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Pacotaço: Reação do funcionalismo derrota arrogância do governo Beto Richa

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Um veterano e calejado dirigente político de esquerda, já morto, sempre dizia uma frase, que me deixava reflexivo e às vezes cético. Ele dizia: “na política, nem sempre a força resolve, muitas vezes, é uma questão de jeito, de manha até”.

Uma das melhores fotos, sem dúvida. Do Rodrigo Félix Leal.
Maré humana barra o desatino do governo Beto Richa(PSDB)
Recordo o saudoso personagem e a frase para contextualizar o episódio da tentativa de aprovação do pacotaço do governador Beto Richa(PSDB), batizado pelos funcionários públicos de “pacote de maldades”.
O governador foi eleito no 1° turno, conta com uma ampla maioria de deputados e, aparentemente, tinha esmagado a oposição no estado, composta no parlamento por uma diminuta bancada do PT, de 3 deputados, e do setor do PMDB, liderado pelo senador Roberto Requião.
Ou seja, o governo Beto Richa tinha a faca e o queijo na mão. Mas lembrando a frase do velho e calejado, citada no início do texto, nem sempre a força resolve a parada.
O segundo mandato do tucano, começou sob signo de uma forte crise da gestão administrativa e financeira do estado, fato escondido dos paranaenses durante a campanha eleitoral.
Sem rumo, sem projeto para o Paraná, o caminho mais fácil e rápido para debelar a crise gerada por seu próprio governo, foi partir para uma sangria dos direitos dos funcionários públicos e, o mais grave, tentar pilhar os recursos acumulados de R$ 8 bilhões no caixa da previdência estadual, um ato criminoso que ameaçava o futuro de gerações de servidores do estado, uma quebra de contratos, enfim, patrocinada pelo executivo estadual para sanar dificuldades financeiras operacionais e pagamentos de salários atrasados.
Sem debater, sem explicar para a população e o funcionalismo, o caráter e o alcance das nefastas medidas, o governador tentou enfiar gole abaixo do povo do Paraná as indigestas soluções. Porém, só a força não resolve(lembram?), um pouco de jeito, ou até um jeitinho, às vezes faz  a coisa andar.
Arrogante e autoritário, o governo resolveu passar o tratoraço, utilizando a sua bancada amplamente majoritária e servil, recorrendo ao instrumento da “comissão geral”, mecanismo que impede o debate parlamentar prévio nas comissões e plenário, um rito sumário para votar sem debater as medidas e projetos do executivo. Aliás, o Paraná é o único estado da federação que utiliza tal mecanismo, que avilta o trabalho dos parlamentares e descaracteriza a função do parlamento.
Confiante na sua força, Beto e seus aliados erraram a dosagem do remédio, muito amargo e indigesto. O que gerou uma cadeia de resistência na forma de uma greve geral na educação – básica, média e superior – e paralisações em outros setores, como o da Saúde. Durante a semana, a força do governo foi cedendo, sua maioria parlamentar não conseguiu prosseguir com o golpe no funcionalismo e a resistência, de início centrada nos servidores do estado, logo ganhou as ruas e praças de todo o estado, mexendo com os nervos da população.
Assustado e deprimido, o governador chegou abandonar o seu despacho no Palácio Iguaçu e a sua maioria parlamentar fraquejou, culminando com a humilhante chegada de deputados dentro de um veículo blindado da PM.
Sem saída, derrotado politicamente no seu intento, Beto Richa foi obrigado a retirar o projeto da pauta da Alep.
Venceu a resistência, venceu a dignidade dos professores e funcionários, que sustentaram uma batalha em defesa dos serviços públicos e dos direitos conquistados duramente ao longo dos anos.
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