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O balanço da Rede e o surgimento do ‘terceiro campo’

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Às vésperas do fechamento do troca-troca partidário oficial, as forças políticas realizam balanços de suas perdas e ganhos  – ou de redução de danos em alguns casos. É possível na reta final algumas surpresas e migrações de impactos políticos e quantitativos.

Marina lidera seringueiros nos anos 80 em um “empate” contra a derrubada de árvores  

Porém algumas constatações já podem ser feitas, ainda que a dinâmica política é pródiga em revelar surpresas. Grosso modo, as movimentações ocorridas até aqui apontam para um crescimento substancial da Rede, o que acabou provocando um efeito colateral de “contenção” sobre o Psol, legenda que teve sua expansão contida pelo arrastão do partido marineiro. O PCdoB foi outra legenda duramente afetada pela Rede, perdendo dois jovens parlamentares, ou seja, 20% da bancada na Câmara dos Deputados. O partido ficou sem representação federal nos estados da região Sul.

O PT, submetido ao longo ciclo de desgaste dos escândalos do chamado “Mensalão” e da controversa “Operação Lava Jato”, preservou no essencial suas forças. O impacto na bancada federal foi mínimo e as perdas maiores ficaram restritas aos municípios de pequeno porte, com a debandada de prefeitos, vereadores e lideranças locais. O fato ressalta certa solidez organizativa do petismo e uma implantação consolidada, apesar do desastre político em curso com as opções neoliberais do governo Dilma/Levy, que atingem principalmente a base social e militante do partido.

Entre os partidos localizados no espectro ideológico do centro à direita ocorreu o fenômeno tradicional da “dança das cadeiras”.

A Rede pretende constituir um “terceiro campo” entre o petismo e o tucanato, polarização que domina há mais de vinte anos a arena política e eleitoral do país. Um ciclo que apresenta sinais de esgotamento.

A legenda de Marina cresceu baseada em três vertentes: primeira, cresceu pela esquerda, filiando parlamentares de esquerda e militantes oriundos desse campo. Apesar do ecletismo e de indefinições programáticas, o partido não foi assaltado por políticos direitistas.

Segundo, a Rede se apresenta como novidade, o novo ante o desgaste das atuais legendas e da forma tradicional de ação política. O partido liderado por Marina Silva adotou uma forma horizontal de organização e formulou um estatuto com mecanismos inovadores.

Terceiro, o partido busca representar e vocalizar as demandas de uma base social residente nos grandes centros urbanos: jovens de classe média, profissionais de estratos médios e setores da intelectualidade. Uma base social tendencialmente progressista e democrática que acompanhou o PT por um longo período.

Portanto, diante da crise orgânica, identitária e de projeto político da esquerda tradicional no atacado(e em particular do PT), a Rede tem um espaço para ocupar e avançar. Resta saber se reunirá as capacidades táticas e estratégicas para  assegurar tal finalidade. É uma condição não dada, depende do curso político e do desfecho da disputa entre as diversas alternativas na conflituosa conjuntura atual.

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