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Opinião ## Recuperar o apoio da classe trabalhadora

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É possível derrotar a direita com a ajuda do governo. Por algum tempo, é possível derrotar a direita até mesmo sem a ajuda do governo. Mas é impossível derrotar a direita, tática e/ou estrategicamente, se o governo trabalha contra isto.

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Por Valter Pomar*

Argentina, Venezuela e Brasil estão imersos em crises econômicas e políticas. Há quem diga que esta tripla crise tem raízes numa conspiração organizada pelo Departamento de Estado dos EUA.

Acontece que conspirações sempre existem e, portanto, elas sozinhas não podem explicar o que está ocorrendo. “A” causa de fundo da tripla crise é o esgotamento da estratégia seguida, nestes três países, pelos chamados governos progressistas e de esquerda.

Há várias maneiras de explicar este esgotamento: a) limites do reformismo nos países de capitalismo dependente; b) limites do progressismo num só país; c) limites de quem busca fazer reformas sem mudar as estruturas econômico-sociais fundamentais; d) limites de quem tenta melhorar a vida do povo sem fazer reformas estruturais.

E o Brasil é o “elo mais fraco da cadeia”, por diversos motivos, entre os quais:

a) melhoramos a vida das classes trabalhadoras, sem elevar de maneira correspondente seus níveis de politização e organização;

b) mantivemos intacto o oligopólio da mídia;

c) desde 2002 elegemos um presidente do PT e um Congresso onde as forças progressistas são minoritárias;

e) a maior parte da esquerda brasileira é adepta de uma estratégia conciliatória, tanto com o grande capital quanto com a centro-direita;

f) a maior parte da esquerda brasileira adotou uma estratégia principal ou exclusivamente institucional, facilitando a tomada das ruas e das mentes pela direita.

Resumo da ópera: no Brasil temos um governo que enfrenta com luvas de pelicas uma oposição de direita que adota táticas cada vez mais parecidas com as da direita venezuelana.

Há um impasse político de fundo: a institucionalidade não agrada à oposição de direita nem agrada a esquerda. À oposição de direita incomoda que as atuais regras do jogo permitiram (ou não impediram) ao PT vencer por quatro vezes a presidência. À esquerda incomoda que nestas quatro vezes não conseguimos maioria congressual, muito antes pelo contrário.

A esquerda tenta resolver o impasse político via participação popular, reforma política democratizante e Assembléia Constituinte.

A direita tenta resolver o impasse via repressão à participação popular, reforma política conservadora, judicialização da política e combinando formas de luta contra a presidência petista.

A combinação inclui: tentar nos derrotar eleitoralmente, praticar sabotagem a partir da oposição e do PIG, estimular a sabotagem a partir da oposição de direita, empurrar o governo a implementar o programa derrotado nas urnas e mobilização de massas.

É um erro caracterizar esta mobilização de massas da direita como “republicana”, “legítima” e “pacífica”, pois ela não visa apenas manifestar descontentamento ou defender o impeachment. A mobilização da direita visa criminalizar o PT e o conjunto da esquerda: nas palavras de um general de pijamas que deveria estar na cadeia, trata-se de nos excluir da vida pública.

A direita controla parte importante do judiciário, do Congresso e mesmo do governo. Se também controlar as ruas, game over. Por isto, é fundamental ampliar a mobilização.

É possível derrotar a direita com a ajuda do governo. Por algum tempo, é possível derrotar a direita até mesmo sem a ajuda do governo. Mas é impossível derrotar a direita, tática e/ou estrategicamente, se o governo trabalha contra isto.

A linha adotada pelo governo, tanto na economia quanto na política, divide a esquerda e alimenta a direita. É preciso recuar das MPs, propor que os ricos paguem o ajuste, incluir no ministério gente disposta e que saiba enfrentar a direita e dar protagonismo à presidenta da República.

As forças que elegeram Dilma no segundo turno presidencial e que defendem as reformas estruturais, devem constituir uma frente nacional em defesa da democracia e das reformas. Uma frente deste tipo tem um papel defensivo, mas também ofensivo: lutar pelas reformas estruturais, para recuperar o apoio ativo da maioria da classe trabalhadora e ganhar para nosso lado parte dos setores médios que hoje estão na oposição.

*É membro do Diretório Nacional do PT

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