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Arquivo do mês: março 2016

Ditadura nunca mais! Não vai ter golpe!

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1 de abril de 1964, um golpe civil-militar derruba o governo constitucional do presidente Jango Goulart. Poderosas forças econômicas, da mídia e o comando das Forças Armadas, no contexto da chamada guerra fria, um conflito político e ideológico entre os Estados Unidos e a então União Soviética, violam a constituição e mergulham o país numa ditadura, que durou 21 anos. Nos dias atuais, sem tanques nas ruas, mas com alguns setores que fomentaram o golpe militar de 64, como a Fiesp, Rede Globo, políticos conservadores e instituições do sistema judiciário, o país corre um novo risco de ameaça à democracia, com a tentativa de impeachment da presidente Dilma. Confira o filme.

Manifestações em todo país pela democracia e de repúdio ao golpe via impeachment

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Manifestantes cobram mudanças na política econômica, mas também defendem legalidade e democracia, no dia em que se completam 52 anos do golpe que derrubou o governo Jango

Da Rede Brasil Atual

 

São Paulo – Os setores da sociedade contrários ao impeachment, que identificam nesse processo uma tentativa de golpe para derrubar um governo legitimamente eleito e que não cometeu crime de responsabilidade, reuniram centenas de milhares de pessoas pelo país hoje (31), para mostrar que nem todos são favoráveis à retirada da presidenta Dilma Rousseff. Embora façam críticas ao governo e suas políticas, esses movimentos defendem a legalidade e a normalidade democrática, ao mesmo tempo em que cobram medidas para recuperar a atividade econômica e retomar o crescimento. A pauta da Frente Brasil Popular e da Frente Povo sem Medo era clara: em defesa da democracia e dos direitos trabalhistas, contra o golpe e por outra política econômica.

As manifestações, que ocorreram em todos os estados e no Distrito Federal, também remetem aos 52 anos do golpe civil-militar que derrubou o governo João Goulart e iniciou um período de ditadura do qual o país só sairia a partir de 1985. O ato realizado na Praça da Sé, na região central de São Paulo, fez lembrar o comício das Diretas Já, em 25 de janeiro de 1984, quando se pedia o restabelecimento das eleições para presidente da República – o que só ocorreria em 1989.

O professor Paulo Sérgio Pinheiro, ex-integrante da Comissão Nacional da Verdade e secretário de Direitos Humanos no governo Fernando Henrique Cardoso, recordou a data e fez críticas ao partido que agora articula a queda da presidenta, anunciando sua saída do governo, no qual permanece com o vice, Michel Temer. “A Praça da Sé lotada novamente é um recado para esse PMDB golpista”, afirmou Pinheiro, de acordo com o site da revista Fórum. Ele lembrou ainda que o ato das Diretas era liderado exatamente pelo PMDB.

Figura presente em todos os comícios daquele período e nas manifestações políticas e eleitorais das décadas seguintes, o cantor e compositor Chico Buarque apareceu hoje no ato realizado no Largo da Carioca, centro do Rio de Janeiro, para criticar o golpe. Em rápida intervenção, disse que a manifestação poderia reunir pessoas que votaram ou não em Dilma, e inclusive eleitores decepcionados com os rumos do governo, mas que não se poderia duvidar da integridade da presidenta. Segundo ele, os presentes estavam “unidos pelo apreço à democracia e em defesa intransigente da democracia”.

Alvo de ataques por suas posições políticas e preferências eleitorais, Chico também lembrou de 1964, vivido por sua geração. “Vocês me animam a acreditar que não, de novo, não, não vai ter golpe”, afirmou aos manifestantes no Rio.

Representantes da classe artística já haviam se reunido pela manhã, no Planalto, com Dilma, para manifestar apoio. O neurocientista Miguel Nicolelis não participou, mas mandou um vídeo com um pedido à presidenta para resistir. “O mundo inteiro sabe da tentativa de se remover uma presidenta sem a legitimidade das urnas, mas por meio de um processo que combina múltiplas formas, que se iniciou na noite do anúncio do resultado das urnas”, afirmou. “Os que insistem no seu afastamento atropelam a legalidade, subvertendo o Estado democrático de direito. Os que tentam promover a saída de Dilma arrogam-se hoje sem qualquer pudor como detentores da ética, mas serão execrados amanhã, não tenho dúvida”, afirmou na cerimônia o escritor Raduan Nassar.

A preocupação com a turbulência política motivou uma reunião do ministro da Justiça, Eugênio Aragão, com o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, nesta tarde. “A onda de ódio não pode continuar”, disse Aragão, pedindo também respeito às decisões judiciais. “A Constituição garante aos nossos juízes a independência. Nós temos que garantir que eles julguem a partir de sua consciência e do texto constitucional”, declarou, acrescentando que “não é admissível que se comece a agredir um ministro e suas famílias em razão de opiniões leigas diferentes e, muitas vezes, inspiradas por noticiário deturpado”.

Um dos principais protestos ocorreu no Distrito Federal, onde segundo os organizadores 100 mil pessoas ocuparam a Esplanada dos Ministérios. Grupos saíram de vários lugares da capital e fizeram passeata até a frente do Congresso Nacional.

Em São Paulo, várias intervenções lembravam que a mudança de governo favoreceria interesses econômicos em prejuízo dos trabalhadores. “Não vamos reconhecer o ilegítimo mandato presidencial conquistado por meio de um golpe. (Michel) Temer representa ataques aos direitos trabalhistas, avanço da terceirização, fim das políticas sociais. Por isso banqueiros, empresários e conglomerados de mídia o apoiam”, afirmou o presidente da CUT no estado, Douglas Izzo, referindo-se ao vice de Dilma, cujo partido, o PMDB, decidiu “desembarcar” do governo.

Outros estados

No Ceará, a Polícia Militar estimou em 10 mil o número de manifestantes em Fortaleza.  A concentração começou na Praça da Bandeira. Depois, uma caminhada percorreu as ruas do centro até chegar à praça do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, na Praia de Iracema, próximo à orla da Beira Mar.

Em Porto Alegre, também houve críticas ao PMDB, destacando o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e o vice-presidente da República, Michel Temer. Concentrados no centro histórico da capital gaúcha, manifestantes criticaram ainda o juiz federal Sérgio Moro.

No centro de Salvador, manifestantes cantaram músicas como Cálice, de Chico Buarque e Gilberto Gil, canção censurada em 1973, durante a ditadura. Em um trio elétrico, uma banda cantava músicas que remetiam àquele período.

Exterior

Vários países também tiveram manifestações contra o impeachment. Em Buenos Aires, pelo menos 150 argentinos e brasileiros marcharam pelo centro, tendo como ponto de encontro a embaixada do Brasil. Militantes da Frente Para a Vitoria (da ex-presidenta Cristina Kirchner) entregaram uma carta de apoio a Dilma e ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

*Chamada da matéria do editor do blog

Ao vivo: Jornada Nacional em Defesa da Democracia

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Ao vivo: acompanhe a Jornada Nacional em Defesa da Democracia convocada pela Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo. Atos ocorrem em todo o país nesta tarde. Assista, só clicar no link.

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Nas ruas em defesa da democracia para barrar o golpe

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Dia 31, hoje, é dia de luta pela democracia e pelos direitos dos trabalhadores. Tentativa de golpe em curso desestabiliza instituições e coloca em risco décadas de avanços para a classe trabalhadora

 

Com o cenário de um golpe em curso cada vez mais desenhado, os movimentos sociais e classe trabalhadora vão às ruas de todo o Brasil neste dia 31. Além de uma grande mobilização planejada para Brasília, outros atos acontecerão simultaneamente nas principais cidades do Brasil.

Em Curitiba a agenda contra o golpe será às 17h na Praça Santos Andrade, no centro da capital paranaense. “O que estamos vendo é um golpe em curso. Não há dúvida disso. O jogo político começa deixar os bastidores para que toda a sociedade possa acompanhar as tentativas de alijarem um mandato conquistado com mais de 54 milhões de votos. Qual será o resultado disso? O enfraquecimento das instituições brasileiras e, claro, um golpe nos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras”, analisa a presidenta da CUT Paraná, Regina Cruz.

O ato programado para o Paraná contará com a presença de representantes de diversos setores da sociedade, além dos próprios movimentos sociais. Artistas organizam atos culturais para animar a mobilização programada para esta quinta-feira.
“Há muito tempo o problema deixou de ser partidário. Defendemos a nossa jovem democracia que ainda carece de amadurecimento. Não podemos deixa-la morrer de forma tão prematura”, argumenta.

Direitos

Na pauta do golpe, segundo Regina, ainda escondem-se outras intenções não tão republicanas. Uma agenda de retrocesso dos direitos dos trabalhadores faz parte das prioridades da oposição, inclusive, do vice-presidente da República, Michel Temer.
“A Ponte para o Futuro, do PMDB, tem na sua essência a retirada de direitos dos trabalhadores’, declarou.

Serviço

Ato em defesa da democracia

Data: Quinta-feira, 31/03/2016

Horário: 17h

Local: Praça Santos Andrade, s/n, Centro. Curitiba.

 

Fonte: CUT-PR

Tempos de crise e seu vizinho “patológico”

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A situação política do país de intensa polarização e de antagônica disputa de narrativas, atravessa de forma horizontal as relações familiares, profissionais , de amizade e vizinhança. Como identificar um “patológico” perto de você

Trata-se de um momento de conflito político agudo que gera incertezas sobre o futuro. Um processo que permite o surgimento de visões extremistas e de tentativas de soluções de força, rápidas e excludentes. Afinal, toda crise libera os instintos mais primários e irracionais.

No atual conflito em curso no país,  depois de uma década de bonança econômica e otimismo, que funcionou como uma argamassa entre as classes, suavizando as tensões e as disputas sociais e distributivas, foi catapultado para o cenário político um determinado segmento social que se movimenta estimulado por um apelo de tipo fascista. É um setor minoritário, mas que cresceu, principalmente, entre parcelas das camadas médias.

Alguns dirão que se trata de uma patologia social, porém, numa tradução mais imediata e objetiva, é um fenômeno político que aparece sempre nos momentos de exacerbação dos conflitos políticos e sociais.

A identificação da patologia não requer muito esforço, no entanto, a superação dos sintomas e manifestações exige doses generosas de democracia e tolerância, o melhor antídoto para combater o vírus disseminador da grave moléstia. No entanto, a profilaxia é difícil e penosa na medida em que os maiores e mais poderosos meios de comunicação semeiam o ódio e operam a demonização da política e do governo de turno, em particular.

O caldo de cultura que alimenta  o proto-fascismo é reverberado no cotidiano da sociedade se expressando no racismo, na intolerância com os pobres e na ofensiva contra os direitos humanos e sociais, implantando na prática um “estado” de darwinismo social, naturalizando em nome de uma racionalidade econômica o abandono dos mais fracos e de qualquer vestígio de legislações protetivas para os excluídos.

O dia a dia, marcado pelo cotidiano atribulado entre trabalho, família, estudo, rarefeito lazer e, cada vez mais, menos convivência comunitária e de vizinhança, aumenta o potencial de isolamento(individual e social) e reduz a diversidade das relações humanas, o que amplia a formação de guetos e tribos que apenas conversam entre si, ensimesmados. As redes sociais até facilitam uma interação, mas de forma distante e pontual na maioria dos casos. Uma socialização digital.
Portanto, em tempos de crise, não se assuste ou se intimide com o seu vizinho (ou parente) “patológico”, capturado pela narrativa da extrema-direita. Você apenas não o conhecia de forma suficiente. Se ele bate uma panela em dia de pronunciamento oficial da presidente, se ele veste a camisa amarela da CBF nas passeatas a favor do impeachment, se ele colocou uma bandeira brasileira na janela, se é leitor da Veja e do Olavo de Carvalho e acredita que o PT faz um governo comunista e bolivariano,  não adote um comportamento discriminatório ou intolerante com o dito cujo.
Afinal, um dia você poderá bater na porta dele para pedir uma xícara de açúcar para adoçar seu café.

Opinião – Wagner Moura: Pela legalidade

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Artigo esclarecedor do consagrado ator Wagner Moura na Folha de São Paulo sobre a crise política atual e as ameaças à democracia. Para Moura, “Sergio Moro é um juiz que age como promotor”. A manifestação é mais uma das inúmeras manifestações de personalidades de relevo da vida nacional condenando o “estado policial” em gestação, o que ameaça a legalidade e os direitos democráticos duramente conquistados pela população. Confira.

 

Por Wagner Moura*

“Ser legalista não é o mesmo que ser governista, ser governista não é o mesmo que ser corrupto. É intelectualmente desonesto dizer que os governistas ou os simplesmente contrários ao impeachment são a favor da corrupção.

Embora me espante o ódio cego por um governo que tirou milhões de brasileiros da miséria e deu oportunidades nunca antes vistas para os pobres do país, não nego, em nome dessas conquistas, as evidências de que o PT montou um projeto de poder amparado por um esquema de corrupção. Isso precisa ser investigado de maneira democrática e imparcial.

Tenho feito inúmeras críticas públicas ao governo nos últimos 5 anos. O Brasil vive uma recessão que ameaça todas as conquistas recentes. A economia parou e não há mais dinheiro para bancar, entre outras coisas, as políticas sociais que mudaram a cara do país. Ninguém é mais responsável por esse cenário do que o próprio governo.

O esfacelamento das ideias progressistas, que tradicionalmente gravitam ao redor de um partido de esquerda, é também reflexo da decadência moral do PT, assim como a popularidade crescente de políticos fascistas como Jair Bolsonaro.

É possível que a esquerda pague por isso nas urnas das próximas eleições. Caso aconteça, irei lamentar, mas será democrático. O que está em andamento no Brasil hoje, no entanto, é uma tentativa revanchista de antecipar 2018 e derrubar na marra, via Judiciário politizado, um governo eleito por 54 milhões de votos. Um golpe clássico.

O país vive um Estado policialesco movido por ódio político. Sergio Moro é um juiz que age como promotor. As investigações evidenciam atropelos aos direitos consagrados da privacidade e da presunção de inocência. São prisões midiáticas, condenações prévias, linchamentos públicos, interceptações telefônicas questionáveis e vazamentos de informações seletivas para uma imprensa
controlada por cinco famílias que nunca toleraram a ascensão de Lula.

Você que, como eu, gostaria que a corrupção fosse investigada e políticos corruptos fossem para a cadeia não pode se render a esse vale-tudo típico dos Estados totalitários. Isso é combater um erro com outro.

Em nome da moralidade, barbaridades foram cometidas por governos de direita e de esquerda. A luta contra a corrupção foi também o mote usado pelos que apoiaram o golpe em 1964.

Arrepio-me sempre que escuto alguém dizer que precisamos “limpar” o Brasil. A ideia estúpida de que, “limpando” o país de um partido político, a corrupção acabará remete-me a outras faxinas horrendas que aconteceram ao longo da história do mundo. Em comum, o fato de todos os higienizadores se considerarem acima da lei por fazerem parte de uma “nobre cruzada pela moralidade”.

Você que, por ser contra a corrupção, quer um país governado por Michel Temer deve saber que o processo de impeachment foi aceito por conta das chamadas pedaladas fiscais, e não pelo escândalo da Petrobras. Um impeachment sem crime de responsabilidade provado contra a presidente é inconstitucional.

O nome de Dilma Rousseff não consta na lista, agora sigilosa, da Odebrecht, ao contrário dos de muitos que querem seu afastamento. Um pedido de impeachment aceito por um político como Eduardo Cunha, que o fez não por dever de consciência, mas por puro revide político, é teatro do absurdo.

O fato de o ministro do STF Gilmar Mendes promover em Lisboa um seminário com lideranças oposicionistas, como os senadores Aécio Neves e José Serra, é, no mínimo, estranho. A foto do juiz Moro com o tucano João Doria em evento empresarial é, no mínimo, inapropriada.

E se você também achar que há algo de tendencioso no reino das investigações, não significa que você necessariamente seja governista, muito menos apoiador de corruptos. Embora a TV não mostre, há muitos fazendo as mesmas perguntas que você.”

É ator. Protagonizou os filmes “Tropa de Elite” (2007) e “Tropa de Elite 2” (2010). Foi indicado ao prêmio Globo de Ouro neste ano pela série “Narcos” (Netflix). Artigo publicado originalmente na Folha de São Paulo – edição de 30/03/2016

Em três minutos, Temer deu um golpe no PMDB e quer usurpar o governo

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O PMDB deixa o governo numa reunião de 3 minutos – e esvaziada. Ou seja, o Michel Temer deu um golpe no próprio partido. Cada vez fica mais claro que o impeachment é um golpe. Simples assim! Confira artigo publicado na Folha.

O PMDB oficializou, nesta terça-feira (29), o desembarque da sigla do governo Dilma Rousseff. A decisão foi tomada por aclamação, em reunião que…
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