina burocratizada e dominada por interesses de segmentos poderosos da cidade.

No entanto, seria injusto taxar a administração de Fruet de desastrosa, foi, sim, uma gestão pífia, sem uma marca forte de caráter social ou de um viés de democracia participativa. Saiu de cena como resultado de suas opções políticas e de escolhas que frustraram os anseios da maioria da população de Curitiba.

As poucas e dispersas iniciativas como, por exemplo, o incentivo ao uso da bicicleta, a criação de algumas ciclofaixas e as ações tópicas da FAS – Fundação de Assistência Social – não se constituíram em programas amplos ou em elementos de narrativa consistente para a disputa eleitoral. A comunicação ‘capivariana’ se revelou fragmentária e deslizou na direção da escatologia em várias situações.

Portanto, não é um exagero afirmar que o maior legado de Fruet foi pavimentar o retorno do populista Rafael Greca (PMN), eleito prefeito com a minoria de votos dos curitibanos.

Greca, que foi prefeito ente 1993-1996, atravessou longo ostracismo.

*Artigo publicado originalmente no blog do http://www.esmaelmorais.com.br  edição de 29/12/2016

Conjuntura – Boulos e o MTST pensam numa nova esquerda

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Para eles, um ciclo esgotou-se; está na hora de outro projeto estratégico. Mas é preciso paciência histórica: algo como um Podemos brasileiro não pode surgir a frio.

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Via Site Outras Palavras – Entrevista a Antonio Martins e Inês Castilho | Edição de vídeo: Gabriela Leite


O vídeo completo da entrevista com Boulos está aqui

Cada um vê os outros a partir de sua própria métrica. Os jornais, acostumados à velha política, especulam que Guilherme Boulos não sai dos gabinetes. Articularia uma aliança entre dissidentes do PT e uma ala do PSOL, disse uma nota. Seria candidato à Presidência, garantiu outra. Principal referência do MTST – um movimento social que avança tanto pela rara capacidade de mobilização dos excluídos quanto pela busca ativa de alternativas à crise do país – caberia a Boulos, segundo esta lógica, ocupar o espaço que lhe cabe no mercado das opções eleitorais.

O Guilherme Boulos da vida real é um sujeito mais complexo. Em meados de novembro, ele visitou a redação de Outras Palavras para uma nova entrevista – a segunda, em doze meses. Do diálogo, que encerra nossa produção editorial em 2016, emergem algumas conclusões centrais.

1. A retomada implicará invenção política. Nada ocupa nem pode ocupar, ainda, o papel que o PT desempenhou no ciclo que se fecha. Guilherme admira, por exemplo, a bravura de muitos parlamentares do PSOL; a desobediência transformadora dos secundaristas; o ressurgimento do feminismo; a radicalidade das ocupações de terra urbana promovidas pelo próprio MTST. Mas ele reconhece também que estes movimentos e organizações são incapazes de impulsionar um novo projeto de país, um novo período de enfrentamentos contra o poder conservador ou uma nova cultura política.

2. O coordenador do MTST está convencido de que um ciclo na história da esquerda brasileira precisa ser fechado. Ele estendeu-se por quatro décadas e teve como guarda-chuvas o PT. Atravessou fases heroicas – por exemplo, as lutas operárias que desafiaram a ditadura, a partir do final dos anos 1970. Seus feitos no governo não são desprezíveis: a presença inédita de um número relevante de negros e pobres nas universidades é um deles. Mas o ciclo foi marcado pela crença de que avanços sociais duradouros poderiam ser alcançados sem a rua e sem conflito – por progressivo convencimento do Parlamento, da casta política, dos empresários. O golpe de 2016 e a brutalidade do governo Temer acabaram com a ilusão.

3. Quais as pistas? Boulos acompanha atentamente o Podemos espanhol. Sua experiência, avalia, é sinal de que há uma saída pela esquerda para o desencanto com a política, que se propaga por todo o mundo. Isso porque, segundo o coordenador do MTST, o Podemos articula o que podem ser duas vertentes para uma futura esquerda. Abre-se às novas práticas; aos que, para agir politicamente, dispensam comandos e diretivas. Mas sabe fazê-lo sem abrir mão de um projeto e estratégia política.

4. Teria chegado, então, a hora de um Podemos brasileiro? Ainda não, responde Boulos. Repetir a experiência espanhola a frio, por voluntarismo de um conjunto de ativistas e intelectuais, seria uma precipitação, talvez uma transposição mecânica. “É preciso ter paciência histórica” e o passo necessário agora é estimular a mobilização social. “Antes do Podemos, houve o grande movimento dos Indignados”, diz Boulos. Por esta etapa – frisa ele – o Brasil não passou. As maiorias assistiram como espectadoras ao golpe de Estado que reinstalou no poder o setor mais retrógrado das elites. Diante do ataque selvagem aos direitos sociais desencadeado em seguida, a resistência ainda é tímida.

5. Estimulá-la é o mais importante, no momento. Requer enfrentar a institucionalização generalizada, a captura dos militantes pelo Estado que marcou o final do período anterior. Implica retomar o “trabalho de base” – visto por Boulos como um “estar junto” da população, um “construir coletivamente” e não ato unilateral de convencer e “levar a verdade”.

6. Significa, então, que será preciso esperar anos? Não, pensa Boulos – especialmente porque vivemos num cenário muito instável, em que são frágeis as próprias bases da restauração conservadora. “O governo está espalhando barris de pólvora”, ao atacar frontalmente os direitos sociais ao mesmo tempo em que os serviços públicos estão entrando em colapso e a política econômica espalha desemprego e miséria, para benefício apenas da aristocracia financeira.

7. “2017 bem pode marcar uma retomada”, especula Boulos, com uma pitada de otimismo gramsciano. Ele conclui: “Precisamos estar bem atentos para que não seja apenas resistência. O segundo desafio é pensar a recomposição da esquerda brasileira; é, pensar um novo campo, uma nova referência de do ponto de vista político-estratégico. Nós do MST estamos empenhados nesta perspectiva”.

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Fique com Boulos. Outras Palavras entra em recesso a partir deste 24/12. A partir do dia 27, acompanhe, no Facebook, nossa retrospectiva do ano. Voltamos em 9/1, esperando construir e narrar um ano melhor. Até lá, que venha o desfrute das festas. Tin-tim! (A.M.)

Feliz Natal e boas festas para tod@s!

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Um feliz natal e boas festas para tod@s amig@s. Apesar de um ano de muitas dificuldades para as famílias dos trabalhadores e da população mais pobre, sempre é possível reunir forças para festejar a vida, comemorar o encontro com os seus e recarregar as baterias para as próximas jornadas. Que em 2017, novas alamedas se abram para os nossos sonhos e esperanças. Um beijo no coração de tod@s.

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OIT: Crescimento de salários no mundo cai para o nível mais baixo em quatro anos

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A recuperação dos salários em algumas economias desenvolvidas – incluindo os Estados Unidos e a Alemanha – não foi suficiente para compensar a queda nos países emergentes e em desenvolvimento.

© T.Aljibe / AFP

Genebra – O crescimento dos salários em todo o mundo tem desacelerado desde 2012, caindo de 2,5% para 1,7% em 2015, o menor nível em quatro anos. Se a China, onde o crescimento salarial foi mais rápido do que em qualquer outro lugar, não for considerada, o crescimento dos salários globais caiu de 1,6% para 0,9%, de acordo com o Relatório Global sobre Salários 2016-2017  da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Em grande parte do período que seguiu a crise financeira de 2008-09, o crescimento dos salários mundiais foi impulsionado por um crescimento relativamente forte nos países e regiões em desenvolvimento. Mais recentemente, no entanto, esta tendência sofreu uma desaceleração ou se reverteu.

Entre os países emergentes e em desenvolvimento do G20, o crescimento dos salários reais caiu de 6,6% em 2012 para 2,5% em 2015. Por outro lado, o crescimento dos salários entre os países desenvolvidos do G20 subiu de 0,2% em 2012 para 1,7% em 2015, o índice mais alto dos últimos dez anos. Em 2015, os salários cresceram 2,2% nos Estados Unidos, 1,5% no Norte, Sul e Oeste da Europa, e 1,9% nos países da União Europeia.

“O crescimento mais rápido dos salários nos Estados Unidos e na Alemanha explica uma parte importante dessas tendências. Ainda não está claro se um desenvolvimento tão encorajador será sustentado no futuro, à medida que os países desenvolvidos enfrentam uma crescente incerteza econômica, social e política”, disse a Diretora Geral Adjunta de Políticas da OIT, Deborah Greenfield. “Num contexto econômico em que uma demanda mais baixa leva a preços mais baixos (ou deflação), a queda dos salários poderia ser fonte de grande preocupação, pois poderia aumentar a pressão para a deflação”.

Com o tema Desigualdade Salarial no Local de Trabalho, o relatório observa grandes diferenças regionais entre as economias em desenvolvimento. Por exemplo, em 2015, o crescimento dos salários manteve uma taxa relativamente robusta de 4% no Sul e Leste da Ásia e no Pacífico, enquanto diminuiu para 3,4% na Ásia Central e Ocidental e foi estimado provisoriamente em 2,1% nos Estados Árabes e em 2% na África. No entanto, em 2015 os salários reais caíram em 1,3% na América Latina e no Caribe e em 5,2% no Leste Europeu.

Desigualdade salarial fica abrupta no topo

 

O relatório também analisa a distribuição dos salários dentro dos países. Na maioria dos países, os salários sobem gradualmente, mas saltam de maneira acentuada ao chegar nos 10% dos salários mais altos. Além disso, esse aumento é ainda mais drástico para o 1% final, que representa os trabalhadores mais bem pagos.

Na Europa, os 10% dos trabalhadores mais bem pagos recebem em média 25,5% do total dos salários pagos a todos os empregados em seus respectivos países, o que é quase o mesmo que os 50% que recebem os salários mais baixos (29,1%). A parcela recebida pelos 10% mais bem pagos é ainda maior em algumas economias emergentes, como o Brasil (35%), a Índia (42,7%) e a África do Sul (49,2%).

A desigualdade salarial é ainda mais acentuada para as mulheres. Embora a diferença salarial geral por hora entre homens e mulheres na Europa seja de cerca de 20%, a diferença salarial entre homens e mulheres no grupo dos 1% de trabalhadores mais bem pagos chega a cerca de 45%. Entre homens e mulheres que ocupam cargos de diretores executivos e estão entre o 1% de trabalhadores mais bem pagos, a diferença salarial entre homens e mulheres é acima de 50%.

Papel das desigualdades salariais entre e dentro das empresas

 

Pela primeira vez, o Relatório Global sobre Salários analisa a distribuição dos salários dentro das empresas, examinando em que medida a desigualdade salarial geral é resultado de desigualdades salariais entre empresas e desigualdades salariais dentro das empresas.A desigualdade entre empresas tende a ser maior nos países em desenvolvimento do que nos desenvolvidos. Enquanto nos países desenvolvidos os salários médios dos 10% mais bem pagos nas empresas tendem a ser entre duas e cinco vezes mais altos do que os dos 10% com salários mais baixos, esta taxa sobe para oito no Vietnã e até 12 na África do Sul.

“Em média, em 22 países europeus, a desigualdade dentro das empresas representa 42% da desigualdade salarial total, enquanto o resto é devido à desigualdade entre as empresas”, disse a economista da OIT e uma das autoras do relatório, Rosalia Vazquez-Alvarez.

Ao comparar os salários dos indivíduos com o salário médio das empresas nas quais trabalham, o relatório constatou que, na Europa, cerca de 80% dos trabalhadores recebem menos do que o salário médio da empresa em que trabalham. No grupo de 1% das empresas com salários médios mais elevados, o 1% dos trabalhadores com salários mais baixos recebe em média 7,1 euros por hora, enquanto o 1% dos trabalhadores com salários mais altos recebe em média 844 euros por hora.

“A extensão da desigualdade salarial dentro das empresas – e sua contribuição para a desigualdade salarial total – é muito grande, o que indica a importância de políticas salariais dentro das empresa para reduzir a desigualdade global”, disse Greenfield.

O relatório destaca políticas que podem ser usadas e adaptadas às circunstâncias de cada país para reduzir a desigualdade salarial excessiva. Os salários mínimos e a negociação coletiva desempenham um papel importante neste contexto. Outras medidas possíveis incluem a regulação ou a autorregulação da remuneração dos executivos, promovendo a produtividade de empresas sustentáveis e abordando os fatores que levam à desigualdade salarial entre grupos de trabalhadores, incluindo mulheres e homens.

Clique aqui para acessar o relatório completo. 

Reitor Ricardo Marcelo Fonseca toma posse nesta segunda-feira na UFPR

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Toma posse no cargo de Reitor da Universidade Federal do Paraná(UFPR), nesta segunda-feira(19),  o professor Ricardo Marcelo Fonseca, que conduzirá a instituição pelos próximos quatro anos.

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Além de Ricardo Marcelo, tomam posse sete pró-reitores e o chefe de Gabinete, Paulo Ricardo Opuszka. A vice-reitora Graciela Bolzon tomará posse no mês de março de 2017.

Quem é Ricardo Marcelo Fonseca

Casado há 17 anos com Angela, também professora na Universidade, onde se conheceram, têm dois filhos pequenos, Antonio e João, hoje com sete e dez anos. Curitibano, nasceu e cresceu no bairro do Hugo Lange, jogando futebol no campus das ciências agrárias. Graduou-se como licenciado e bacharel em História na UFPR e em Direito na Faculdade de Direito de Curitiba, ambos em 1990.

 Em sua carreira profissional, carrega uma história de dedicação e ética em todas as funções que exerceu. Foi advogado trabalhista e, em 1994, ingressou na carreira de Procurador Federal. Mas quando foi eleito diretor do Setor de Ciências Jurídicas pela primeira vez, em 2008, pediu para ser “cedido” da Procuradoria para a UFPR, para exercer suas funções unicamente na Universidade (a “cessão” é um instrumento previsto na lei do funcionalismo público federal). Reeleito diretor do Setor em 2012, continua exercendo, desde então, as suas funções públicas (de 40 horas semanais) somente na UFPR.

Formação acadêmica

Especializou-se em Direito Contemporâneo pela PUC-PR/IBEJ – 1993. Em seguida, dedicou-se ao Mestrado em Direito, o qual concluiu em 1998, e ao Doutorado em Direito, concluído em 2001, ambos pela Universidade Federal do Paraná. Fez um estágio pós-doutoral de um ano, entre 2003 e 2004, na Università degli Studi di Firenze que é até hoje o maior polo de excelência em sua área na Europa.

Serviço

Solenidade de Posse e 104 anos da UFPR

Data: 19 dezembro

Hora:

19h00 – Apresentação cultural

19h30 – Sessão pública e solene do Conselho Universitário

Local: Teatro da Reitoria – Rua XV de Novembro, 1299  – centro – Curitiba

Ato pró-Sergio Moro reúne 15 pessoas e um cachorro em Curitiba

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A imagem fala por si só: ato a favor do juiz Sérgio Moro e da Operação Lava Jato reúne 15 pessoas e um cachorro. Sinal dos tempos que indica uma crescente perda de prestígio da operação comandada por Moro.

A imagem pode conter: 7 pessoas, pessoas em pé, cachorro e atividades ao ar livre

 

Informações da  Gazeta do Povo

Um grupo de 15 pessoas e um cachorro participou de ato a favor do juiz  Sérgio Moro e da Operação Lava Jato na tarde deste domingo(18), na Praça Santos Andrade, região central de Curitiba. O ato foi convocado via redes sociais pelos grupos MBL, Patriotas do Paraná e Laços contra a Corrupção.

Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Desemprego na América Latina e Caribe atinge nível mais alto em uma década

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OIT prevê que 2017 também será negativo para o mercado de trabalho na região

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Ignacio Fariza – Via El País 

As boas notícias sobre o emprego na América Latina e o Caribe terão que esperar. A desaceleração econômica que a região enfrenta há cinco anos transformou-se em recessão desde 2015 e teve forte impacto no mercado de trabalho. No final do ano, a taxa de desemprego chegará a 8,1%, o ponto máximo em uma década, segundo o relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado nesta semana. A porcentagem de desempregados este ano supera em 1,5 ponto a registrada no final de 2015, com 5 milhões de pessoas passando a integrar as listas de desocupados. E as projeções não deixam muito espaço para o otimismo: em 2017, o desemprego atingirá 8,4%.

Num contexto de crescimento da desocupação regional a patamares inéditos em mais de uma década — maiores até que os registrados durante a crise financeira internacional de 2008 e 2009 —, o número de pessoas fora do mercado de trabalho que tentaram se reintegrar para cobrir suas necessidades econômicas básicas provocou um ligeiro aumento da taxa de participação (de 61,9% para 62%). Isso, somado à redução da demanda de trabalho por parte do setor privado, explica o forte aumento do desemprego em atividades formais.

Ao contrário do que ocorreu no ano passado, em 2016 o aumento da taxa de desocupação foi um fenômeno mais generalizado na região: ocorreu em 13 dos 19 países que enviam informações de conjuntura para a OIT. Dentro desse grupo, destacam-se negativamente o Brasil (+2,9 pontos percentuais) e o Equador (+1,2). O caso brasileiro condiciona a estatística, dada a sua importância relativa (representa um terço do PIB regional), tendo também um efeito de arrasto sobre as outras economias da área, como a argentina e a uruguaia, com as quais está fortemente integrada. No lado contrário, as maiores quedas de desocupação foram registradas em Barbados (-2,5 pontos), Belize (-2,1) e México (-0,4), todos eles pertencentes ao grupo de países com melhor desempenho econômico.

Embora a desocupação na região tenha aumentado fortemente tanto para os homens (+1,3 ponto percentual) como para as mulheres (+1,6), o problema continua afetando mais o sexo feminino, o grupo que ficou com a pior parte da crise econômica em termos de desemprego. Se a previsão da OIT for cumprida, a taxa de desocupação feminina fechará o ano em 9,8%, perto dos dois dígitos pela primeira vez em 10 anos. Nesse sentido, o organismo da ONU ressalta as diferentes dinâmicas das taxas de desocupação por sexo: entre as mulheres, o aumento se deve a uma queda na taxa de ocupação e a um aumento no índice de participação (mais mulheres tentando entrar no mercado de trabalho); para os homens, os dois indicadores caíram, mas a taxa de ocupação diminuiu mais que a de participação.

Outro grupo especialmente prejudicado, o dos jovens, sofreu um aumento no desemprego nos três primeiros trimestres de 2016, passando de 15,1% para 18,3%. “O incremento da taxa de desocupação juvenil nesse período foi muito superior ao aumento do indicador entre os adultos”, diz o relatório. “Como resultado, a defasagem em relação à desocupação entre os dois grupos ampliou-se para 3,1 vezes.” A desaceleração da economia reduziu mais a demanda de trabalho entre os jovens que entre os adultos: enquanto nesse último segmento a taxa de ocupação caiu 0,6 ponto percentual, entre os mais novos diminuiu 1,4. “Isso confirma a regularidade observada em outras regiões e em outros episódios de redução de demanda: os jovens são os primeiros a serem despedidos na desaceleração e os últimos a serem contratados na recuperação”, completa a OIT.

Além da perda de postos de trabalho, o organismo destaca a piora da qualidade do trabalho na América Latina e no Caribe, com uma redução dos salários reais (-1,3% em 2015), um aumento da informalidade, uma queda na proporção dos assalariados sobre o total de ocupados e um aumento do trabalho por conta própria.

Especialmente “crítico”, segundo os técnicos da OIT, foi o aumento da taxa de trabalho informal registrada no ano passado, quando pelo menos 133 milhões de trabalhadores se encontravam na informalidade, quase 47% do total. As estimativas indicam que este ano terminará com 134 milhões de trabalhadores sem contrato formal. Embora os últimos dados sobre informalidade não sejam especialmente otimistas, no médio prazo haverá uma tendência de queda, com uma redução de 3,3 pontos em seis anos. Além das mudanças relacionadas diretamente com uma menor qualidade do emprego, existe também a crescente propensão regional de aumento do emprego no setor de serviços, pouco estável, bem como a redução do emprego industrial.

Forte recessão no Brasil

“Em 2016 também foi observada uma queda do emprego registrado e uma perda de postos de trabalho assalariados, particularmente em grandes empresas”, acrescenta o órgão da ONU para assuntos relacionados ao trabalho. A contrapartida é o aumento do trabalho por conta própria, geralmente associado a empregos com baixos rendimentos e menos acesso à cobertura da seguridade social.

“O contexto de incerteza no mundo continua afetando negativamente o crescimento. As expectativas de recuperação nos países desenvolvidos mudaram ao longo do ano, especialmente no Reino Unido e nos EUA, onde a evolução política fez aumentar a incerteza sobre a evolução dos investimentos e do comércio”, diz o documento da OIT. O resultado desse aumento da inquietação sobre a evolução da economia, com taxas de crescimento global discretas e um comércio mundial vacilante, foi o aumento da instabilidade e um crescimento menor do que o esperado nos países emergentes, os que melhor superaram o desastre de 2008, mas também os que mais estão sofrendo no período pós-crise.

A economia da região voltará a crescer em 2017

A América Latina e o Caribe porão um fim, no ano que vem, a dois exercícios consecutivos de contração econômica, marcados pelo grande barateamento das matérias-primas, das quais a região é exportadora líquida. A Cepal, agência da ONU para a região, prevê em seu balanço preliminar um crescimento de 1,3% em 2017 depois de fechar este ano com uma queda prevista do PIB de 1,1%.

Por sub-regiões, as diferenças são importantes. A que mais retrocederá no exercício em curso será a América do Sul (-2,4%) — lastreada principalmente pelo Brasil, cuja economia cairá 3,6% em 2016, e pela Argentina (-2%), suas maiores potências econômicas —, seguida pelo Caribe (-1,7%). A América Central, no entanto, fechará 2016 com um crescimento de 3,6%, numa tendência similar à do emprego.

A melhora da economia no próximo ano — que, no entanto, não será transferida para o emprego — será baseada no aumento dos preços das matérias-primas, beneficiando principalmente a América do Sul (que registrará um crescimento econômico de quase um ponto percentual), e no aumento da atividade do turismo, que será um empurrão para as economias do Caribe (+1,3% do PIB em 2017). Por seu lado, a América Central prolongará sua divergência em relação à tendência do resto do subcontinente, com um crescimento de 3,7%.

No contexto puramente latino-americano, e embora as diferenças entre os países sejam notáveis — as fortes recessões no Brasil e na Venezuela e as severas contrações de Argentina e Equador contrastam com o vigor de América Central, Caribe e México —, o órgão da ONU insiste, como faz praticamente em cada relatório sobre o assunto, na ativação de “mecanismos de diálogo social”.

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