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Cuba e EUA, um novo “jogo” começou…

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A retomada das relações estatais entre Cuba e EUA iniciam um novo capítulo na intricada, acidentada e conflitiva relação entre as duas nações. Trata-se de um longo e sinuoso conflito que marcou a segunda metade do século XX, atravessando praticamente uma década e meia do atual. Para além de um permanente estado de tensão ideológica, a ilha caribenha e os Estados Unidos estão próximos – e não apenas fisicamente.

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Beisebol: uma paixão comum. Na foto, uma partida em Havana entre o selecionado cubano e uma equipe norte-americana

Há uma teia de relações que aproximam os dois povos, ambos com forte presença negra no conjunto da população. Cultura, hábitos e as múltiplas relações entre a diáspora e os que ficaram e resistiram na Ilha.

Os fatores políticos e econômicos que pesaram na decisão de “suspender” o muro da discriminação contra Cuba vieram de variadas direções: Obama cedeu à pressão de todos os países das três Américas; do Papa progressista Francisco e de correntes internas do Partido Democrata.

Além disso, é necessário registrar que a Igreja Católica em Cuba, depois do partido único, é uma organização estruturada nacionalmente. Outro fator que influiu foi a composição da chamada 2° geração de cubanos que vive em Miami,  eles defendem uma aproximação pela via da negociação política e da parceria econômica. E também as razões de mercado impulsionaram a decisão de Obama. Cuba é hoje um atrativo mercado nas áreas de serviços, turismo, tecnologia, saúde e de bens culturais.  Ou seja, um conjunto de novas condições abriram espaço para o diálogo e o entendimento entre as partes conflitantes.

O reatamento das relações estatais foi um grande passo. Obama e Raul Castro agiram como estadistas e foram saudados como tal por esse feito histórico.

O futuro está em aberto: Cuba realiza mudanças na política interna e ajustes necessários no seu modelo econômico e gerencial. Os EUA tentarão ampliar a sua influência nesse contexto. É a dialética da vida: há riscos, há oportunidades, há contradições, porém, a nova situação apresenta desafios promissores para um modelo de sociedade que apresenta sinais de estagnação e esgarçamento.

O jogo apenas começou, e os cubanos já demonstraram que são “osso duro de roer…”

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Alguns dados a mais para facilitar uma análise da situação e as peças que estão se movendo no “tabuleiro” das atuais relações Cuba-EUA. As informações a seguir foram colhidas pelo Blog no Site JB on line. Confira.

Reaproximação Diplomática

Segundo a Casa Branca, os principais elementos do novo enfoque do presidente para o estabelecimento das relações diplomáticas com Cuba. A lista estabelece:

– Início imediato de discussões para o restabelecimento de relações diplomáticas, suspensas em janeiro de 1961.

– Restabelecimento de uma embaixada em Havana e de intercâmbios e visitas de alto nível entre os dois governos.

– Fomentar trabalho em conjunto em áreas de “interesse mútuo”, como migração, combate ao tráfico de drogas, proteção ambiental e tráfico de pessoas entre outros.

– Incrementar o contato entre as populações e melhorar o livre fluxo de informação “para, desde e entre a população cubana”.

– Facilitar a expansão das viagens com emissão de licenças para pessoas autorizadas.

– Estabelecer intercâmbios que permitam que americanos ofereçam treinamento empresarial a empresas privadas cubanas e pequenos agricultores.

– Facilitar o envio de remessas dos EUA para Cuba; o montante máximo que pode ser enviado por trimestre subirá de US$ 500 para US$ 2.000 – e não será mais necessária uma licença especial para o envio de remessas para fundos dedicados ao desenvolvimento de iniciativa privada em Cuba.

– Ampliação nas licenças comerciais para vendas e exportação de certos produtos e serviços dos Estados Unidos, como material de construção e equipamento agrícola para pequenos agricultores.

– Autorização para que cidadãos americanos importem produtos de Cuba, como derivados de fumo e bebidas alcoólicas, até o valor limite de US$ 400.

– Facilitar as transações autorizadas entre EUA e Cuba, como o processamento de transações financeiras e o uso de cartões de crédito para viajantes em Cuba.

– Dar início a esforços para facilitar acesso dos cubanos a meios de comunicação como internet, tanto dentro de Cuba como de Cuba para os EUA e resto do mundo; para isso, será permitida a exportação comercial de certos dispositivos de comunicação, software, aplicações e hardware.

– Revisar a forma como se aplicam sanções contra Cuba a países terceiros; outorgar licenças para que possam ser oferecidos serviços e transações financeiras a indivíduos cubanos em outros países e permitir que embarcações estrangeiras entrem nos EUA depois de cooperar com determinados tipos de intercâmbio humanitário em Cuba.

– Iniciar uma revisão da designação dada a Cuba, em 1982, de “Estado patrocinador de terrorismo”; uma revisão “imediata” será entregue a Obama em seis meses.

– Participação de Obama na Cúpula das Américas no Panamá em 2015, em que direitos humanos e democracia serão assuntos-chave e onde será permitida a participação da sociedade civil cubana – assim como a de outros países.

– Um compromisso maior dos EUA por uma melhora nas condições de direitos humanos e reformas democráticas em Cuba.

Discurso Americano

O anúncio da medida foi feito por Barack Obama em seu discurso, na Casa Branca. “”Esses 50 anos mostraram que o isolamento não funcionou, é tempo de outra atitude, é hora de uma nova abordagem. Estou ansioso para engajar o Congresso em um debate sério e honesto (sobre o fim do embargo). Um comércio intensificado é bom para os americanos e para os cubanos”, disse. Obama também falou que “através dessas mudanças, queremos criar mais oportunidades para americanos e cubanos e começar um novo capítulo nas Américas”.

Obama disse ainda que pretende “criar um novo capítulo nas relações entre os países”. E encorajou os americanos: “Os cubanos têm um ditado: ‘No és facil’, ou ‘não é fácil’, mas hoje os Estados Unidos querem ser um parceiro no sentido de tornar a vida dos cubanos comuns um pouco mais fácil, mais livre, mais próspera. Todos somos americanos”.

Discurso Cubano

Enquanto Obama discursava na Casa Branca, Raúl Castro também anunciava o nosso passo para os cubanos, em Havana. “Os progressos alcançados demonstram que é possível encontrar solução para muitos problemas. Devemos aprender a arte de conviver de forma civilizada com nossas diferenças”, disse. Raúl, contudo, fez um alerta: “isso não quer dizer que o principal foi resolvido. O bloqueio econômico, comercial e financeiro que provoca enormes danos humanos e econômicos tem que acabar”.

Liberação de presos políticos

Junto ao anúncio da reaproximação diplomática entre Cuba e Estados Unidos, foram liberados presos políticos de ambos os países, acusados de espionagem. Cuba, soltou Alan Gross, de 65 anos, preso na Ilha em 2009. Na época, o país alegou que Gross praticou “ações contra a integridade territorial do Estado”. O governo cubano também deu liberdade a um agente do serviço de inteligência norte-americano, que ficou preso por 20 anos.

Já os Estados Unidos libertaram Gerardo Hernandez, Antonio Guerrero e Ramon Labañino. Os três agentes de inteligência em Cuba estavam presos desde 1998. Rene Gonzalez e Fernando.

* Com dados do Programa de Estágio do Jornal do Brasil 

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