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Opinião – A política do “não” e a busca de uma alternativa

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Se a posição “fora Fruet” dominou os votos válidos, a posição que ficou em primeiro lugar foi uma espécie de “fora todos”

 | Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

Aniele Nascimento/Gazeta do Povo

 Por Bruno Meirinho*

 

O resultado do primeiro turno das eleições para prefeito em Curitiba revela a firme intenção do eleitorado local de “demitir” o prefeito Gustavo Fruet. Apesar de garantir que realizou muitas coisas na sua gestão, Fruet não convenceu os eleitores de que fez um bom governo. Procurou explicar que não pôde fazer mais porque não teve recursos, pois assumiu a prefeitura saqueada pelas gestões anteriores. Esqueceu-se de que o eleitor também quer votar em um sonho de cidade, e não apenas em um bom tesoureiro ou gerente.

No quesito sonho, Greca cativou. Criticado por seu discurso mítico e fantástico, conquistou votos justamente por essa via. Mas pisou na bola quando falou, na PUCPR, que vomitava com o cheiro de “pobre”. O sonho virava pesadelo, e muitos buscaram uma alternativa em um terceiro candidato, que pudesse fazer frente a Greca no segundo turno e tirar Fruet do páreo. Olhando nas pesquisas, Ney Leprevost parecia o mais viável, e subiu de forma surpreendente, desembarcando em segundo lugar no primeiro turno – ironicamente, esse foi o mesmo fenômeno que, quatro anos atrás, levou Fruet ao segundo turno.

O resultado expôs o grande sentimento de que a política não interessa e que nenhuma posição merece apoio

Mas, se a posição “fora Fruet” dominou os votos válidos, a posição que ficou em primeiro lugar foi uma espécie de “fora todos”: a soma dos votos nulos, brancos e abstenções foi maior que todos os candidatos. Assim, a eleição foi dominada pela posição política do “não”, carente de uma alternativa política afirmativa.

Certamente, a participação política brasileira ainda é muito relevante, e uma das maiores do mundo, se considerarmos os países em que o voto é facultativo, onde eleições costumam ter até menos de 50% de comparecimento. Além disso, o nosso sistema assume que o voto é praticamente facultativo, dada a ausência de consequências, retornando para a abstenção na votação.

Mesmo assim, merece destaque o resultado das abstenções e votos brancos e nulos, que expôs o grande sentimento de que a política não interessa e que nenhuma posição merece apoio. Desse sentimento pode surgir uma atitude positiva, que busque alternativas que favoreçam a maior participação direta da população no cotidiano da política e que garantam mecanismos de transparência e combate à corrupção.

 

*É advogado, dirigente do PSOL.  Artigo publicado originalmente na Gazeta do Povo/Seção Opinião em 05/10/2016

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