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Opinião ## A greve da UFPR e a “Pátria Educadora”

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Em 6 de agosto, uma assembleia de docentes da UFPR, logo no início do semestre letivo, com o voto da maioria dos presentes em Curitiba, Jandaia do Sul e Matinhos, aprovou a deflagração de uma greve, iniciada no dia 12. Os servidores técnico-administrativos da UFPR já se encontravam paralisados havia cerca de dois meses.

Foto de APUFPR.

Por Christian Mendez Alcantara*

A deliberação aprovando a greve, direito assegurado ao trabalhador na Constituição Federal, desperta algumas questões num país que atravessa grave crise econômica e institucional. O que recentemente ocorreu na Grécia e no pagamento dos servidores públicos estaduais no Rio Grande do Sul deve servir de alerta.

É importante que o movimento grevista da UFPR dialogue e se comunique com a sociedade das mais diferentes formas. Explicite que não tem demandas apenas corporativistas, mas tem um compromisso especialmente com a educação de nosso país, de nosso estado e de nossa sociedade. Nesse período complexo e turbulento no qual vivemos, é necessário inovar, pois as greves tradicionais apresentam sinais de esgotamento.

É possível e provável que as pessoas que perderam ou lutam para manter seus empregos em organizações privadas tenham dificuldade em compreender demandas essencialmente corporativas que implicam apenas em solicitações de reajustes de subsídios ou vencimentos. Isso recentemente foi apontado na mídia, em relação a algumas categorias de servidores públicos, e serviu para acirrar o clima de confronto entre os diferentes poderes da República.

Os cortes do orçamento federal, cujo lema no segundo mandato é “Pátria Educadora”, afetaram diretamente as universidades federais. Reduziram gastos de capital e custeio. Unidades recentes da UFPR podem ser afetadas com maior intensidade, como é o caso do câmpus de Jandaia do Sul e, mais recentemente, do curso de Medicina na cidade de Toledo.

Recursos para pós-graduação também foram reduzidos. No caso do Programa de Apoio à Pós-Graduação (Proap), a redução foi de 75%. Grande parte da pesquisa científica no Brasil é realizada nesses cursos. Há relatos de bancas de mestrado e doutorado sendo realizadas a distância – situação possível, mas longe do ideal. Em alguns casos, para manter as atividades, os pesquisadores estão comprando passagens e diárias com seus próprios recursos, o que certamente não é o mais adequado.

Um dos desafios dos movimentos dos servidores docentes e técnico-administrativos é demonstrar que a greve pode contribuir com a melhoria do ensino, da pesquisa e da extensão na UFPR, repercutindo de forma positiva e efetiva para a sociedade paranaense em áreas estratégicas como educação, saúde, ciência e desenvolvimento tecnológico.

É fundamental que as categorias não se aferrem apenas a interesses corporativos, como parece acontecer com outras reivindicações de servidores públicos. É necessário demonstrar que a universidade pública, gratuita e com qualidade é vital e estratégica para uma sociedade que pretende ser mais educada, desenvolvida e solidária.

* É professor titular da UFPR.
**Artigo publicado originalmente na Gazeta do Povo, edição impressa – 21/08/2015
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