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Volkswagen em inferno astral: denunciada no Brasil por ligação com ditadura, flagrada nos EUA por fraude e com renúncia de presidente

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Fundada em 1937, na Alemanha que vivia o auge do regime nazista, Volkswagen vive pesadelo; no Brasil, é denunciada formalmente ao MPF como colaborada da ditadura militar (1964-1985) na perseguição a trabalhadores; nos Estados Unidos, fraude em regras de proteção ao meio ambiente devem causar multa bilionária; presidente mundial Martin Winterkorn renuncia em meio aos escândalos.

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Berlim(Reuters) – O presidente-executivo da Volkswagen, Martin Winterkorn, renunciou ao cargo nesta quarta-feira, assumindo responsabilidade pela fraude em testes de emissão de poluentes executados nos Estados Unidos em veículos da montadora, no maior escândalo já enfrentado pelo grupo de 78 anos.

“A Volkswagen precisa de um novo começo, também em termos de pessoal. Estou liberando o caminho para este novo começo com a minha renúncia”, disse Winterkorn em comunicado.

O executivo afirmou que ficou chocado com os eventos dos últimos dias e sobretudo com o fato de que uma fraude desta escala pudesse ser possível na companhia.
Um comitê-executivo de cinco integrantes interpelou Winterkorn, de 68 anos, desde cedo nesta quarta-feira na sede da Volkswagen em Wolfsburg, na Alemanha. A empresa está sob intensa pressão para promover medidas decisivas. As ações do grupo acumulam queda de 30 por cento desde o surgimento da crise e com mais más notícias a caminho.

Promotores alemães disseram nesta quarta-feira que estão realizando uma investigação preliminar sobre a manipulação de resultados de testes de emissão de poluentes em veículos da marca, enquanto a ministra de Energia da França, Ségolène Royal, afirmou que o país pode ser “extremamente severo” se sua investigação encontrar qualquer delito.
Autoridades nos Estados Unidos estão planejando abrir investigações criminais depois da descoberta de que a Volkswagen programou sistemas eletrônicos de seus carros para detectarem quando os veículos eram submetidos a testes e com isso alterarem o funcionamento dos motores a diesel para reduzirem a emissão de poluentes.

A Agência de Proteção Ambiental dos EUA afirmou na sexta-feira que a Volkswagen poderá enfrentar penas de até 18 bilhões de dólares por falsificar os testes de emissão de alguns modelos de carros com motores a diesel. (Por Andreas Cremer)

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Abaixo, notícia de BR: sobre a formalização das denúncias de colaboração da Volks com a ditadura militar brasileira na perseguição a trabalhadores.

Documentos, provas físicas e testemunhais chegaram nesta terça-feira 22 às mãos dos procuradores do Ministério Público Federal contra a Volkswagen; multi alemã é acusada de ter colaborado diretamente com a ditadura militar brasileira; sistema de informação da empresa foi implantado por criminoso nazista Franz Paul Stangl; empresa vive inferno astral nos EUA e no Brasil /// Lucio Belantani, ferramenteiro. Expedito Soares, inspetor de qualidade. Tarcísio Tadeu Garcia Pereira, instrutor de ferramentaria. Metalúrgicos da fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campos, nos anos 1970, eles têm uma marca em comum: foram perseguidos, demitidos e entregues aos órgãos de segurança do regime militar brasileiro pela direção da Volks do Brasil.

Mais de 40 depois, o Ministério Público Federal recebeu, nesta terça-feira 22, em São Paulo, denúncia formal contra a multinacional alemã, por sua colaboração direta com a ditadura. É a primeira vez no Brasil que uma empresa é denunciada por associação com os crimes praticados pelo regime militar e considerados de lesa-humanidade.

A denúncia formalizada por centrais sindicais e comissões da verdade contém a informação de que o sistema de segurança e repressão interna da Volks foi montado, na fábrica de São Bernardo, pelo criminoso nazista Franz Paul Stangl. Ele comandou a área de informações da Volks do final dos anos 1950 a 1967, quando foi deportado após a confirmação de que chefiara dois campos de concentração na Polônia, durante a Segunda Guerra Mundial, nos quais milhares de pessoas foram mortas.

Stangl foi substituído pelo coronel do exército brasileiro Adhemar Rudge, que seguiu os métodos de espionagem sobre funcionários implantados pelo antecessor.

“A Volks cometeu verdadeiras barbaridades, mas ficou impune até aqui”, disse ao BR: o presidente da Central Brasileira dos Sindicatos (CSB), Antônio Neto, um dos coordenadores da ação contra a multinacional alemã. “O trabalho do Ministério Público, a partir da farta documentação que levantamos, vai repor a verdade”.

O sindicalista Álvaro Egeia foi um dos inspiradores da ação entregue ao MPF. “A Volks ceifou carreiras, desarticulou famílias e cumpriu um papel cruel durante os anos de chumbo”, sublinhou Egeia.

Belantani, num dos casos considerados mais dramáticos, foi preso sob a mira de metralhadoras em seu posto de trabalho, espancado dentro do departamento pessoal da empresa e levado diretamente ao DOI-Codi, onde foi torturado por 45 dias seguidos, em 1972. O metalúrgico ficou preso durante dois anos mesmo sem ter sofrido qualquer tipo de condenação. “Assim como eu, dezenas de operários da Volks foram perseguidos de forma semelhante”, contou Belantani ao BR:

Perseguido e demitido

O então metalúrgico Tarcísio Tadeu foi um deles. Integrante do comando do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo durante as históricas greves da virada dos anos 1970-1980, ele entrou para a Volks em junho de 1969. Em 1978, Tarcísio foi confinado em regime de cárcere privado dentro da fábrica, demitido sumariamente e levado da empresa sob força policial, ainda que não tivesse feito qualquer movimento de resistência.

“A Volks me espionou, perseguiu e entregou minha ficha para os órgão de repressão”, assinala Tarcísio. “Eu fui incluído na lista negra daqueles tempos, sem condições de arrumar trabalho em outras fábricas da região. Foi um longo período de grandes dificuldades”, completa. Ele assinala que o ambiente dentro da fábrica sempre foi de vigilância política sobre os trabalhadores. “O que hoje os trabalhadores organizadores fazem hoje com normalidade, como discutir internamente as condições de trabalha, a segurança no serviço e todas as questões ligadas ao emprego, para a Volks era crime”, compara.

Fonte: BR: Dois Pontos

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