Assinatura RSS

Batalha das ruas: A falácia sobre a “espontaneidade” das manifestações do dia 15

Publicado em

A mídia monopolista e políticos simpatizantes das manifestações ocorridas no último domingo(15) têm recorrido ao argumento de que as pessoas que foram protestar e pedir o impeachment da presidenta Dilma agiram de forma espontânea, sem prévia convocação. Ou seja, sem um centro organizador e convocador dos atos.

escobar-dilma

A Rede Globo interrompeu várias vezes a programação do Globo Esporte para transmitir boletins ao vivo de vários pontos do país. Assim procedeu o canal de notícias Globo News, na TV a cabo. “Os boletins noticiosos” funcionaram como chamadas para as manifestações.

Se é verdade que uma parcela compareceu aos atos sem vínculo com algum grupo organizador, também é verdadeiro que as manifestações foram preparadas e organizadas com bastante antecedência, utilizando diversas formas e meios – não só os eletrônicos, redes sociais e etc.

Diferentemente das manifestações de junho de 2013, as atuais mobilizações contaram com uma estrutura de convocação, que definiu agenda, horas e locais dos protestos, aluguel de carros-de-som, confecção de faixas e camisetas, impressos. É verdade também que surgiram no meio da multidão cartazes e faixas improvisadas. Mas neste dia 15, ficou evidenciado uma condução hierárquica e organizadora dos atos. Bastar recordarmos que as palavras de ordem foram dirigidas exclusivamente na direção do “Fora Dilma” e “Fora PT”.

Os grupos “Vem Prá Rua”, “Revoltados On-line” e “Movimento Brasil Livre” assumiram a convocação e organização das manifestações em entrevistas para a mídia convencional e nas páginas em redes sociais. Tais grupos, no momento, são compostos por gente profissionalizada, estrutura operativa e contam com recursos financeiros e materiais.

Além disso, a oposição institucional e partidária e setores do empresariado urbano e rural têm engordado a “caixinha” dos organizadores das manifestações, com generosas contribuições. É ingênuo acreditar que os interessados na demolição política do governo de Dilma não ajudem seus aliados nesta empreitada.

A abordagem midiática visa, claramente, criar uma clivagem na opinião pública quando compara as manifestações como as realizadas no dia 15 com o Dia Nacional de Luta(13), convocado pelas centrais sindicais e movimentos sociais, através de um viés negativo e desqualificador. Para a mídia monopolista, o esforço desqualificador busca deslegitimar  as manifestações e atos convocados pelas organizações dos trabalhadores e de movimentos sociais. Segundo a voz corrente na mídia dos poderosos quem foi para as ruas no dia 13 recebeu pagamento, lanche, transporte, e foram mobilizados para “defender o governo”, portanto, eram “atos governistas”, “chapa branca”. É um esforço desqualificador, que procura deslegitimar e isolar as organizações populares. Além, é claro, das tentativas abertas de criminalização do MST e dos movimentos dos sem tetos.

Neste sentido, na conjuntura política atual de crescente radicalização, é fundamental e necessário desmascarar a falácia sobre a “espontaneidade” das manifestações convocadas pela direita e conservadores.

O campo de batalha das ruas está minado pela avalanche midiática de desinformação e preconceito contra os movimentos populares e sociais. Mas será ocupando as ruas que vamos derrotar o retrocesso.

Anúncios

Manifeste-se!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: