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O ‘canetaço’ no impeachment e o perigo de vácuo político e institucional

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Além da aparência, que em tese beneficiaria a presidente Dilma Rousseff,  o gesto do deputado Waldir Maranhão(PP-MA) anulando o golpe do impeachment é revelador da dimensão da crise do atual sistema político e partidário. A decisão festejada por setores do governismo – vale ressaltar que Dilma pediu cautela e falou de “muitas manobras e artimanhas” no momento político atual -, é tão frágil quanto a decisão pelo impeachment conduzida por Cunha e aprovada pela maioria dos deputados. A decisão do presidente interino da Câmara de Deputados busca corrigir questões formais e não entra no mérito da causa do impeachment, portanto, não há motivos para festas. Combater o golpe e o golpismo sem ilusões de classe, afinal a correlação de forças não é favorável para o campo democrático-popular, para a esquerda.

Canetaço contra o golpe de Cunha

Porém, o episódio bombástico, segue um curso de manobras perigosas e irresponsáveis, iniciadas pelo golpismo da oposição e de setores do aparelho judiciário, com auxílio luxuoso do cartel midiático, principalmente da Rede Globo.

Muitos já falaram que se sabe quando começa um golpe mas que nunca se sabe como vai terminar. Em 1964, havia a expectativa de uma intervenção pontual dos milicos e depois seriam convocadas as eleições em 1966 e tudo voltaria à normalidade. Todos lembram  da duração desse filme de 21 anos.

Na atual quadra política, há um descolamento entre os interesses da população e do sistema de representação política. O parlamento e a maioria dos partidos estão desmoralizados e desmoralizando a política. Um perigo que abre espaço para as piores soluções de força. Só o povo trabalhador da cidade e do campo na rua teria (no pretérito mesmo) força para deter o golpismo e o desatino das elites, melhor, do establishment. Como não existe tal mobilização do povo, o Supremo Tribunal Federal(STF) está se tornando de fato o poder decisório e moderador.

As frações estamentais que controlam o estado estão crise e não contam até o momento com um condottiere unificador e reconhecido, mas sempre existe a gendarmeria(verdeoliva, é claro) a disposição para a defesa, em última instância, do capital e do aparelho de estado.

Infelizmente, o povo não se sente, até aqui, parte da pugna. E isso é muito revelador dos erros e limites do governo e do PT. A maioria da população não enxerga o que defender no governo de turno, responsável pela implementação de um ajuste econômico ruinoso, que gerou recessão e desemprego massivo.

Vamos dormir hoje com um impeachment parcialmente anulado na Câmara de Deputados. Com o Renan Calheiros(PMDB-AL) afirmando que o processo vai continuar no Senado. Com ministros de Dilma saintes limpando as gavetas e ministros cotados de um eventual governo Temer de ternos novos comprados, mas sem data de posse. Ou seja, um vácuo político que deixa um nó em qualquer PHD em ciência política.

E o povo? A que hora vem o povo dizer que não vai ter golpe?

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