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Arquivo do mês: junho 2016

Eleições 2016 – Greca, o anti-Fruet…

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O cenário eleitoral tende a ganhar mais impulso neste mês de julho, com uma maior definição dos partidos na formação das coligações eleitorais. As desistências de Ratinho Jr(PSD) e de Luciano Ducci(PSB) abriram espaço para o crescimento da candidatura oposicionista do ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca(PMN)

Greca ‘pegada’ forte contra Fruet na pré-campanha

 

Dois blocos a caminho da polarização

O cenário eleitoral, ainda em formação, aponta para uma tendência de polarização entre o atual prefeito Gustavo Fruet(PDT) e o ex-prefeito, Rafael Greca(PMN).  As desistências de Ratinho Jr(PSD) e de Luciano Ducci(PSB) facilitaram a escalada de Greca, que nos últimos meses, com uma pré-campanha agressiva contra a atual administração, ocupou o espaço oposicionista e fortaleceu o seu leque de apoios. No momento, Greca conta com o apoio do ex-prefeito Luciano Ducci(PSB) e costura apoios do DEM e do PSDB do governador Beto Richa.  Filiado ao ‘nanico’ PMN, Greca busca assegurar uma coligação com amplo tempo de televisão para alavancar a campanha.

Por sua vez,  o prefeito Fruet(PDT) enfrenta o desgaste da administração e o fogo cerrado das candidaturas oposicionistas, principalmente de Greca. Questões como a do transporte coletivo, atendimento nos postos de saúde e as “caixas-pretas” do ICI e da Urbs serão fortes temas de campanha.  Fruet necessita também de ampliar o seu tempo de televisão. Neste sentido, o PMDB  é uma bela noiva a ser cortejada.

Franco atiradores, alvos diversos

Um conjunto de pré-candidatos, com alvos diversos procuram abrir espaços na próxima batalha eleitoral  e/ou acumular forças para futuras disputas políticas. O deputado estadual Ney Leprevost(PSD), o deputado federal Fernando Francischini(SDD), o vereador Jorge Bernardi(REDE) e o deputado federal Paulo Martins(PSDB) – ao que tudo indica teve a candidatura fagocitada por Greca, com as bençãos dos caciques do tucanato nativo – estão nessa condição,  o que poderá se desdobrar em novas alianças ou na manutenção de candidaturas “solo”.

Herdeiros

Na raia eleitoral, temos ainda os herdeiros de consolidadas clãs políticas. Nessa categoria, são destacados representantes os jovens deputados estaduais, Requião Filho(PMDB) e Maria Vitória(PP).

Requião Filho, que aparece bem situado nas pesquisas eleitorais, é uma candidatura que objetiva garantir a presença política na cidade do grupo político liderado pelo senador Requião.  O pré-candidato Requião Filho recebe fortes e direcionadas “cantadas” vindas do Palácio 29 de Março.

A candidatura de Maria Vitória, filha do ministro da Saúde Ricardo Barros(PP) e da vice-governadora Cida Borghetti(PP), busca ampliar o espaço do grupo político familiar na capital. O clã tem como base política a região de Maringá. Estabelecer uma “cabeça-de-ponte” em Curitiba é fundamental para o projeto de candidatura de Cida ao governo do estado em 2018.

Esquerda, marcar posição

O PT, alvejado pela Lava Jato, lançou a candidatura do deputado estadual Tadeu Veneri, um eficiente e combativo parlamentar.  Veneri terá pela frente uma dura campanha para responder ao forte bombardeio que vitimou a legenda. Além disso, a bancada do PT na Câmara Municipal  teve pesada baixa, perdendo 2 representantes dos 3 eleitos em 2012.

O PSOL lançou a candidatura da advogada e ativista Xênia Mello e vai concentrar esforços para a eleição de um vereador.

Atacado e varejo

É um lugar comum a afirmação de que nas eleições municipais predominam as questões políticas e projetos locais.  Porém, com a polarização política em curso no país, a crise econômica com recessão e desemprego, a inflação e a piora das condições de vida dos mais pobres, a questão política nacional será um fator presente no embate eleitoral deste ano.

Cobertor curto

As novas regras eleitorais, que limitaram o financiamento empresarial das campanhas, serão um novo teste para os partidos e coligações eleitorais. O fantasma da ‘Operação Lava Jato ‘ também é um elemento inibidor para as tradicionais práticas do chamado “caixa dois” para o financiamento eleitoral.

Os candidatos que concorrem para um segundo mandato contam com a vantagem suplementar da posse da máquina de governo, o que facilita mais acesso aos recursos e insumos de campanha.

Vamos aguardar o comportamento do mundo político com as novas regras e o alcance do impacto da “Lava Jato”. Além disso, segundo especialistas, é esperada uma redução nos custos de campanha.

Debate ‘A crise na Europa e a luta dos trabalhadores’ com Jean Pierre Raffi nesta quinta

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Nesta quinta-feira(30),  o dirigente do Partido Operário Independente Democrático (POID) da França, Jean Pirre Raffi, fará uma conferência-debate a respeito da luta dos trabalhadores franceses contra a regressiva reforma trabalhista pretendida pelo governo Hollande e também sobre as implicações da vitória do “Não” à União Europeia na Grã-Bretanha para a luta social e sindical no velho continente.

Serviço
Debate ‘A luta dos trabalhadores franceses em defesa do código do trabalho. As implicações do NÃO à União Europeia na Grã-Bretanha’.

 

Com Jean Pierre Raffi, membro do Partido Operário Independente Democrático (POID), redator do jornal Tribune des Travailleurs

Dia 30/06/16 (5ª feira) as 19 h


Local: Auditório do Sismuc (Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba)
Rua Monsenhor Celso 225, 9º andar

Censura na escola: Proibir professor de abordar temas em sala de aula contraria Constituição

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Um projeto de lei que proíbe professores de veicular conteúdo ou promover atividades “que possam estar em conflito com as convicções religiosas ou morais dos pais ou responsáveis pelos estudantes” tem chamado a atenção. Apelidado de “escola sem partido”, o Projeto de Lei 867/2015 ganhou similares em estados e municípios. E críticas entre constitucionalistas.

Por Marcos Vasconcellos – Via site do Conjur

O problema apontado é que o artigo 5º da Constituição Federal garante a liberdade de expressão, enquanto o artigo 206 garante a liberdade de ensino. Assim, vedar, previamente, que professores falem sobre algo que “possa estar em conflito” com a convicção alheia contraria a Constituição.

Um dos sites em apoio ao projeto (programaescolasempartido.org) responde a tal crítica dizendo que não se trata de censura, pois o professor não desfruta de liberdade de expressão em sala de aula. O texto afirma que a Constituição “não garante aos professores a liberdade de expressão, mas, sim, a liberdade de ensinar, também conhecida como liberdade de cátedra”, fazendo referência ao artigo 206 da Carta Magna.

O site diz ainda que se o professor tivesse liberdade de expressão “sequer poderia ser obrigado (como é) a transmitir aos alunos o conteúdo da sua disciplina, pois quem exerce liberdade de expressão fala sobre qualquer assunto do jeito que bem entende”.

Para quem estuda o Direito Constitucional, no entanto, a interpretação está equivocada, pois o artigo 206 não substitui o artigo 5º, mas se soma a ele. Ou seja, por ter liberdade de ensino garantida, o professor não perde o direito à liberdade de expressão, que não pode ser suprimido de nenhum brasileiro.

Criminalização do pensamento
“Isso é tentar controlar os professores por intermédio da criminalização do pensamento”, afirma o jurista Lenio Streck, que coordenou o livroComentários à Constituição do Brasil. Na mesma obra, o constitucionalista Daniel Sarmento explica que a censura, em sua concepção mais tradicional, envolve o controle preventivo das mensagens cuja comunicação se pretende fazer. “Trata-se do mais grave atentado à liberdade de expressão que se pode conceber”, afirma Samento.

Escola pluralista prevê professores de diferentes ideologias, diz Streck.
Reprodução

 

Streck se diz completamente contrário ao projeto: “Quem quer fazer escola desse modo deve ir para o canto da sala e ficar de castigo e depois ir para a lousa e escrever cem vezes: a escola deve ser pluralista. E nisso está incluído o ‘risco’ de ter um professor de esquerda… Ou de direita”.

O professor de Direito Constitucional da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Pedro Estevam Serrano aponta que, ao usar termos vagos como “preferência política”, o projeto pode levar à interdição do próprio conhecimento. “Não se pode falar de racionalidade sem ampla liberdade de formulação dos pressupostos do pensamento. Em essência, a proposta obriga a adoção de uma linhagem de pensamento político-religioso”, afirma Serrano.

Falar de marxismo em sala de aula pode ser tido como preferência, diz Serrano.
Reprodução

 

Ele exemplifica: “Falar de marxismo em sala de aula, por exemplo, pode ser tido como preferência política, mas como falar do mundo contemporâneo e suas formações políticas e culturais sem falar de marxismo?”.

Presidente da Comissão de Estudos Constitucionais do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil e ex-presidente do Conselho Federal da entidade, Marcus Vinícius Furtado Coêlho aponta que tão problemático quanto um professor impor sua opinião a alunos é ele ser obrigado a não ter uma opinião. “Assim, além de inconstitucional, é desumano exigir que o professor seja um autômato dentro da sala de aula.”

Não se pode obrigar o professor a ser um autômato, diz Furtado Coêlho.
Reprodução

 

Furtado Coêlho diz que a solução precisa ser o equilíbrio: “Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Assegurar a liberdade de opinião do professor desde que tal seja exercida sem impor ao aluno determinada ideologia. Cautela, ponderação e razoabilidade não fazem mal a ninguém”.

Enxurrada de projetos
Atualmente, o site escolasempartido.org contabiliza que projetos de lei com base no anteprojeto disponível no site já foram apresentados em seis estados (Rio de Janeiro, Goiás, São Paulo, Espírito Santo, Ceará e Rio Grande do Sul) e no Distrito Federal. Além disso, aponta que já há propostas semelhantes tramitando em oito câmaras municipais.

Na Câmara de Santa Cruz do Monte Castelo (PR), a proposta já foi aprovada. Em Alagoas, desde o dia 9 de maio, os professores das escolas estaduais são obrigados a manter a “neutralidade” em sala de aula, em questões políticas, ideológicas e religiosas.

O movimento ganhou destaque depois que o ministro da Educação, Mendonça Filho, em um de seus primeiros atos após tomar posse, recebeu o ator Alexandre Frota e um dos líderes do movimento pelo impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff para discutir o projeto “escola sem partido”.

Na Câmara dos Deputados, caminham o PL 867/2015 e o PL 7.180/2014, que seguem a linha do “escola sem partido”, e o PL 1.411/2015, que tipifica o crime de “assédio ideológico”. Este prevê detenção de 3 meses a 1 ano para quem expuser aluno a assédio ideológico, “condicionando o aluno a adotar determinado posicionamento político, partidário, ideológico ou constranger o aluno por adotar posicionamento diverso do seu, independente de quem seja o agente”.

Para justificar os projetos de lei, seus autores afirmam que professores e autores de livros didáticos usam aulas e obras para tentar obter a adesão dos estudantes a determinadas correntes políticas e ideológicas.

Políticas Públicas – A educação brasileira no centro de uma guerra ideológica

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Movimentos fazem leis contra a “ideologia nas escolas” e pedem que currículo básico passe pela Câmara

 

Talita Bedinelli – El País

A polarização ideológica que atingiu o país nos últimos anos tem levado a educação para o centro de uma batalha que começa a ter contornos perigosos, na opinião de educadores. Iniciativas espelhadas no movimento “Escola Sem Partido“, que prega o “fim da doutrinação” nas escolas, têm se espalhado pelo Brasil e pressões conservadoras querem levar a aprovação da Base Nacional Comum Curricular, um documento guia para todas as escolas e que há um ano é discutido por especialistas, para as mãos do Congresso, que em 2015 já conseguiu banir o termo “gênero” do  Plano Nacional de Educação, por considerar que a palavra se referia a uma questão de ideologia.

Criado há 12 anos  por um pai indignado com o professor de história da filha, o Escola Sem Partido começou a ganhar um protagonismo maior no ano passado. E, neste ano, entrou na lista de assuntos polêmicos quando o controverso ator Alexandre Frota -conhecido por suas posições extremistas contra a esquerda e por uma aparição na TV em que disse, em um quadro humorístico, ter estuprado uma mulher- foi recebido ao lado de manifestantes pró-impeachment do grupo Revoltados Online pelo ministro interino da Educação, Mendonça Filho, para discutir, entre outras coisas, o projeto, segundo eles.

Longe dos holofotes, entretanto, o movimento já ganhou bastante espaço em muitas esferas políticas. Segundo o grupo Professores contra o Escola Sem Partido, ao menos nove Estados, incluindo Rio de Janeiro e São Paulo, além do Distrito Federal e de diversos municípios, discutem projetos de lei aos moldes de um documento criado pelo movimento. Tal documento justifica a necessidade da legislação assim: “É fato notório que professores e autores de livros didáticos vêm se utilizando de suas aulas e de suas obras para tentar obter a adesão dos estudantes a determinadas correntes políticas e ideológicas”. Entre os artigos do projeto, há a determinação de que o poder público vede, especialmente, “a aplicação dos postulados da teoria ou ideologia de gênero” e diz que entre os deveres do professor está o respeito “ao direito dos pais a que seus filhos recebam a educação religiosa e moral que esteja de acordo com suas próprias convicções”. O âmbito das questões “morais” se refere especialmente à sexualidade e isso inviabilizaria, por exemplo, as aulas de educação sexual nas escolas. “Elas teriam que ser optativas, para pais que aceitarem que seus filhos aprendam sobre isso com os professores”, explica o advogado Miguel Nagib, idealizador do projeto.

Educadores qualificam a iniciativa como uma “lei da mordaça” e dizem que, no fundo, as regras impõem uma censura dentro da sala de aula e prejudicam a formação de alunos críticos, já que eles perdem o acesso à diversidade de opiniões.

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O QUE DIZ A LEI DE ALAGOAS, A PRIMEIRA APROVADA NO PAÍS

Alagoas foi o primeiro estado a aprovar uma lei inspirada no projeto Escola Sem Partido, no final do ano passado. Ela chegou a ser vetada pelo governador Renan Calheiros Filho (PMDB), mas o veto foi derrubado neste ano na Assembleia. Ela passou a valer no mês passado. Além do Estado, também são discutidas leis similares em Amazonas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal, segundo levantamento do Movimento Professores Contra a Escola Sem Partido.

Veja a seguir os principais trechos da Lei 7800/2016 aprovada em Alagoas:

– Fica criado, no âmbito do sistema estadual de ensino, o Programa “Escola Livre”, atendendo os seguintes princípios:

(…)

IV – liberdade de crença;

VII – direito dos pais a que seus filhos menores recebam a educação moral livre de doutrinação política, religiosa ou ideológica;

Art. 2º– São vedadas, em sala de aula, no âmbito do ensino regular no Estado de Alagoas, a prática de doutrinação política e ideológica, bem como quaisquer outras condutas por parte do corpo docente ou da administração escolar que imponham ou induzam aos alunos opiniões político-partidárias, religiosa ou filosófica.

(…)

Art. 3º- No exercício de suas funções, o professor:

I – não abusará da inexperiência, da falta de conhecimento ou da imaturidade dos alunos, com o objetivo de cooptá-los para qualquer tipo de corrente específica de religião, ideologia ou político-partidária;

(…)

IV – ao tratar de questões políticas, sócio-culturais e econômicas, apresentará aos alunos, de forma justa, com a mesma profundidade e seriedade, as principais versões, teorias, opiniões e perspectivas das várias concorrentes a respeito, concordando ou não com elas;

TB

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Em Alagoas, décimo Estado onde o projeto estava em discussão, ele foi aprovado no final do ano passado na Câmara dos Deputados, sob o nome de “Escola Livre”. O primeiro do tipo no país, ele entrou em vigor no mês passado e proíbe os professores de praticarem “doutrinação política e ideológica em sala de aula” e de “veicularem conteúdos que possam induzir os alunos a um único pensamento religioso, político ou ideológico.”  O Ministério da Educação, ainda na gestão da presidenta afastada Dilma Rousseff, afirmou que a legislação é inconstitucional por contradizer o princípio do pluralismo de ideias, “que só se efetiva diante da diversidade de pensamentos”.

Projeto inspirado no movimento  também está em andamento no plano federal. De autoria do deputado Izalci Lucas Ferreira (PSDB), membro da bancada evangélica da Câmara, ele acabou sendo unido a outro projeto de lei similar já em tramitação, de Eriventon Santana (PEN), membro da mesma bancada. No último dia 16 de maio, o presidente da Câmara em exercício, Waldir Maranhão, autorizou a criação de uma comissão especial para discuti-lo. A proposta quer alterar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação para acrescentar como uma das bases o “respeito às convicções do aluno, de seus pais ou responsáveis, tendo os valores de ordem familiar precedência sobre a educação escolar nos aspectos relacionados à educação moral, sexual e religiosa.” Santana é um dos críticos da chamada “ideologia de gênero”, uma leitura conservadora de uma visão educacional que pressupõe que cada indivíduo tem o direito de escolher o próprio gênero, sem que ele seja definido, necessariamente, pelo sexo biológico.

Interferências no currículo

A mesma linha argumentativa dos projetos ligados ao Escola Sem Partido é utilizada por outro projeto de Lei do âmbito federal, que quer fazer com que o Congresso Nacional dê a última palavra sobre a Base Nacional Comum Curricular, um documento que é discutido extensamente com educadores e a sociedade civil desde julho do ano passado. A base determinará o que cada aluno deverá aprender ano a ano e o que se espera que ele saiba, exatamente, ao final daquele período letivo. Depois de consultas públicas que levaram a mais de 12 milhões de contribuições do público em geral, ela segue para a terceira versão, que será apresentada até novembro para o Conselho Nacional de Educação, que deverá aprová-lo. O órgão é composto por especialistas em educação de diversas áreas e pelo próprio Ministério da Educação (MEC).

Apresentado neste ano, o Projeto de Lei 4486 é do deputado Rogério Marinho (PSDB). Ao EL PAÍS, ele afirmou que o Brasil forma educadores de “viés ideológico”. Para ele, no processo de consulta pública da base, feito pelo MEC, não é possível saber se houve uma “triagem” e se só foram consideradas as opiniões que eram parecidas às do ministério, gerido então pelo PT. “As famílias e seus representantes têm que ser consultados. Não há órgão mais representativo do que o Congresso”, ressalta ele. Em nota, o ministério afirmou que “a discussão da base curricular deve ser rigorosamente técnica”. O projeto de Marinho ganhou um relator na Comissão de Educação da Câmara nesta semana e ele acredita que possa ir à votação no colegiado ainda este semestre.

Educadores veem nisso um grande risco. Levar a discussão da base curricular para o Congresso mais conservador que o brasileiro já elegeu pode trazer retrocessos, especialmente para as questões ligadas à diversidade de gênero, como já aconteceu no Plano Nacional de Educação. Católicos e evangélicos, sob o argumento de derrubar a “ideologia de gênero”, fizeram uma cruzada contra a palavra, que se espalhou por diversos planos de educação municipais e estaduais. A palavra sumiu dos textos, mesmo em trechos em que não aparecia explicitamente, mas onde se fazia referência a outras leis em que ela aparecia. Para especialistas, em um país em que a violência contra a mulher é ainda fortíssima, a inexistência da palavra, no contexto de combate à discriminação de gênero, traz prejuízos graves para a formação cidadã de crianças e adolescentes.

“Se as possibilidades de mudança [da base] para o Congresso se concretizam devemos ter justamente o mesmo debate, a mesma briga de caráter político que aconteceu com o Plano Nacional de Educação. Os movimentos da sociedade civil que participaram desse movimento estão articulados e se manifestando contra essa possibilidade”, afirma Alejandra Meraz Velasco, coordenadora-geral do Todos Pela Educação, organização que participa de um movimento em defesa da Base Nacional Comum. “São questões muito específicas da área da educação e se isso for para o Congresso a sociedade só tem a perder”, afirma Alessio Costa Lima, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação(Undime).

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CONHEÇA OUTROS PROJETOS DE LEI

T.B.

Outros projetos de Lei que, segundo educadores, podem trazer prejuízos à educação do país, se aprovados:

projeto de Lei 7180, apresentado pelo deputado membro da bancada evangélica Erivelton Santana (PSC-BA) em 2014, quer inclui entre os princípios do ensino na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) o respeito às convicções do aluno, de seus pais ou responsáveis, dando precedência aos valores de ordem familiar sobre a educação escolar nos aspectos relacionados à educação moral, sexual e religiosa. Situação:Comissão especial foi criada na Câmara no mês passado para analisá-lo

projeto de Lei 7181 também apresentado por Erivelton Santana (PSC-BA) em 2014, tem o mesmo propósito do projeto anterior, mas busca mudar os parâmetros curriculares nacionais. Situação: Foi unido ao projeto anterior

projeto de Lei 867, apresentado em 2015 pelo também membro da bancada evangélica deputado Izalci (PSDB-DF), quer incluir na LDB o projeto Escola Sem Partido, que veda na sala de aula “a prática de doutrinação política e ideológica bem como a veiculação de conteúdos ou a realização de atividades que possam estar em conflito com as convicções religiosas ou morais dos pais ou responsáveis pelos estudantes”. Situação: Também foi apensado ao projeto de Lei 7180

projeto de Lei 1859, criado em 2015 por quatro deputados (três da bancada evangélica), quer acrescentar à LDB a proibição da “ideologia de gênero ou orientação sexual na educação”. Seu único parágrafo diz: “A educação não desenvolverá políticas de ensino, nem adotará currículo escolar, disciplinas obrigatórias, ou mesmo de forma complementar ou facultativa, que tendam a aplicar a ideologia de gênero, o termo ‘gênero’ ou ‘orientação sexual'”.

*Edição de 26/06/2016 do El País.

**Ilustração de responsabilidade do editor do blog

Espanha: Podemos ‘chama voto útil’ para derrotar Rajoy

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Perante milhares de pessoas, Pablo Iglesias pediu no comício de encerramento da coligação “Unidos Podemos” que se realizou em Madrid uma “segunda oportunidade” para retirar o PP do poder

“Unidos Podemos” em Madrid. Foto El Diario.

 

Via Esquerda.Net

“Somos o voto útil para derrotar o PP. Que todos tenham isso bem claro”, afirmou Iglésias que na sua intervenção recordou ainda a tradição histórica de luta da esquerda espanhola.

Pablo Iglesias agradeceu ainda “à esquerda histórica” representada pela Izquierda Unida (IU) de Alberto Garzón e a todos quantos integram a coligação

“É uma honra ser o candidato à presidência do governo no quadro desta coligação”, sublinhou Iglésias.

“A palavra liberdade é sagrada e está escrita com o sangue dos povos”, sublinhou Iglésias, tendo acrescentado que “é preciso dizer viva a pátria, viva a liberdade e a fraternidade. Vamos em frente porque podemos, estamos perto, perto de ganhar”.

“A História é nossa e é feita pelos povos”, afirmou.

É preciso dizer hoje “viva a pátria, viva a liberdade, a fraternidade, e a igualdade. Em frente que podemos”, exclamou Iglesias.

O líder do Podemos afirmou ainda o seu “orgulho” numa “Espanha plurinacional com diferentes culturas”.

Pablo Iglesias e Alberto Garzón. Foto El Diario.

 

Por seu turno, o líder da Izquierda Unida, Alberto Garzón, apelou uma vez mais à classe trabalhadora para “retirar Mariano Rajoy do Palácio da Moncloa”, tendo ainda assegurado que “os restantes povos da Europa olham agora para Espanha para deter o fantasma do fascismo”.

“Depois de 26 de junho temos que estar na rua para defender o nosso governo, que vai fazer frente à oligarquia que não quer a mudança”, sublinhou Garzón.

Por seu turno, a Presidente da Câmara de Barcelona, Ada Colau não pode estar no comício mas através de video referiu-se às pessoas com dúvidas depois de tantos anos de frustrações e que por isso se questionam se vale a pena ir votar no domingo.

“Digo-vos que nós temos realizado um excelente trabalho de mudança em Barcelona e por isso peço-vos que pensem no que poderemos fazer com um governo que pretende alterar o rumo das políticas seguidas no país, um governo de mudança”, sublinhou Colau.

APP-Sindicato aprova indicativo de ‘estado de greve’

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APP-Sindicato realiza assembleia estadual da categoria neste sábado (25)

Massacre dos professores em 29 de abril, uma ferida aberta no magistério

 

Via APP-Sindicato

A APP-Sindicato realizou nesta sexta-feira (24) reunião do Conselho Estadual da entidade. Os(as) educadores(as) presentes aprovaram a indicação de estado de greve para a Assembleia Estadual da entidade no sábado (25), em Curitiba.

Assembleia estadual

A APP está convocando os(as) educadores(as) para tratar das negociações da pauta e debater um calendário de mobilizações para o próximo período.

Em 2016 já foram realizadas duas assembleias estaduais. A primeira foi em Foz do Iguaçu, em janeiro, onde os(as) educadores debateram e aprovaram a pauta da categoria. A segunda assembleia foi realizada em Ponta Grossa, no mês de abril, com a aprovação da prestação de contas da entidade.

Veja a pauta da Assembleia Estadual:

1 – Informes gerais;
2 – Avaliação da pauta da categoria;
3 – Mobilizações;
4 – II Etapa do Congresso Estadual da APP-Sindicato

*Foto e legenda do editor do blog

Brexit provoca pânico nos mercados financeiros

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A vitória do Brexit causou o chamado efeito dominó nas bolsas asiáticas, europeias e, por fim, nas norte-americanas. A libra e euro derraparam e os juros da dívida aumentaram.

 

Via Esquerda.Net

Os investidores viveram um dia de grande ansiedade com as bolsas a registarem desvalorizações significativas, por causa da vitória do Brexit.

Assim, o fecho de sessão espelhou grande nervosismo e também pessimismo na sequência da incerteza que paira sobre a União Europeia (UE) uma vez que o Reino Unido é a segunda maior economia europeia, com um peso de 15% no Produto Interno Bruto (PIB) do conjunto dos 28 Estados-membros.

Durante o dia de hoje, em apenas uma sessão, a bolsa de Lisboa perdeu 3,4 mil milhões de euros fruto de uma derrapagem de 6,99% no fecho dos mercados, para 4.362,11 pontos e o índice PSI20 atingiu hoje mínimos de 20 anos.

Por seu turno, no setor financeiro, habitualmente o mais penalizado nestas situações, acabou com uma forte derrapagem, com o BCP a registar a maior quebra do PSI20, acima de 12% para 0,018 euros, depois de ter caído ainda mais durante a sessão, atingindo um novo mínimo histórico de 1,5 cêntimos por ação.

Entretanto, a Associação Portuguesa de Bancos já veio dizer que as instituições financeiras têm planos de contingência para estas situações, mas não deixaram de admitir um “ajustamento inevitável” e afirmou contar com o Banco Central Europeu (BCE).

Os CTT e EDP também afundaram mais de 10%, para 6,937 euros e 2,635 euros, respetivamente. A Sonae e a NOS também caíram para 0,734 euros e 5,432 euros.

Londres desvalorizou menos

Londres foi a praça que menos desvalorizou. Este que é também um dos centros financeiros mais importantes do mundo acabou por cair 2,76%, mas os bancos assistiram a uma verdadeira hecatombe: só o Lloyds afundou 21% e o Royal Bank of Scotland 18%.

Frankfurt recuou 6,8%, Paris 8,04%, Madrid 12,35% e Milão 12,48% naquela que foi a maior queda de sempre.

Por causa da diferença horária, a primeira reação nas bolsas foi sentida nas praças asiáticas. As quedas rondaram os 8%, enquanto as praças norte-americanas desvalorizaram cerca de 3%.

Por outro lado, o euro está em forte depreciação, para 1,11 dólares e a libra, a moeda britânica, também entrou em queda livre atingindo o valor mais baixo dos últimos 30 anos, ou seja, abaixo dos 1,35 dólares. Isso aconteceu logo ao início da manhã, estando agora no patamar dos 1,36 dólares.

No que diz respeito às matérias primas, o Brent, que é o petróleo que serve de referência para Portugal, perdeu quase 5% do seu valor, estando a rondar 48 dólares por barril. Também o crude nova-iorquino recua sensivelmente o mesmo mas para 47,80 dólares.

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