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Direito à cidade ## Ocupação cultural é despejada no São Francisco

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Integrantes de Ocupação Cultural no centro de Curitiba são despejados após ação de reintegração de posse

OCEL1

Via Terra de Direitos

O dia amanheceu triste para os ocupantes de um prédio de 22 andares no centro da capital paranaense. Nesta sexta-feira (8), cerca de dez pessoas que integravam a Ocupação Cultural Espaço da Liberdade (OCEL)  tiveram que sair do imóvel após liminar judicial, resultado da ação de reintegração de posse movida pela proprietária do local, Weber Construções Civis.

Abandonado há mais de 20 anos, o prédio é um velho conhecido dos curitibanos. Situado na esquina entre a Rua São Francisco e a Rua Presidente Faria, foi durante muito tempo ponto para uso de drogas e para acúmulo de lixo.

Desde outubro de 2014 o local estava sendo ocupado pela OCEL, que transformou em um ambiente de organização coletiva onde eram desenvolvidas diversas atividades artísticas.

Oficinas de agroecologia, bazar de venda e troca de produtos artesanais, oficinas de serigrafia, dança afro, hip hop, cine clube e apresentações de teatro, foram algumas das ações realizadas pelos coletivos que ocupavam o espaço.

No último mês, em uma parceria com a Organização Terra de Direitos e a Comunidade Quilombola Paiol de Telha, a OCEL promoveu o sarau “Quilombo Cultural: Território em Luta”. Centenas de pessoas participaram do evento que arrecadou doações para a ocupação e para o Paiol de Telha , que contou com uma tarde inteira de atrações culturais.

Pacífica, mas melancólica

(foto: Augusto Rizzo)

Com a presença da Polícia Militar, a reintegração aconteceu de forma bem pacífica, mas chamou atenção de quem passava pelo número de viaturas e policiais.

Carolina Luz, estudante de direito da UFPR e integrante do Movimento de Assessoria Jurídica Universitária Popular – MAJUP Isabel da Silva, estava no local no momento da reintegração e afirma que não houve qualquer conflito. “Estava tudo bem calmo, as pessoas estavam tirando os móveis e não teve nenhuma confusão. A única coisa é que os policias ficaram provocando, mandando eles tirarem tudo logo, intimidando mesmo”, contou a estudante.

Carolina disse que ficou claro que qualquer reação para as provocações poderia resultar num ataque violento da polícia. “Parece que eles estavam só esperando que qualquer um respondesse qualquer coisa”, destacou.

Com a decisão da Justiça, o coletivo de artistas terá de deixar o lugar. Aqueles que utilizam o imóvel como moradia, estão agora desabrigados. Dessa forma, mais um espaço abandonado em região central da cidade deixará de ter uma função social e artística.

E os 22 andares do prédio voltarão, mais uma vez, a ficar inutilizados.

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