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Arquivo do mês: maio 2015

Greve de fome de professores e aluna desafia intransigência do governador tucano Beto Richa

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Greve de fome de professores e aluna desafia intransigência do governador tucano Beto Richa;

Parceria em rede: Blog do Esmael e Blog do Milton Alves 

Os professores Pierre Cardoso Pinto (6º dia) e Nilsa Barbosa da Paz (4º dia), aliados à estudante Júlia Campos (3º dia), representam nessa greve de fome o conjunto da educação paranaense contra a intransigência do governador Beto Richa; abaixo, assista ao vídeo do Blog do Esmael.

O professor Pierre Cardoso Pinto, da Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR), a professora Nilsa Barbosa da Paz e a estudante Júlia campos, da Unespar (Universidade Estadual do Paraná), desafiam o governo Beto Richa (PSDB) com uma greve de fome a 50 metros do Palácio Iguaçu, no Centro Cívico, em Curitiba. Eles prometem se martirizarem pela causa dos 8,17% de reajuste na data-base, pela intervenção federal no Estado e pelo impeachment do tucano.

O Blog do Esmael, com assistência de Milton Alves, foi no início desta noite de sábado (30) à barraca central da APP-Sindicato na Praça 39 de Abril, a antiga Praça Nossa Senhora Salete, conversar com os três personagens que doaram sua saúde pela causa. Ontem (29), por exemplo, Pierre precisou de atendimento do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Hoje ele entrou no sexto dia de greve de fome, ingerindo somente água, ar e solidariedade.

Assista ao vídeo

A greve de fome é uma medida extrema de luta contra injustiças que pode causar cegueira e doença cardíaca, que podem levar à morte em poucos dias. Mas foi a forma que os grevistas encontraram para protestar contra a intransigência do governador do PSDB com o magistério paranaense.

Se o governador Beto Richa precisava de um cadáver por causa da intransigência, pelo andar da carruagem, logo ele poderá contar com três – a julgarmos pela disposição da trinca de heróis grevistas. A romaria ao local em frente à Assembleia Legislativa, e apoio da população que se manifesta buzinando, incomoda muito aos deputados governistas e ao inquilino do Palácio Iguaçu.

O Blog do Esmael solidariza com os heróis em greve de fome. Quem quiser segui-los no Facebook basta clicar aqui.

Marcha da Maconha – 2015 neste domingo em Curitiba

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Neste domingo(31), acontece a edição 2015 da Marcha da Maconha. Os participantes do movimento exigem o fim da política proibicionista e a descriminalização da erva, que tem milhões de usuários no país. A maconha também tem sido cada vez mais utilizada para fins terapêuticos e medicinais.

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SERVIÇO

DATA: 31 de Maio, Domingo
HORÁRIO: Concentração às 15h / Saída às 16h20
LOCAL DA CONCENTRAÇÃO: BOCA MALDITA
TRAJETO: Boca Maldita – Rua das Flores – Paço da LiberdadePraça 19 De DezembroPalácio Iguaçu.

ATENÇÃO

Lembrem-se da regra de ouro: Sem Flagrantes, Sem Problemas!
EVENTO PARA MAIORES DE 18 ANOS

“O Syriza e o Podemos abriram um espaço político”, analisa David Harvey

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Para o geógrafo britânico, os partidos tradicionais tornaram-se incapazes de enfrentar o capitalismo reconfigurado. Mas grupos como o Syriza e o Podemos multiplicam o alcance das “políticas do cotidiano” praticadas pela juventude anti-sistema. Myke Watson entrevista David Harvey, para a Verso Books .

Conhecido pela abordagem não convencional que introduziu no debate sobre o Direito à Cidade e pela sua leitura heterodoxa da obra de Karl Marx, o geógrafo David Havey parece cada vez mais disposto a participar do esforço pela renovação do pensamento e lutas anticapitalistas. A partir de 2011, já examinara atentamente movimentos como a Primavera Árabe, os Indignados e o Occupy. Agora, aos 79 anos, segue com atenção formações políticas que, embora tendo o marxismo como fonte (não única…) de inspiração, diferem em muito dos partidos tradicionais de esquerda — nos programas, práticas e métodos de organização. Volta os olhos, em especial, para o Syriza grego e Podemos espanhol.

Na entrevista a seguir, Harvey fala brevemente — porém de forma incisiva — sobre estes novos movimentos-partidos. Vale a pena reter três pontos suscitados pelo geógrafo: a) Segundo ele, o cenário das lutas políticas e culturais é menos sombrio do que vezes parece. A esquerda histórica perdeu a capacidade de dialogar com os novos movimentos. No entanto, eles multiplicam-se, ao reunir um número crescente de pessoas que, no meio de um mundo desumanizado, “procuram uma forma de existência não-alienada e esperam trazer de volta algum sentido à própria vida”; b) Syriza e Podemos não se definem como anticapitalistas, mas isso é o que menos importa. Eles dão sentido e força à revolta de quem se sente desamparado pela redução dos direitos sociais. Ao fazê-lo desafiam o principal projeto do sistema: uma nova onda de reconcentração de riquezas, expressa nas políticas de “austeridade” ou “ajuste fiscal”; c) Talvez o calcanhar-de-aquiles das políticas hoje hegemônicas esteja na Europa. Ao empurrarem a Grécia para fora do euro, a oligarquia financeira pode produzir uma tempestade de consequências imprevisíveis. Segue a entrevista (A.M.).

No seu último livro, afirma que Marx optou pelo humanismo revolucionário em vez do dogmatismo teleológico. Onde seria possível encontrar um espaço para a concretização deste humanismo revolucionário?

Isto não é uma coisa que precisamos de inventar – existem muitas pessoas por aí fora em conflito com o mundo em que vivem, que procuram uma forma de existência não-alienada e esperam trazer de volta algum sentido à própria vida. Penso que o problema está na incapacidade da esquerda histórica em saber lidar com este movimento, que pode realmente modificar o mundo. No momento, os movimentos religiosos (como o evangélico) têm-se apropriado desta procura por sentido, o que pode implicar, politicamente, na transformação destes movimentos em algo totalmente diferente. Penso, por exemplo, no ódio contra a corrupção, no fascismo em ascensão na Europa e no radicalismo do Tea Party norte-americano.

O livro encerra com uma discussão sobre as três contradições perigosas (crescimento ilimitado, a questão ambiental e alienação total) e diversos caminhos de mudança. Isto seria um tipo de programa ou a revolta precisa basear-se numa espécie de coligação fluida de diferentes formas de insatisfação?

A convergência entre diversas formas de oposição sempre terá importância fundamental, conforme vimos em Istambul, com o parque Gezi, e no Brasil. O ativismo político é de importância fundamental e, novamente, creio que o problema esteja na incapacidade da esquerda em canalizá-lo. Há diversas razões para isto, mas penso que o motivo principal seja o fracasso da esquerda em abandonar a sua ênfase tradicional na produção em favor de uma política da vida quotidiana. A meu ver, a política do quotidiano é o ponto crítico a partir do qual podem desenvolver-se as energias revolucionárias, e onde já ocorrem atividades orientadas para a definição de uma vida não-alienada. Tais atividades estão antes relacionadas ao espaço de vida do que ao espaço de trabalho. Syriza e Podemos oferecem-nos um primeiro vislumbre deste projeto político – não são revolucionários puros, mas despertaram grande interesse.

O Syriza tem desempenhado um papel trágico, no sentido clássico do termo. Está efetivamente a salvar o euro (que tem sido instrumento de violência de classe) também para defender a ideia de Europa, uma das bandeiras da esquerda nas últimas décadas. Considera que o partido encontrará espaço político ou acabará por fracassar?

Neste caso, afirmar o que seria um sucesso ou fracasso não é fácil. Em muitos aspectos, o Syriza irá fracassar a curto prazo. Mas acredito que a longo prazo terá alcançado uma vitória por ter suscitado questões que não poderiam ter sido ignoradas. No momento, a dúvida gira em torno da democracia e o seu significado, quando você tem Angela Merkel a governar de modo autocrático, a decidir a vida de todos os europeus. Chegará o momento em que a opinião pública irá clamar pela queda dos governos autocráticos. Em último caso, se Merkel e os líderes europeus não mudarem as suas posições e forçarem a Grécia a sair da Europa (como provavelmente farão), as consequências serão bem mais sérias do que hoje se imagina. Políticos normalmente cometem graves erros de julgamento, e eu considero este um desses casos.

No livro prevê um novo ciclo de revoltas. Porém, uma avaliação dos últimos anos terá que reconhecer que a Primavera Árabe foi um desastre e que o Occupy não foi capaz de se transformar numa força política eficaz. Considera que a resposta está num partido como o Podemos, que tem sido capaz de dar expressão política aos protestos de 2011 na Espanha?

O Syriza e o Podemos abriram um espaço político, pois algo novo está a acontecer. E o que seria isto? Não sou capaz de responder. Logicamente aqueles que pertencem à esquerda anticapitalista irão acusá-los de “reformistas”. O que até pode ser verdade, mas também foram as primeiras forças a promover determinadas políticas, e uma vez iniciado este novo caminho, surgirão novas possibilidades. Romper de uma vez por todas com o mantra da “austeridade” e esmagar o poder da troika [FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia, que impõem as políticas económicas nos países europeus em crise] abriria, acredito, um espaço para novas perspectivas, que poderiam ser desenvolvidas adiante. Na atual situação, penso que estes modelos de partidos que vemos surgir na Europa, que começam a definir alternativas de esquerdas atualmente em falta, são as melhores opções. Provavelmente serão populistas – com todos os limites e perigos que o populismo implica –, mas como eu disse, trata-se de um movimento: ele abre espaços, e o modo como utilizamos estes espaços depende da nossa capacidade de perguntar, “Ok, agora chegamos até aqui, o que devemos fazer agora?”.

Você acredita que o neoliberalismo foi apenas um momento de mudança que será superado pela reorganização do capital pós-crise? Ou acha que ele será reforçado com novo vigor?

Eu diria que o neoliberalismo nunca esteve tão forte quanto agora: o que é a “austeridade” efetivamente, senão a transferência de recursos das classes baixas e médias para as classes altas? Se olharmos as informações sobre quem beneficiou com as intervenções estatais desde a crise de 2008, veremos que foi o 1% da população, ou melhor, o 0,1%. É lógico que a resposta para isto depende de como se define o neoliberalismo, e minha definição (um projeto da classe capitalista) talvez seja algo distinta da de outros estudiosos.

Quais foram as novas “regras do jogo” instauradas no sistema capitalista após 1970?

Por exemplo, no caso de um conflito entre bem-estar coletivo e resgate dos bancos, salva-se os bancos. Em 2008, estas regras foram aplicadas de um modo bastante claro: salvaram os bancos. Porém, poderíamos facilmente ter resolvido os problemas daqueles que foram despejados, atendendo a necessidade da população por habitação, e só então ter dado atenção à crise financeira. A mesma coisa ocorreu com a Grécia, a quem foi emprestado um bocado de dinheiro que foi direto para os bancos franceses e alemães.

Por que, então, foi preciso que os gregos atuassem como intermediários na transferência entre os governos e bancos?

A estrutura em funcionamento permite que a Alemanha não tenha que salvar diretamente os bancos alemães, ou a França os bancos franceses: sem a Grécia no meio, teria ficado óbvio o que estavam a fazer. Ao passo que, daquele outro modo, o fato de terem despejado todo este montante de dinheiro faz parecer que a Grécia foi tratada com generosidade, quando na verdade estes fundos foram diretamente para os bancos.

Você mencionou o 1%. Como marxista, considera este dado apenas um slogan eficiente, vê nele algum valor analítico ou acha que só ajuda a desviar a atenção do conceito da luta de classes?

Se aceitamos o materialismo histórico-geográfico, temos que reconhecer que as contradições evoluem constantemente, e o mesmo deve acontecer com as nossas categorias. Ao referir-se ao “1%”, portanto, o Occupy foi bem sucedido ao introduzir este conceito no debate público. É evidente que a riqueza deste 1% aumentou de forma maciça, como mostram Piketty e todos os dados. Por outras palavras, falar sobre o 1% é reconhecer que criámos uma oligarquia global, que não coincide com a classe capitalista, mas que está no centro dela. É como uma palavra-chave que serve para descrever o que a oligarquia global está a fazer, dizer e pensar.

*Fonte:Outras Palavras

**Tradução de Evelyn Petersen

Um mês após o massacre dos professores, cem mil paranaenses nas ruas hoje: Fora Beto Richa

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Nesta sexta-feira, dia 29 de maio, haverá uma marcha histórica em todo o Paraná! A data marca um mês do massacre que os professores(as) sofreram no Centro Cívico, em Curitiba, e também faz parte do Dia Nacional de Manifestações e Paralisações convocado pelas centrais sindicais e movimentos sociais

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Massacre dos professores faz um mês e a greve continua

Beto Richa: intransigência e mentiras

Na pauta estadual dos educadores está a reposição da data-base em 8,17% pago em única parcela. A proposta que o governo apresentou passa longe de qualquer expectativa dos(as) servidores(as): mudar a data-base e conceder uma reposição de 3,45%, referente à inflação de maio a dezembro de 2014, em três parcelas (em setembro, outubro e novembro de 2015) e a inflação de 2015 seria paga em parcela única no mês de janeiro de 2016, com a antecipação da data-base.

De acordo com análise técnica da APP-Sindicato, com a medida, cada servidor(a) irá perder, ao longo do ano, o equivalente a metade de um salário atual. Uma professora que recebe R$ 1. 300,00 por mês perderá, ao final de 2015, cerca de R$ 650,00. “A APP não concorda com a proposta. A a entidade e os demais sindicatos de servidores continuam defendendo a reposição da inflação do período, que é 8,17%, em parcela única”, ressaltou o presidente da APP, professor Hermes da Silva Leão.

Não ao ajuste fiscal

As mobilizações de hoje são contra o ajuste fiscal (MPs 664 e 665) que tira direitos dos(as) trabalhadores(as) e corta investimentos em políticas públicas, o Projeto de Lei da Terceirização (agora no Senado como PLC 30), contra a redução da maioridade penal e contra a PEC da Corrupção (PEC 452) que legaliza o financiamento empresarial de campanha e agrava ainda mais a corrupção no Brasil.

O objetivo é mobilizar 100 mil pessoas nas ruas de todo o Paraná. Em Curitiba, o ato inicia-se na Praça 19 de Dezembro a partir das 9h. As centrais sindicais e os movimentos sociais participarão da marcha que seguirá até o Centro Cívico.

*Fonte: APP e centrais sindicais

Máfia da CBF e tucanos agem para ‘blindar’ Del Nero após prisão de Marin

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Tentativa dos dirigentes é de’blindar’ o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, um comparsa dos malfeitos de Marin e sua turma.

images (3)Marin com Aldo Rebelo(PCdoB), ex-ministro do Esporte, durante preparação da ‘arapuca’ da Copa da Fifa, que torrou bilhões da nação

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) agiu rapidamente e, horas depois da prisão do ex-presidente José Maria Marin por suspeita de corrupção na Fifa, deu início a uma operação para blindar o atual comandante da entidade, Marco Polo Del Nero. A intenção é dissociar qualquer ato que envolva o dirigente que “governou” até o dia 15 de maio passado da atual administração. O nome de Del Nero não foi citado nas investigações feitas pela polícia norte-americana nem pelas autoridades suíças.

> Marin recebeu propinas de R$ 2 milhões por ano pela Copa do Brasil

O secretário-geral da entidade, Walter Feldmann(PSDB), declarou no início da tarde de quarta-feira(27) que o ambiente na sede da CBF está “tranquilo” e que o expediente segue com normalidade. “Queremos o aprofundamento das investigações, o esclarecimento total dos fatos”, disse.

Ele insistiu que Del Nero assumiu a presidência apenas em 16 de maio, ou seja, pouco mais de 40 dias atrás, e que desde então tem trabalhado “para modernizar e dar transparência à gestão”.

> Contrato de patrocínio esportivo da CBF também é alvo da Justiça dos EUA

Del Nero foi vice de José Maria Marin, mas o secretário-geral não acredita que a prisão do octogenário dirigente possa respigar no atual presidente. “A função (na CBF) é muito clara. O presidente é quem dá das determinações. Não há a menor preocupação nossa ou do Del Nero”, garantiu Feldmann.

Ainda durante a manhã, a CBF divulgou nota oficial, de apenas quatro linhas, em que, sem citar nome algum, defende as investigações, ressalta que a administração Del Nero teve início em 16 de maio último e diz que “a entidade aguardará, de forma responsável, sua conclusão, sem qualquer julgamento que previamente condene ou inocente”.

Agora é a vez de aumentar a pressão sobre a CBF para abrir sua ‘caixa preta’ e investigar as contas da entidade.

*Com agências

Beto Richa quer implantar “política de reajuste salarial a perder de vista” para os professores. O avesso da Casas Bahia!

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O tucano Beto Richa quer implantar uma “política de reajuste salarial a perder de vista”, uma reposição da inflação de 2014 que só seria completada em 2017. Pela proposta em discussão no desgoverno do Paraná, o reajuste de 8.17% seria pago em quatro prestações: 2 agora em 2015 e duas no primeiro semestre de 2016. Além disso, ele quer antecipar a data base do mês de maio para o mês de janeiro, o que implicará numa redução do índice de reposição da inflação de 2015.

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Beto Richa e Mauro Ricardo: “reajustes a perder de vista” para os professores…

Ou seja, enquanto as Casas Bahia, rede de varejo popular, alonga o crédito para a venda de suas mercadorias em até 30, 60 meses, o desgovernador Beto Richa pretende o avesso: pagar os reajustes salariais em suaves e longas prestações. Mais uma invenção tucana do secretário da demolição do Paraná, Mauro Ricardo.

A proposta também será tramitada na Alep sem pressa, segundo o ‘capacho líder’ da bancada do camburão, o sacripanta Romanelli.

Questões como a retroatividade das perdas, o descumprimento da lei do piso e a reposição das aulas também precisam de uma definição clara por parte do governo.

A manobra governista e de sua base aliada na Assembleia Legislativa consiste em ganhar tempo, prolongar o impasse, com o objetivo político claro de jogar a população contra os professores e servidores. Tudo para tentar limpar um pouco a imagem suja e desgastada de Beto Richa.

O governo e a maioria governista na Alep operam um jogo de cena sobre a negociação, e não apresentaram até agora ao sindicato dos professores(APP) e ao Fórum Estadual dos Servidores mesmo essa esdrúxula e indecente “proposta”.

Mais uma vez, Beto Richa brinca com a paciência dos professores e do povo do Paraná.

Beto Richa, o político mais impopular do país

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Beto Richa em cacos. Novas denúncias pioram a vida do político mais impopular do momento

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Antes “promessa”, Richa agora evita os eleitores

Via Carta Capital

Uma autoridade isolada, acuada por protestos e cercada de denúncias de corrupção. Dilma Rousseff? Não, Beto Richa, governador do Paraná! Perto de completar 150 dias do segundo mandato, para o qual foi eleito no primeiro turno com 55% dos votos, o tucano assiste, prostrado, ao desmoronamento completo de seu governo. O estado está mergulhado em profunda crise política, financeira e ética. O antes “popular” Richa, uma das “caras novas” do PSDB, esconde-se nos desvãos do poder e foge do contato com os eleitores, enquanto o secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, inventa fórmulas mágicas para evitar a insolvência da administração.

A ausência de liderança do tucano torna-se cada vez mais visível, mais emblemática, nos momentos cruciais. Em fevereiro, quando os professores invadiram o prédio da Assembleia Legislativa para impedir a aprovação de um pacote de maldades, entre eles, o confisco de seu fundo de previdência, Richa fugiu do Palácio Iguaçu, localizado no outro lado da praça, e se escondeu no Chapéu Pensador, residência oficial coberta com muito verde e cercada de muros e seguranças. Em 29 de abril, dia em que a Polícia Militar feriu com gás e balas de borracha mais de 200 servidores, além de jornalistas, o governador só reapareceu para conceder uma desastrada entrevista e culpar as vítimas pela batalha campal. Segundo ele, a PM reagiu “pelo instinto de sobrevivência”. Após a repercussão negativa de suas declarações, viu-se obrigado a pedir desculpas. Foi pouco. Na esteira da crise, o comandante da PM, o secretário de Segurança, Fernando Francischini, e o secretário de Educação, Fernando Xavier, deixaram os cargos.

Na terça-feira 19, enquanto cerca de 30 mil servidores voltavam às ruas de Curitiba para exigir a retomada das negociações salariais, o tucano voava para Brasília. Uma foto ao lado do senador mineiro Aécio Neves que ilustrava as notas oficiais só fez piorar a situação. “O Paraná está acéfalo, sem comando, sem uma liderança capaz de guiar seus destinos”, afirmou o deputado estadual Requião Filho, do PMDB. A sucessão de equívocos transformou Richa no político brasileiro mais impopular do momento. Sua rejeição beira os 80% e não se enxerga o fundo do poço. Pior: novas denúncias de corrupção o atingem em cheio.

No dia 15, o advogado Eduardo Duarte Ferreira, defensor do auditor fiscal Luiz Antônio de Souza, preso em Londrina pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), afirmou que seu cliente, em acordo de delação premiada com o Ministério Público, confirmou um repasse de 2 milhões de reais à campanha de reeleição de Richa. O dinheiro viria do pagamento de propina por empresas que se livraram da fiscalização da Receita Estadual e de multas.

O auditor, informou seu advogado, revelou que a arrecadação da propina era coordenada pelo inspetor-geral de fiscalização da Receita Estadual, Márcio de Albuquerque Lima, nomeado por Richa e parceiro do governador em provas de automobilismo. Souza teria sido convocado para uma reunião com Lima no início de 2014. No encontro, estabeleceu-se uma meta de arrecadação em torno de 2 milhões de reais, dinheiro enviado para um suposto caixa 2 da campanha tucana. A meta, teria relatado o auditor, foi atingida após a visita a três empresas com dívidas tributárias. Segundo ele, o esquema repetiu-se em outras delegacias da Receita Estadual. O dinheiro teria sido levado para Curitiba em malas ou amarrado ao corpo do transportador, em carros ou aviões. O próprio delator admitiu ter sido um dos entregadores.

A propina não teria abastecido só a campanha de Richa. Funcionários da Receita receberiam em média 100 mil reais por mês. A divisão ocorria da seguinte maneira: 50% para o auditor responsável, 40% divididos entre o inspetor regional e o chefe da delegacia regional e 10% para o caixa 2 do comitê da reeleição. Seriam movimentados 500 mil reais por mês, ou 6 milhões anuais.

Lima agiria em nome de Luiz Abi Antoun, primo de Richa, que o teria indicado para a função. O auditor, por sua vez, teria pago 20 mil reais do próprio bolso para a compra de divisórias e materiais utilizados no comitê de reeleição do tucano. Como prova, entregou à Justiça uma nota fiscal da compra.

No sábado 16, pelas redes sociais, Richa afirmou que o relato do auditor é “coisa de bandido” e que o Paraná não é bobo e sabe que há muitos interesses, principalmente políticos, tentando fazer um jogo sujo. “Querem desviar o foco de problemas maiores, inventando acusações falsas.” E acrescentou, em um ensaio de indignação: “Mas agora passaram dos limites. Pegaram um criminoso, réu confesso, preso por abuso de menores para me acusar sem nenhuma prova. Coisa de bandido”. Na quarta 20, voltou a atacar e culpou o PT pelas denúncias e pela greve dos professores.

O procurador de Justiça e coordenador estadual do Gaeco, Leonir Batista, reiterou que as denúncias serão investigadas antes de o Ministério Público se manifestar oficialmente. “Tudo o que sabemos e ouvimos foram declarações dadas pelo advogado do réu. Agora vamos apurar as denúncias e só assim poderemos ter uma posição sobre o caso”, afirmou a CartaCapital.

Na Assembleia Legislativa, os deputados de oposição tentam aprovar a criação de uma CPI da Receita Estadual, proposta em março. Segundo o deputado Requião Filho, a pressão para a base governista não assinar o pedido tem sido grande. “Os recados, explícitos ou velados, vêm em forma de ameaça aos parlamentares.” Nos corredores, vários deputados se declaram favoráveis à instalação da CPI, mas “todos querem ser o 18º a assinar”, diz Requião, por temerem as retaliações futuras do governo caso a proposta de comissão não consiga as assinaturas necessárias. Em outra ação, sete parlamentares apresentaram na segunda-feira 18 à Procuradoria Regional Eleitoral do Paraná um requerimento de instauração de inquérito na Polícia Federal para apuração das denúncias do auditor.

O Paraná, afirma Requião Filho, precisa ser passado a limpo e não é admissível o Parlamento assistir impassível aos acontecimentos. Sobre as declarações atribuídas ao auditor, demonstra certo ceticismo. “Não sei se ao vazar as informações da delação premiada ele quer amenizar a pena de seu cliente ou mandar um recado ao governador.”

Para o advogado Francisco Monteiro da Rocha Junior, doutor em Direito pela Universidade Federal do Paraná, o depoimento do auditor mostra que o iceberg da corrupção no estado pode ser bem maior do que se imagina. “Antes havia indícios de corrupção, mas faltava um nexo que pudesse ligar a ação dos auditores fiscais aos andares superiores do sistema.” Com as provas de autoria e materialidade, conclui, o inquérito policial é o primeiro passo. Caso o Ministério Público aceite a denúncia, criam-se as condições para a instauração de uma ação penal que deverá julgar não apenas os autores dos crimes, mas vinculá-los aos responsáveis pelos atos de decisão. “O lamentável no Brasil é que na maioria das vezes apenas aqueles que cometem o crime são punidos. Quem manda e se beneficia diretamente sai impune.”

Além da denúncia, Rocha Junior vê na apresentação da nota fiscal pelo auditor uma clara evidência de crime de falsidade ideológica para fins eleitorais, o chamado caixa 2. “Ora, se a nota fiscal comprova a aquisição de materiais para o comitê de campanha e essa despesa não consta na prestação à Justiça Eleitoral, fica evidente o crime.”

Se a investigação paranaense seguir o padrão federal de apuração dos desvios na Petrobras, a situação de Richa ficará bem delicada.

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