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Parabéns professores! Greve derrotou política e moralmente o ‘pacotaço’ do gov. Beto Richa

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Março de 2015, milhares de professores decidiram encerrar nesta segunda-feira(9) a vitoriosa greve, que incluiu uma a ocupação democrática e ordeira da Assembleia Legislativa, com moral elevada e autoestima recuperada. E disposição combativa de continuar a luta dentro das escolas, pela base.

1.  Os  professores e demais profissionais da educação estão de parabéns. A direção sindical da APP está de parabéns. O movimento foi vitorioso. Tão importante como começar uma greve e saber sair dela, com acumulação de forças, organização e disposição combativa. E foi isso que aconteceu nesta manhã. Presencie a saudação da população ao comboio de ônibus lotados de professores que trafegavam pela Avenida das Torres.

2. O movimento impôs uma profunda derrota ao desastroso governo Beto Richa e ao seu plano de ajuste, conhecido popularmente como pacote de maldades. Mais que novas conquistas, a greve preservou os atuais direitos da categoria. Agora, o mais importante: derrotou politicamente o governo, que recuou do seu projeto de pulverização dos recursos da Paranáprevidência e se compromenteu a respeitar as reivindicações de caráter corporativo e profissional (quinquênio, pagamentos dos atrasados, entre outras questões).

3. O movimento, com forma de luta mais combativa, ocupou a Alep e,  de roldão, eliminou o abusivo e antidemocrático instrumento da “Comissão Geral”, o conhecido tratoraço. Acuou a chamada bancada do camburão, parlamentares da base aliada do governanador Beto Richa(PSDB). Foram inúmeros os protestos em todo o Paraná, galvanizando o apoio de 90% da popualação do estado. O movimento também estimulou a pequena bancada de oposição na Alep, basicamente PT e parte do PMDB, que atuou com desenvoltura durante o processo de resistência dos professores e de outras categorias do funcionalismo.

4. O governo Beto Richa saiu derrotado politicamente de todo o processo, com péssimos indicadores de avaliação na opinião pública do Paraná. A credibilidade da administração despencou. A palavra do governo de que não vai apresentar nova proposta de liquidar a Paranáprevidencia, será alvo de vigilância dos professores e do funcionalismo em geral.

5. A luta continua, como aprovou a assembleia da categoria. Estado de greve e continuidade da mobilização dentro das escolas, na base, para enfrentar o cotidiano de sucateamento da rede e a recuperação do porte das escolas – uma demanda que segue em curso e vigente.

6. Vigilância e mobilização, binômio da luta da categoria na atual fase. Afinal,  sabemos que o governo de turno é um inimigo declarado da Educação e do magistério.

Mais uma vez, parabéns professores!

*****

Confira a avaliação crítica do Blog sobre a postura da direção sindical da APP de suspender a greve no seu auge em 2014, quando a categoria já sinalizava uma disposição combativa contra o governo da dupla Beto/Arns.

Para uma avaliação da greve dos professores: Derrotar a intransigência do Gov. Beto Richa era possível

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I. O Blog tem acompanhado com interesse a mobilização dos professores e funcionários da rede estadual de ensino. Ao longo da atual administração temos visto uma atitude de descaso com as reivindicações do conjunto da categoria. Essa política tem prevalecido tanto do ponto de vista da recomposição das perdas salariais como na definição a longo prazo de políticas de valorização da carreira no magistério (progressão na carreira,hora atividade de fato, vantagens e incentivos para a qualificação permanente do quadro, PSS, entre outras). Ou seja, um rol de demandas não resolvidas que afetam a qualidade do ensino ministrado na rede pública.

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II. O atual governo, isto é fato, significou um retrocesso para o sistema educacional do estado. A dupla Beto Richa/Flávio Arns não apresentou um projeto de conjunto para a educação. Na comparação das gestões, o governo Requião teve desempenho melhor. Um grande passivo ficará para a próxima gestão, que vai desde a necessidade da formulação de um plano estratégico estadual para o setor até a recuperação da rede física.

III. O governo Beto Richa não priorizou a educação, os educadores e os estudantes. Foi uma opção, ideológica ou não, a atual gestão teve uma atuação pífia, pontual. Para se ter uma ideia até o porte das escolas estaduais foi reduzido. Um desastre.

IV. O atual cenário demanda de todos aqueles que defendem uma perspectiva de implantação de um sistema de ensino público e gratuito de qualidade, inclusivo e democratizador, uma vigorosa ação de contraposição política, ideológica e sindical. Com as todas letras e sem aspas: O governo Beto Richa é inimigo da educação pública.

V. Portanto, uma ação sindical mais vigorosa por parte da APP-Sindicato era necessária, não somente agora, mas durante toda gestão Beto Richa. Longe de julgar a prática sindical de uma poderosa entidade, no entanto, é forçoso reconhecer que faltou mais inventividade e disposição no enfrentamento com a administração. Essa opinião é compartilhada por um vasto segmento da categoria e de grupos organizados atuantes no sindicalismo do magistério.

VI. Neste sentido, a greve foi um momento do encontro de anseios entre o conjunto da categoria e a direção sindical. Daí o seu caráter massivo, cerca de 70% de adesão. Foi um momento de explosão da indignação dos professores e funcionários. A paralisação durou uma semana e tinha fôlego para prosseguir, emparedando o governo, que apostou suas fichas no esvaziamento da greve.

VII. A decisão de interromper a greve, depois de uma enorme passeata, foi um erro e expressou uma subestimação da disposição de luta da categoria. O sentimento de amplo contingente da categoria demonstrava vontade de prosseguir com o movimento. Era possível derrotar politicamente a intransigência do governo Beto Richa.

VIII. Encerrar a greve no auge da sua força possibilitou uma retomada do discurso procrastinador e mitigador das reivindicações do magistério, orientação adotada pelo governo/Seed. Apostar numa mesa de negociação “a frio” deixará a categoria sem empoderamento e uma força de pressão diante de um governo hostil

IX. A polêmica segue na categoria, e o desfecho das negociações será decisivo para o futuro da legitimidade da atual direção sindical da APP.

A tensão é de alta voltagem, e o fio está desencapado. Alguém sairá eletrocutado politicamente (é claro) no final dessa historia…

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