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Opinião – O ciclo pós-PT

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Este post parte da perspectiva de uma ex-filiada ao PT (por honrosos 26 anos!) e que não se tornou anti-petista, ainda que tenha muitas críticas ao partido e seus governos.

Resultado de imagem para fotos do pato da fiespA reação patológica da burguesia em Brasília

 

Por Andrea Caldas* – Via Facebook

Perguntariam-me: por que insistir em falar do PT ?

Porque o PT é o fato histórico, no campo da esquerda, mais importante do último quadriênio de século. Foi o partido que governou o Brasil, por mais tempo, em toda a história da República.

É, ainda, o partido progressista com mais ampla base social.

O destino do PT, queiramos ou não, impacta a esquerda e o país.

Há um amplo movimento de reconstrução da esquerda que precisará levar em conta os acertos e erros desta agremiação e seus governos.

Entre os acertos, a meu modo de ver, estão a ampliação da base social, a democracia interna (malgrado, as deturpações burocráticas comuns a todos os partidos), a centralidade das políticas sociais e a ampliação de espaços de participação politica nos governos.

Entre os erros, o fundamental foi a crença na eternização da politica de conciliação de classes.
E falo aqui como alguém que defendeu, internamente no partido, que ela era tática e necessária, por um determinado período.

Qual foi o erro de análise histórica que cometemos ( no plural)?
Não identificar que a a conciliação só interessa à burguesia quando ela está enfraquecida.

Foi precisamente o que ocorreu, no inicio do governo Lula, em que as primeiras medidas foram a renegociação da monstruosa dívida da Globo com o BNDES e a emenda constitucional que retirou a limitação de juros em 12% ao ano.
(Acordo com os banqueiros e com a grande mídia.)

Pois bem, não é sensato admitir que algum partido governaria sem alianças.
Ocorre que a permanência do PT no governo, ao invés de buscar agregar forças para construir uma nova correlação de forças, limitou-se a cristalizar a conciliação.

Não houve nenhuma iniciativa declarada para estabelecer mudanças estruturais, mesmo no auge da popularidade dos governos de Lula e Dilma.

Nem a regulação da Mídia, nem a Reforma Politica, nem a tributação sobre grandes fortunas, nem a constitucionalização do bolsa-família, nem a mudança das regras de eleição para reitores ou Conselho Nacional de Educação, nem a implantação do Custo Aluno Qualidade, etc e tal.

A lição que precisa ser aprendida, por todos nós, é que o capitalismo suporta governos progressistas, em tempos de crescimento, onde é possível contentar a todos.

Em períodos de crise, a burguesia não se esquece da luta de classes.

Por isto, os espasmos de progressismo no governo precisam ser aproveitados ao máximo e com urgência.

Porque, neste regime, eles sempre serão transitórios.

 

*É pedagoga e doutora em Economia Política da Educação pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). É diretora e professora no Setor de Educação da UFPR e atua como pesquisadora na área de políticas educacionais e movimentos sociais.

**Foto e legenda de responsabilidade do editor do blog

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