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Crise política: A maioria ainda não foi às ruas

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Neste domingo(13), as ruas do país foram tomadas por multitudinárias manifestações. O comparecimento massivo expressou talvez um momento de pico do confronto político em curso desde o resultado eleitoral de 2014, que reconduziu a presidente Dilma para um novo mandato

Setores majoritários da população ainda “assistem” o atual embate político

As manifestações segundo avaliação das PMs estaduais ultrapassaram 3, 5 milhões nas cerca de 300 cidades dos 27 estados da federação em que ocorreram os protestos. Já organizadores do movimento inflam a participação divulgando o “número político” de cerca de 7 milhões de participantes nos atos pelo impeachment de Dilma e Fora PT. Em São Paulo capital, a discrepância dos números vai dos 5oo mil aferidos pelo Datafolha aos 3 milhões dos movimentos que organizaram os atos.

Para além da guerra política dos números, é necessário desvendar os motivos e os sentidos que impulsionaram os  protestos. Sem desmerecer e sem qualquer objetivo de desqualificação, o amplo contingente que foi às ruas neste domingo é composto de forma majoritária pelas camadas médias da população, com renda salarial a partir de cinco salários mínimos, na maioria brancos, de meia idade e moradores de bairros centrais e elegantes das capitais e cidades urbanizadas do interior mais desenvolvido do centro-sul do Brasil.  Portanto, um segmento da população que nas últimas eleições votou, em sua maioria, nas candidaturas de Aécio(PSDB) e Marina(Rede).

Elementos de descontentamento com a situação do país e um certo ressentimento social movem estas camadas. Porém,  é equivocado generalizar. Se a bandeira contra a corrupção e o apoio à Operação Lava Jato conduzida pelo juiz Sérgio Moro galvaniza as opiniões desses segmentos, extensas faixas dos que se mobilizaram no domingo sofre as agruras da crise econômica, com a redução da renda e do padrão de vida. Neste sentido, um conjunto de fatores políticos, econômicos e sociais estão na origem da confrontação, contribuindo para o êxito dos protestos.

Além disso, o atual sistema político e partidário atravessa uma crise de representatividade e perdeu a eficácia como vetor de mediação dos conflitos na sociedade, processo acentuado a partir das jornadas de junho 2013.  Há um vácuo político/institucional e partidário, o que facilita o surgimento de movimentos que apostam na despolitização e apelam para a busca de uma saída messiânica, do líder forte, fora do circuito tradicional da política e da forma como está organizada hoje. Não é por acaso, o apoio desfrutado pelo juiz Sérgio Moro no imaginário desses segmentos; ele é o “anjo justiceiro” que veio para acabar com as mazelas do estado e dos políticos brasileiros.

Desdobramentos

Breves indicações de possíveis cenários. A crise política mais acentuada encontra o governo Dilma bastante fragilizado e com crescente isolamento. São diversas frentes de batalha ao mesmo tempo no bojo de uma profunda e severa crise política: a recessão na economia, a urgência do combate ao impeachment  da presidente, o desmonte da base aliada no Congresso, a Operação Lava Jato, que atinge figuras ligadas ao governo, como o ex-presidente Lula, e o principal: a incapacidade de reação política do governo de apontar uma perspectiva política para romper o impasse. O que implicaria numa das opções, a reviravolta na política econômica e uma guinada à esquerda, uma operação de salvamento político que exigiria uma reconfiguração do governismo.

A outra opção, segundo observadores e analistas, de retomada da iniciativa na agenda política seria uma alternativa de pura sobrevivência, o que não descarta acordos heterodoxos com setores da oposição, costura em curso levada a cabo pelo presidente do Senado, Renan Calheiros(PMDB). Um acordo que exigiria o compromisso com a execução de uma agenda de reforma neoliberal do estado e a liquidação dos dispositivos de  proteção e solidariedade social da Constituição Cidadã de 1988.

Portanto, o governo Dilma vive uma verdadeira encruzilhada e se move pressionado pela necessidade premente da sobrevivência. Mesmo o dispositivo de apoio social ao governo é, até o momento, insuficiente para barrar o impulso do golpismo.

Por “cima’, seguindo uma tradição bem brasileira, o establishment opera o seu desfecho da crise: a conciliação pelo alto.

O grande fator de um desfecho qualitativo da crise seria a entrada em cena das massas populares – o povo trabalhador das capitais e das periferias de regiões metropolitanas, das área rurais e dos vastos sertões do Brasil profundo.

Atualização – No final da tarde desta segunda-feira(14), foi ventilada a possibilidade do ex-presidente Lula assumir a chefia da Casa Civil do governo Dilma, com o objetivo de reforçar o enfrentamento da crise política.

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