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Arquivo do mês: novembro 2014

Padres que pregavam ‘amor livre’ para praticar pedofilia chocam a Espanha

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Suspeitas de abusos sexuais supostamente cometidos por sacerdotes abala comunidade religiosa de Granada

 xxx Foto inedite dal passato di Papa Francesco

Papa Francisco esforço para mudar a Igreja

Via BBC

“Boa tarde filho, sou o padre Jorge”. “Não conheço nenhum padre Jorge”, respondeu o interlocutor. “Filho, acalme-se, aqui é o papa Francisco”.

Essas são as palavras que um atônito jovem escutou ao telefone. Ele havia escrito uma carta ao argentino Jorge Bergoglio meses antes, para denunciar anos de supostos abusos por parte de um grupo de religiosos da diocese de Granada, no sul da Espanha.

O escândalo foi noticiado pelos sites de internet espanhóis, atraindo cada vez mais atenção estrangeira. O próprio papa se referiu à polêmica na terça-feira (25).

Até o momento, três sacerdotes católicos e um professor de religião foram detidos.

“Eu li sua carta e escrevi ao bispo dizendo que ele comece uma investigação”, explicou o papa na terça-feira.

“Recebi essa notícia com grande dor, com uma dor muito grande, mas a verdade é a verdade e não podemos escondê-la”, disse.

Mas qual é a trama em cuja investigação o papa se envolveu pessoalmente?

O clã dos Romanones

Acusações de escândalos sexuais , abusos de autoridades eclesiásticas, detenções, heranças duvidosas, segredos e um grupo com sobrenome aristocrático: “os Romanones”.

Os ingredientes são de um romance de intriga, crime e suspense. Mas não é ficção.

Daniel (nome fictício) tem 24 anos e há alguns meses denunciou ─ em uma carta dirigida ao papa ─ que entre os 13 e os 18 anos foi submetido a constantes abusos por parte de um grupo de sacerdotes católicos, os “Romanones”.

O jovem, membro da organização católica Opus Dei e professor universitário, entrou em contato com os sacerdotes investigados quando era coroinha em na paróquia de San Juan María Vianney, localizada em um bairro de Granada.

Segundo seu depoimento, a rede seria comandada por um dos detidos, o padre Román M.V.C (de quem deriva o nome do clã) e realizaria atos sexuais em diversas de suas propriedades na província de Granada.

Ele afirmou que os religiosos justificavam suas práticas sexuais com a frase: “o amor é livre, eleva o espírito”.

Vítimas

As acusações recaem sobre dez sacerdotes e dois laicos.

Não se sabe exatamente quantos meninos e meninas podem ter sido vítimas do grupo, que supostamente atraía os jovens conquistando sua confiança ou afastando-os de suas famílias.

Daniel disse que decidiu fazer a denúncia principalmente por não saber a extensão da rede e quantas pessoas foram vítimas dela. Ele acrescentou não querer que as pessoas que arruinaram sua infância façam o mesmo com outros meninos e meninas.

Encorajado pelo respaldo do papa, Daniel apresentou uma denúncia formal perante a Fiscalização Central de Andaluzia, em outubro.

Detenções

O processo foi acelerado a partir do momento em que a denúncia foi feita.

O órgão judicial encarregado da causa ordenou na segunda-feira (24) a detenção de três sacerdotes e um leigo. Mas a Justiça ainda vai decidir se eles responderão ao processo em liberdade.

Os detidos são Román M.V.C, a quem o denunciante identifica como “o diretor”, Francisco C.M, e Manuel M.M. Todos eles tiveram algum vínculo com a paróquia de Vianney.

Eles foram encaminhados à Chefatura Superior de Polícia de Andaluzia Oriental e negaram qualquer relação com os crimes ao ser interrogados.

Além disso, há alguns dias, foi denunciado o desaparecimento de vários computadores de um chalé em Pinus Puente (Granada), que é de propriedade dos acusados.

Também há uma segunda denúncia, formulada por uma outra suposta testemunha, que forneceu aos investigadores mais dados e nomes.

O subdelegado do governo, Santiago Pérez, afirmou que não há mais prisões previstas por enquanto.

Reação da hierarquia

Enquanto isso, a Igreja Católica na Espanha demonstrou estar chocada e consternada com os eventos.

A Conferência Episcopal, por meio de seu porta-voz, José María Gil Mamayo, expressou repulsa e pediu perdão às “possíveis vítimas”.

O arcebispo de Granada, Francisco Javier Martínez, protagonizou no domingo uma cena pouco usual na catedral da província: deitou no solo junto com outros membros da diocese por vários minutos – um gesto que só é realizado Sexta-feira Santa.

“Os males da Igreja são os males de cada um de nós”, disse o arcebispo durante a homilia. Ele disse que tudo isso é “uma ferida dolorosíssima para (Jesus) Cristo”.

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Os desafios do segundo mandato do PT e de Dilma

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10v29

O combate à desigualdade é uma demanda da sociedade que se expressou e confirmou sua exigência de distribuição de renda e combate à pobreza no Brasil por quatro vezes nas urnas – nas eleições nacionais de 2002, 2006, 2010 e neste ano.

Já o crescimento é uma necessidade dentro de nosso projeto de desenvolvimento nacional. Ao mesmo tempo o binômio colocado por Piketty está intrinsecamente ligado: não há como sustentar o crescimento de uma economia como a brasileira (uma das maiores do mundo, madura e desenvolvida, apesar de desigual) sem um mercado interno forte e sem distribuir renda.

Os limites do nosso modelo

O mercado interno é um elemento básico na nossa estratégia de desenvolvimento, bem como a distribuição de renda em todos sentidos (ainda que difícil, mas não impossível), começando pela renda propriamente dita e avançando pela distribuição da riqueza e da propriedade. E social e politicamente falando, todo modelo de crescimento sem distribuição de renda é inviável e está fadado ao insucesso numa democracia.

Na discussão dos limites do nosso modelo de desenvolvimento apoiado na distribuição de renda, mercado interno e no Estado, sempre virão à tona as questões do excesso de demanda e custo trabalhista; da política de aumento dos salários e benefícios previdenciários; da expansão do crédito e estímulos ao consumo; e dos gastos públicos, com a redução dos superávit e endividamento do Estado para sustentar o crescimento e enfrentar crises cíclicas e mundiais.

O verdadeiro custo de nossa economia – o financeiro, o da dívida interna (5% do PIB) – nunca é colocado na agenda sempre dominada pelos custos trabalhistas, tributários e da logística.

Acrescida, agora, dos custos da energia, uma evidente distorção ideológica favorável ao capital financeiro e rentista que se sustenta a partir de uma política de juros que mantém um spread bancário entre 28% a 32%. Um escândalo em qualquer país do mundo hoje, onde os juros em geral são negativos.

Solução conservadora a la europeia é inviável para o Brasil

No Brasil é inviável a solução conservadora a la europeia: corte de gastos, aumento de juros e superávit, recessão, desemprego e desvalorização dos salários. Rejeitada nas urnas, fracassada na Europa sempre e apresentada pelos opositores ao nosso modelo como uma saída inevitável, de curta duração e virtuosa ao garantir a retomada do crescimento a curto prazo, a teoria é desmentida na prática pela própria experiência europeia rejeitada mundialmente hoje.

Resta, portanto, à nova equipe econômica, sem abandonar nosso projeto de desenvolvimento, viabilizar as contas públicas de forma gradual, sem abandonar a política de emprego e renda e buscando um crescimento que ao mesmo tempo preserve o social (a distribuição de renda, virtuosa para o crescimento) e retome superávits paulatinamente, começando com 1,2%, como o anunciado pelo novo ministro da Fazenda para 2015. Mas é preciso reduzir os juros e por um fim aos elevados custos da nossa dívida interna, do consumo e do investimento, únicos no mundo.

E fazê-lo evitando uma recessão, mantendo os investimentos públicos e a atuação dos bancos oficiais no patamar atual, ainda que sem novos aportes do Tesouro para capitalizar, por exemplo, o BNDES. Também não haverá salvação para nossa indústria com juros altos e dólar barato. Nenhum esforço de aumento da produtividade e redução de custos, por mais rápido que aconteça, pode enfrentar a concorrência chinesa e americana-europeia com a atual taxa de câmbio.

Não é impossível vencer o desafio

O país tem tudo para retomar o crescimento com base em seu mercado interno, nas concessões no setor de infraestrutura e nos investimentos na área de energia e gás, particularmente no pré-sal. Dispõe de todas as condições para sustentar um longo período de crescimento com investimentos na infraestrutura social, mobilidade urbana e geral, saneamento, habitação, resíduos sólidos, meio ambiente, lazer, cultura e esportes.

O Brasil pode e deve expandir as exportações com base na integração regional, começando pela criação de um verdadeiro banco de exportação e importação que financie nossas exportações principalmente de capital, tecnologia e serviços.

Manter a dívida pública bruta no atual patamar e trazer a inflação para o centro da meta não é uma tarefa incompatível com a distribuição de renda e o combate a pobreza.

Pelo contrário, pode ser uma condição, desde que avancemos nas reformas política e do Estado. E na reforma tributária, que taxe os ricos, as grandes fortunas e heranças, os lucros extraordinários, que realmente cobre impostos progressivos sobre a renda e o patrimônio (uma demanda e agenda que vêm do século XIX), e não impostos indiretos sobre o consumo que fazem com que quem ganha menos pague mais impostos.

Mundo do trabalho## Combater a rotatividade e defender um Sistema Democrático de Relações do Trabalho

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O Blog publica artigo de membros da direção nacional da CUT vinculados à corrente -CUT Socialista e Democrática – que divergem da manifestação da presidência da central sindical, que sem debate em qualquer instância da entidade, ventilou a adoção da proposta do chamado “modelo europeu de manutenção do emprego”.  As lideranças da CSD recomendam a defesa e a ampliação dos direitos trabalhistas como, por exemplo, a redução da jornada de trabalho para 4oh sem redução de salários. Confira.

Foi com surpresa que lemos uma notícia num jornal de grande circulação, e confirmada por meio de nota da presidência da CUT[1], de que as centrais sindicais estariam propondo um modelo de manutenção do emprego para os momentos de crise [2].

Nossa surpresa deriva de dois motivos, o primeiro é que em nenhum momento tal posicionamento divulgado no jornal foi discutido em instancias deliberativas da CUT tais como sua reunião de Direção Executiva ou Nacional. Logo não temos qualquer resolução sobre tal “modelo europeu de manutenção do emprego”.

Nossa segunda surpresa é a de que temos consenso na CUT de que o atual momento econômico e político é de ampliação de direitos e valorização do salário mínimo e não de “crise econômica” tal como a grande mídia conservadora quer nos fazer acreditar. Atingimos os níveis mais baixos de desemprego e de redução das desigualdades sociais, o que nos leva a uma pauta de reivindicação de valorização do trabalho. Nossos desafios são outros!

De 2003 a 2013, geramos 15 milhões de postos de trabalho sem flexibilização de direitos. No entanto, tivemos bloqueadas as possibilidades de avançar em reformas historicamente reivindicadas pelo movimento sindical CUTista, como, as reformas sindical, política e tributária e a democratização dos meios de comunicação. Atualmente, vivemos uma realidade de baixa taxa de desemprego. Entretanto, as taxas de rotatividade seguem altíssimas, independente do “aquecimento”, ou não, da economia. A rotatividade contribui para aumentar as inseguranças no mundo do trabalho e se expressa nos baixos níveis salariais, na ampliação dos anos necessários para aposentadoria, nos baixos níveis de sindicalização, entre outros. Para nós, as medidas realmente eficazes para frear a alta rotatividade, que caracteriza o mercado de trabalho brasileiro, seriam a ratificação da Convenção 158, que faz parte de um dos pontos essenciais para se democratizar as relações de trabalho no Brasil, instituindo um diálogo necessário entre trabalhadores (as) e empregadores para que o despotismo e a regra de que ao capital tudo cabe decidir possa enfim chegar ao fim, bem como uma reformulação profunda e estruturante da dinâmica produtiva, de modo que o Brasil passa a ser também produtor de tecnologia própria.

Nossa luta deve ser por igualar direitos e avançar em nossa proposta de um Sistema Democrático de Relações de Trabalho, formulado desde a década de 1990. Este é o momento para resgatarmos nossa formulação sobre negociação e representação sindical, organização no local de trabalho e sustentação financeira das entidades. É necessário aprofundar a reflexão sobre a organização no local de trabalho e pensar, inclusive, como esse processo ocorre em diferentes categorias, atualizando o debate da OLT a partir da diversidade e complexidade da classe trabalhadora. A CUT deve manter-se firme na em sua reivindicação histórica de redução da jornada de trabalho SEM redução de salário.

A estrutura em que se apoia a construção do Direito em nosso país considera as negociações e acordos coletivos como instrumentos de consolidação e avanço dos direitos dos trabalhadores, portanto, não podem ser visto como espaços de flexibilização ou redução de direitos.

Nesse sentido, a proposta de “modelo europeu para enfrentar a crise” não dialoga com a realidade do Brasil hoje, e ainda do conjunto do movimento sindical em que os índices de rotatividade são altíssimos.

A classe trabalhadora precisa de medidas que recoloquem a economia brasileira numa trajetória de crescimento sustentado que assegure a continuidade da geração de empregos e renda, incorporando a parcela da população que está fora do mercado de trabalho formal e redistribuindo melhor o tempo de trabalho. A constituição de uma estrutura produtiva com bens e serviços de alto valor agregado deve gerar postos de trabalho de qualidade.

* Membros da CUT(CSD) – Alfredo Santos Jr. (SNJ); Daniel Gaio (Executiva Nacional da CUT); Rosana Souza (Executiva Nacional da CUT); Rosane Silva (SNMT)

[1]Leia: CUT negocia proposta de programa que protege emprego  http://www.cut.org.br/noticias/cut-negocia-proposta-de-programa-que-protege-emprego-001b/  Acessado em 27/11/2014

[2]Leia: “Centrais sindicais propõem ‘modelo europeu’ de manutenção do emprego”  http://g1.globo.com/economia/noticia/2014/11/centrais-sindicais-propoem-modelo-europeu-de-manutencao-do-emprego.html Acessado em 27/11/2014

Beto Richa autoriza ‘pedágio mais caro do mundo’ em rodovia do Paraná

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O governador Beto Richa (PSDB) autorizou para a próxima segunda-feira (1) o pedágio mais caro do mundo na BR-277. Os motoristas de carro de passeio serão tungados em R$ 16,80 ao cruzarem a praça de pedágio localizada no município de São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, caminho obrigatório para descer a Serra do Mar rumo ao Litoral.

BETO-RICHA-LONDRINA-24.2.11

Do Blog do http://www.esmaelmorais.com.br

A tarifa praticada no trecho é de R$ 15,40 já ostentava o “título” de mais cara da América Latina. Agora, com o reajuste aprovado pelo governo de 9%, a rodovia federal delegada ao governo do Paraná em 1998, que a privatizou às atuais concessionárias, fica com o “troféu” de mais cara do mundo.

Uma “ingênua” descida de 100 km até às praias paranaenses pela a BR-277, ida e volta de Curitiba, custará R$ 32,80 ao usuário da estrada.

Na campanha deste ano pelo Palácio Iguaçu, a senadora Gleisi Hoffmann (PT) acusou o adversário Beto Richa de querer prorrogar os contratos com as concessionárias do pedágio por mais 25 anos, mas a presidenta Dilma Rousseff (PT) teria dito “não” ao tucano.

Casarão dos estudantes reabre novamente neste sábado

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O casarão da União Paranaense dos Estudantes (UPE), localizado na Rua Carlos Cavalcanti, no bairro São Francisco, reabre no próximo sábado (29).  Administrado pela Fundação Cultural de Curitiba, desde abril de 2013, o imóvel recebeu uma série de benfeitorias e passa a abrigar as atividades administrativas e culturais da UPE e receber os encontros do Conselho Municipal de Cultura, do Conselho Municipal de Juventude e do Conselho Municipal de Política Étnico Racial. Foram feitas a reforma dos banheiros, a troca dos vidros e portas, jardinagem, pintura, restauração elétrica e restauração hidráulica.

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O casarão, em art nouveu, datado de 1918, é uma Unidade de Interesse Especial de Preservaçao (UIEP) e já pertenceu à família Benjamin Baptista Lins de D’Albuquerque, um dos fundadores da Gazeta do Povo, e também à Universidade do Paraná (atual UFPR). O imóvel foi adquirido pelo governo do Estado na década de 1950, mas ganhou notoriedade como sede da UPE, entre 1959 e 1968, quando foi tomado pelo regime militar. Em 1983, o prédio retornou para as mãos do Estado que o cedeu à prefeitura de Curitiba. Até 2012, o prédio estava sendo ocupado pela UPE por meio de comodato.

Serviço:

Reabertura do Casarão da UPE

Data: 29/11/2014 – Horário: 9h

Endereço: Rua Carlos Cavalcanti (esquina com a rua João Manoel) – São Francisco

Fonte: Fundação Cultural de Curitiba

Financial Times: a extrema-esquerda está certa

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Encruzilhada do capital. Como nos anos 1930, algum tipo de ruptura é inevitável e se não for para a esquerda, pode ser na direção do fascismo ou do fundamentalismo

AFP  photo/Ben Stansall
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Loja da Starbucks pichada após manifestação de estudantes em Londres no último dia 19 de novembro

Por Antonio Luiz M.C. Costa – Via Carta Capital

Quando um editor e colunista de primeira linha de um jornal financeiro mundialmente respeitado escreve dá razão à extrema-esquerda, é hora de parar, ler e pensar. Referimo-nos a Wolfgang Münchau, editor associado do Financial Times, no qual mantém uma coluna semanal sobre a economia europeia. O título desta, na edição do domingo, 23 de novembro foi: “a esquerda radical está certa sobre a dívida europeia”.

Refere-se, em especial, ao partido espanhol Podemos, ao grego Syriza e ao alemão Die Linke (“A Esquerda”), as duas primeiras formações novas criadas a partir de núcleos de origem no trotskismo e no movimento “antiglobalização” e o terceiro um descendente direto do Partido Comunista da antiga Alemanha Oriental. E explica: o consenso internacional dos analistas econômicos, não necessariamente de esquerda, é que a Zona do Euro precisa de reestruturação da dívida e investimentos no setor público, mas partidos como esses são os únicos nos quais se pode votar para defender esse programa. Social-democratas e socialistas, uma vez no governo, aceitaram a agenda conservadora de Angela Merkel em todos os seus pontos essenciais.

A coluna analisa com mais detalhe o Podemos, o mais jovem desses partidos e “o que chega mais perto de oferecer um enfoque consistente para uma política econômica pós-crise”. O programa exposto pelo economista Nacho Álvarez, um dos membros da cúpula do partido, baseia-se em renegociação das taxas de juros, períodos de graça, reescalonamento e anulação parcial da dívida, à maneira de alguns países sul-americanos. Ao contrário do “Movimento 5 Estrelas italiano”, cujo objetivo declarado é tirar o país do euro, o Podemos “não é a favor de sair do euro, nem de fazer mais sacrifícios por ele”.

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Encontro do Podemos, partido político recém-criado na Espanha, realizado em Madri no último dia 15 de novembro

Para Münchau, é uma posição equilibrada, por mais que se queira tachá-la de bolivariana. “A tragédia da Zona do Euro é o senso de resignação com que os partidos do centro-esquerda e centro-direita estão deixando a Europa deslizar para o equivalente econômico de um inverno nuclear. É uma tragédia particular que partidos da ultra-esquerda sejam os únicos a apoiar políticas sensatas como a reestruturação da dívida”.

No atual estado de coisas, o absurdo está em pensar que a dívida é sustentável e o problema se resolverá por si só, como se fosse possível ignorar que o continente caminha para uma longa estagnação que, mais cedo ou mais tarde, tornará impossível cumprir esses compromissos financeiros e pode levar à desintegração política e econômica.

A começar dos anos 1980, se não desde o maio de 1968, tornou-se uma obsessão por parte dos agentes do poder financeiro e político não permitir que movimentos políticos e sociais proponham alternativas reais sem serem ridicularizados. Qualquer tentativa de mudar o mundo deve ser percebida como fantasia ociosa. TINA, “There is no alternative”, era o lema favorito de Margaret Thatcher e desde então o consenso dominante da mídia e da política não fazem mais do que repeti-lo em diferentes formulações.

Acontece que o rumo ao qual conduz o pensamento único no qual se embutiu a ideia de que os interesses do sistema financeiro são supremos e sagrados começa a se tornar visivelmente inviável. É evidentemente insustentável a longo prazo por razões ecológicas, mas antes disso cai na pura impossibilidade de contábil e política de pagar as dívidas públicas e privadas e poupar as instituições financeiras das consequências de seus próprios erros, enquanto se mantém uma grande parte da população desempregada e ameaçada de perder suas moradias e os serviços sociais dos quais depende para sobreviver com dignidade. Como nos anos 1930, algum tipo de ruptura é inevitável e se não for para a esquerda, pode ser na direção do fascismo ou do fundamentalismo.

Opinião ##Diferenças entre militontos e militantes pró-Dilma

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O Blog reproduz artigo do jornalista e militante do PT, Breno Altman, acerca da natureza do apoio militante ao governo Dilma, o texto recupera a tensão dialética existente entre o apoio e a crítica. Além disso, ressalta a dimensão e o papel dos movimentos populares e sociais no sentido de impulsionar e fazer avançar o processo democratizador e de conquistas sociais. O “militonto”, apesar da boa intenção e da zona de conforto, é o lado esquerdo do espelho do “coxinha tucano”, que só enxerga erros nas políticas e programas do PT. Ambos, operam a política com uma visão unilateral.(MA). Confira.

O militonto recebe as decisões da presidente da República e não admite qualquer crítica. Quem ousar fazê-lo, é aliado objetivo da direita.

O militante não vacila em apoiar o governo e defender a presidente, especialmente diante da escalada reacionária. Mas não abdica do direito e do dever de pensar com a própria cabeça, criticando o que lhe parece errado na estratégia adotada e concebendo essa atitude como indispensável na ação política.

O militonto tudo explica e justifica através de um pacote fechado e imutável: a correlação de forças no parlamento. Serve como uma espécie de álibi para defender o governo de qualquer crítica por adotar políticas conciliatórias, mesmo as que podem ser um tiro no pé.

O militante encara com seriedade a tal correlação de forças, mas com o objetivo de alterá-la a favor da esquerda. Sabe que negociações e composições são inevitáveis, necessárias, mas deseja forçá-las ao limite.

O militonto ficou acostumado a pensar correlação de forças apenas ou principalmente como uma questão institucional, parlamentar. A mobilização social e a luta de massas não entram de verdade em seu cálculos como hipótese para pressionar as instituições desde seu exterior.

O militante não descuida da governabilidade institucional. Mas aprendeu, nesses doze anos e várias crises, que também é imprescindível a construção de governabilidade social. Sabe, a propósito, que as maiorias parlamentares de orientação progressista somente foram formadas, na história do Brasil, quando o povo organizado e mobilizado obrigou o Parlamento a dançar sua música.

O militonto costuma achar que divide a esquerda quem entra em desacordo com ações do governo. Não admite que, às vezes, pode ser o governo quem divida a esquerda com suas ações.

O militante quer a unidade da esquerda e das forças progressistas. Mas acha que a pedra angular desse processo vai além de apoiar ou não o governo: depende de um programa unificador e de uma estratégia de coalizão do campo popular.

O militonto acha que o passado fornece crédito infinito, no presente e no futuro. Por tudo o que foi feito, e definitivamente não é pouco, o governo deveria ser defendido incondicionalmente e qualquer crítica seria descabida por princípio.

O militante reivindica os enormes avanços promovidos pelo governo e se mobiliza para defendê-los, mas não acha que o passado basta para garantir o presente e o futuro, que devem ser discutidos sempre com espírito crítico e aberto.

O militonto é superlativo e hiperbólico em relação aos líderes do governo e do partido. Sua frase estruturante: “eles sabem o que fazem…”

O militante respeita e admira os chefes históricos da esquerda, mas a vida já ensinou que também são passíveis de erros e confusões. Considera, portanto, que os instrumentos coletivos são mais qualificados que as clarividências individuais e esses só podem ser construídos pelo debate franco e desabrido de todos os temas.

O militonto é governista e acha que isso basta para resolver todos os problemas.

O militante defende o governo contra a direita, mas busca ser um revolucionário, um lutador social, para quem governar é apenas parte, ainda que imprescindível, de um processo estratégico mais amplo, o da transformação do país.

*É diretor editorial do site Opera Mundi.