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Arquivo do mês: outubro 2014

Papa “camarada” Francisco conclama luta por terra, moradia e trabalho

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Em encontro inédito com lideranças populares e de movimentos sociais no Vaticano , com a participação de representantes de diversas partes do mundo, o Papa Francisco incentivou a organização e as reivindicações dos pobres por terra, moradia e trabalho.

Foto: Após encontro histórico com Papa, movimentos buscam espaço permanente de interlocução </p><br /><br />
<p>http://www.mst.org.br/node/16680</p><br /><br />
<p>Confira a declaração final do Encontro Mundial dos Movimentos Populares que aconteceu entro os dias 27 a 29/10, em Roma, e que contou a a presença do Papa Francisco.
 Via Site da Radio Vaticano

Cidade do Vaticano (RV) – “Estar ao lado dos pobres é Evangelho, não comunismo.” Estas palavras pronunciadas pelo Papa na última terça-feira nos lembra uma célebre frase de Dom Hélder Câmara.

As palavras de Francisco eram dirigidas às lideranças de movimentos populares, que concluíram na quarta-feira(28) um encontro inédito convocado a pedido do Papa.

Aos líderes, o Pontífice traçou uma análise minuciosa das injustiças sociais relacionadas à terra, à moradia e ao trabalho. Francisco reafirmou que os movimentos populares têm um espaço garantido dentro da Igreja, incentivando a sua luta.

Mas os verdadeiros protagonistas do encontro foram as lideranças dos movimentos, oriundos de várias partes do mundo, inclusive do Brasil. Em depoimentos ao Programa Brasileiro, eles falam da audiência com o Papa, do papel da Igreja, de suas lutas e reivindicações.

Globalização da indiferença

O Pontífice também mencionou o tema da paz e da ecologia. ”Não pode haver terra, não pode haver teto, não pode haver trabalho se não temos paz e se destruímos o planeta… a criação não é uma propriedade, da qual podemos dispor a nosso bel prazer; nem muito menos é uma propriedade só de alguns, de poucos: a criação é um dom, é um presente, um dom maravilhoso que Deus nos deu para que cuidemos dele e o utilizemos em benefício de todos, sempre com respeito e gratidão”.

”Mas por que em vez disso nos acostumamos a ver como se destrói o trabalho digno, se despejam tantas famílias, se expulsam os camponeses, se faz a guerra e se abusa da natureza? Porque nesse sistema se tirou o homem, a pessoa humana, do centro, e o substituíram por outra cosa! Porque se rende um culto idolátrico ao dinheiro! Porque se globalizou a indiferença! Se globalizaram a indiferença, para mim, importa o que acontece com os outros desde que eu defenda o meu. Porque o mundo se esqueceu de Deus, que é Pai; se tornou órfão porque deixou a Deus de lado”.

O Encontro

Encorajados pelo Papa Francisco a “construir uma Igreja pobre e para os pobres”, mais de 100 leigos, líderes de grupos sociais, 30 bispos engajados com as realidades e os movimentos sociais em seus países, e cerca de 50 agentes pastorais, além de alguns membros da Cúria romana, participam desde segunda-feira, 27, do Encontro Mundial dos Movimentos Populares.

O Brasil esteve presente com alguns representantes, entre eles o secretário geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), Dom Leonardo Steiner, e o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile.

O evento foi considerado por seus participantes como algo  sem precedentes, pois ocorre no Vaticano, com a participação de dezenas de movimentos sociais e bispos. É uma continuação do debate ocorrido no Vaticano em novembro de 2013, também com a participação de alguns representantes de movimentos sociais.

Confira a declaração final do encontro

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Declaração Final do Encontro Mundial dos Movimentos Populares

Como parte da conclusão do EMMP, queremos fazer chegar à opinião pública um breve resumo do que aconteceu durante estes três históricos dias.

1. Convocado pelo PCJP, a PAS e diversos movimentos populares do mundo sob a inspiração  do Papa Francisco, uma delegação de mais de 100 dirigentes sociais de todos os continentes se reuniu em Roma para debater três eixos: terra, trabalho, moradia; os grandes problemas e desafios que enfrenta a família humana (especialmente exclusão, desigualdade, violência e crise ambiental) a partir da perspectiva dos pobres e suas organizações.

2. As jornadas se desenvolveram procurando praticar a Cultura do Encontro e integrando companheiros, companheiras, irmãos e irmãs, de distintos continentes, gerações, ofícios, religiões, ideias e experiências. Além dos setores representativos dos três eixos principais do encontro, participaram um número considerável de bispos e agentes pastorais, intelectuais e acadêmicos, que contribuíram significativamente ao encontro, sempre respeitando o protagonismo dos setores e movimentos populares. O Encontro não esteve isento de tensões que pudéssemos assumir coletivamente como irmãos.

3. Em primeiro lugar, sempre desde a perspectiva dos pobres e dos povos pobres (neste caso os camponeses, trabalhadores sem direitos e habitantes de bairros populares), foi analisado as causas estruturais da desigualdade e da exclusão, desde suas raízes sistêmicas global até suas expressões locais. Compartilharam os números horríveis da desigualdade e a concentração da riqueza nas mãos de um punhado de milionários. Os painelistas e palestrantes concordaram que se deve buscar na natureza desigual e predatória do sistema capitalista que coloca o lucro acima do ser humano a raiz dos males sociais e ambientais. O enorme poder das empresas transnacionais que pretendem devorar e privatizar tudo –mercadorias, serviços, pensamento- são o primeiro violino desta sinfonia de destruição.

4. Durante o trabalho nas oficinas conclui-se que o aceso pleno, estável, seguro e integral à terra, o trabalho e a moradia constituem direitos humanos inalienáveis, inerente às pessoas e sua dignidade, que devem ser garantidas e respeitadas. A moradia e o bairro como um espaço inviolável por Estados e corporações, a terra como um bem comum que deve ser compartido entre todos os que nela trabalham evitando sua acumulação, e o trabalho digno como eixo estruturador de um projeto de vida foram algumas das reivindicações compartilhadas.

5. Também abordamos o problema da violência e da guerra, uma guerra total, ou como disse Francisco, uma terceira guerra mundial parcelada. Sem perder de vista o caráter global destes problemas, tratou-se com particular intensidade a situação do Oriente Médio, principalmente a agressão contra o povo palestino e curdo. A violência que desencadeiam as máfias do narcoterrorismo, o tráfico de armas e o tráfico de pessoas também  foram objeto de profundo debate. Os despejos forçados pela violência, o agronegócio, a mineração poluente e todas as formas de extrativismo, e a repressão sobre camponeses, povos originários e afrodecendentes estiveram presentes em todos os debates. Também o  grave problema dos golpes de estado como em Honduras e Paraguai e o intervencionismo de grandes potências sobre os países mais pobres.

6. A questão ambiental esteve presente num rico intercâmbio entre a perspectiva acadêmica e a popular. Pudemos conhecer os dados mais recentes sobre contaminação e a mudança climática, as previsões sobre futuros desastres naturais e as provas científicas de que o consumismo insaciável e a prática de um industrialismo irresponsável que promove o poder econômico explicam a catástrofe ecológica em cena. Devemos combater a cultura do descarte, e ainda que suas causas sejam estruturais, também devemos promover uma mudança desde abaixo, nos hábitos e condutas de nossos povos, priorizando os intercâmbios ao interior da economia popular e a recuperação do que este sistema renega.

7. Novamente, pudemos concluir que a guerra e a violência, a exacerbação dos conflitos étnicos e a utilização da religião para a legitimação da violência, assim como o desmatamento, a mudança climática e a perda da biodiversidade, tem seu principal motor a busca incessante do lucro e a pretensão criminosa de subordinar os povos mais pobres para saquear suas riquezas naturais e humanas. Consideramos que a ação e as palavras dos movimentos populares e a Igreja são imprescindíveis para frear este verdadeiro genocídio e terricídio.

8. Particular atenção merece à situação das mulheres  golpeadas por este sistema. Reconhecemos nessa realidade a urgente necessidade de um compromisso profundo e sério com essa causa justa e histórica de todas nossas companheiras, motor de lutas, processos e propostas de vida, emancipatórias e inspiradoras. Também exigimos a finalização da estigmatização, descarte e abandono das crianças e jovens, especialmente os pobres, afrodecendentes e migrantes. Se as crianças não têm infância, se os jovens não têm projeto, a Terra não tem futuro.

9. Longe de ficarmos na autocompaixão e nos lamentos por todas estas realidades destruidoras, os movimentos populares, em particular os reunidos neste Encontro, reivindicamos que os excluídos, os oprimidos, os pobres não resignados, organizados, podemos e devemos enfrentar com todas nossas forças a caótica situação a que este sistema nos levou. Neste sentido, foram compartilhadas inúmeras experiências de trabalho, organização e luta que tem permitido a criação de milhões de fontes de trabalho digno no setor popular da economia, a recuperação de milhões de hectares de terra para a agricultura camponesa e a construção, integração, melhoramento ou defesa de milhões de moradias e comunidades urbanas no mundo. A participação protagonizada pelos setores populares em democracias seqüestradas ou diretamente plutocracias é indispensável para as transformações que necessitamos.

10. Tendo em conta o especial contexto deste encontro e a inestimável contribuição da Igreja Católica que, encabeçada pelo Papa Francisco, permitiu sua realização, nos detivemos para analisar o marco de nossas realidades o imprescindível aporte da doutrina social da igreja e o pensamento de seu pastor para a luta por justiça social. Nosso material principal de trabalho foi a Evengelii Gaudium que levou em conta a necessidade de recuperar pautas éticas de conduta na dimensão individual, grupal e social da vida humana. É razoável destacar a participação e intervenção de numerosos sacerdotes e bispos católicos ao longo de todo Encontro, encarnação viva de todos aqueles agentes pastorais laicos e consagrados, comprometidos com as lutas populares que, consideramos, devem ser reforçados no seu importante labor.

11. Todos e todas, muitos de nós católicos, pudemos assistir a celebração de uma missa na Catedral de São Pedro, celebrada por um de nossos anfitriões, o Cardeal Peter Turkson, onde foram apresentadas como oferendas três símbolos de nossos anseios, carências e lutas: um carro de papelão, frutos da terra camponesa e uma maquete de uma casa típica dos bairros pobres. Pudemos contar com a presença de um importante número de bispos de todos os continentes.

12. Neste ambiente de debate apaixonado e fraternidade intercultural, tivemos a inesquecível oportunidade de assistir a um momento histórico: a participação do Papa Francisco no nosso Encontro que sintetizou em seu discurso grande parte de nossa realidade, nossas denuncias e nossas propostas. A claridade e contundência de suas palavras não admitiram duas interpretações e reafirmam que a preocupação pelos pobres está no centro do Evangelio. Em coerência com suas palavras, a atitude fraterna, paciente e cálida de Francisco com todos e cada um de nós, em especial com os perseguidos, também expressa sua solidariedade com nossa luta, tantas vezes desvalorizada e prejudicada, inclusive perseguida, reprimida ou criminalizada.

13. Outro dos momentos importantes foi a participação do irmão Evo Morales, presidente da Assembleia Mundial dos Povos Indígenas, que participou em caráter de dirigente popular e nos ofereceu uma exposição centrada na crítica ao sistema capitalista e em tudo o que os excluídos podem fazer em relação à terra, trabalho, moradia, paz e ambiente quando nos organizamos e temos acesso a posições de poder, de um poder entendido como serviço e não como privilegio. Seu abraço com Francisco nos emocionou e ficará para sempre em nossa memória.

14. Entre os encaminhamentos imediatos do encontro, levamos duas coisas: a “Carta dos excluídos aos excluídos” para trabalhar com as bases dos setores e movimentos populares, a qual nos comprometemos a distribuir massivamente junto ao Discurso do Papa Francisco, e as memórias; e a proposta de criar um Espaço de Interlocução permanente entre os movimentos populares e a Igreja.

15. Junto a este breve comunicado, pedimos especialmente a todos os trabalhadores e trabalhadoras da imprensa que nos ajudem a difundir a versão completa do discurso do Papa Francisco que, repetimos, sintetiza grande parte de nossa experiência, pensamentos e anseios. Repitamos junto: Terra, Teto e Trabalho são direitos sagrados! Nenhum trabalhador sem direitos! Nenhuma família sem moradia! Nenhum camponês sem terra! Nenhum povo sem território! Viva os pobres que se organizam e lutam por uma alternativa humana à globalização excludente!  Longa vida ao Papa Francisco e sua Igreja pobre para os pobres!

*Com informações proveniente da página http://pt.radiovaticana.va

Memória operária: Assassinato de Santo Dias, ‘pacifista’ e ‘apaixonado’, completa 35 anos

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Pelo menos 50 pessoas pintaram de vermelho rua da zona sul de São Paulo e seguiram para o Cemitério de Campo Grande, onde foi celebrada uma missa em memória ao metalúrgico morto pela ditadura em 1979

por Sarah Fernandes, da RBA

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Corpo de Santo Dias foi velado em 31 de outubro na igreja da Consolação e levado até a catedral da Sé, no centro de São Paulo. Cerimônia foi celebrada por dom Paulo Evaristo Arns

Uma procissão de cerca de 50 operários, sindicalistas e militantes políticos se reuniu na tarde de hoje (30) na rua Quararibeia, zona sul de São Paulo, para relembrar um episódio trágico da história brasileira que ocorreu naquele endereço há exatos 35 anos: o assassinato do metalúrgico Santo Dias da Silva pela Polícia Militar, minutos após ele aceitar pacificamente encerrar um piquete que ocorria em uma fábrica no local. O crime, considerado “incompreensível” por amigos e familiares, fez do operário um mártir da democracia e da luta sindical contra a ditadura civil-militar (1964-1985).

Em memória de Santo Dias, os manifestantes pintaram a rua de vermelho, cor que ilustra ao mesmo tempo a ideologia de Santo e o sangue derramado em defesa de seus ideias. Seguiram em procissão para o Cemitério de Campo Grande, onde foi celebrada uma missa sobre o túmulo do operário, lembrado pelos companheiros presentes como um “pacifista”, “apaixonado” e “muito querido”.

“Santo Dias era um líder de comunidade, que participava ativamente da igreja e representava a Pastoral Operária na CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Era um companheiro de luta, apaixonado pelo trabalho social, com uma capacidade ímpar de organizar os trabalhadores. Era conhecido por todos”, lembrou o ex-padre Raimundo Perillat, que militou com Santo Dias.

Natural do município paulista de Terra Roxa, primeiro dos oito filhos do casal de pequenos agricultores Jesus Dias da Silva e Laura Amâncio Vieira, Santo Dias se envolveu com a luta dos trabalhadores rurais ainda adolescente. Católico, foi influenciado pelos párocos progressistas ligados à Teologia da Libertação e, ao lado de outros empregados da fazenda em que trabalhava, organizou seu primeiro movimento por melhores salários entre 1960 e 1961. A combatividade do filho mais velho levou a família a ser expulsa da colônia em que morava, com destino à capital, São Paulo.

Santo se mudou para Santo Amaro, na região sul da capital, onde conseguiu trabalho como ajudante geral na Metal Leve, uma empresa de componentes automotivos. Com a formação ideológica iniciada ainda nas lutas do campo, a transição para a luta dos operários da cidade foi natural. Já no primeiro emprego uniu-se ao movimento operário que lutava por reajustes e melhores condições de trabalho. A partir de 1965, iniciou sua atuação na chapa de oposição do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, considerado “pelego” por parte da categoria, por seguir as restrições impostas pelos militares à ação sindical.

“Até 1978, ele participava da chapa de oposição do sindicato, que o governo militar não reconhecia, temendo uma postura combativa dos trabalhadores. A situação era pelega e era a oposição que articulava as greves. Santo Dias era especialmente importante porque era um líder de comunidade nato”, lembra Perillat.

O final dos anos 1970 foi de retomada da ação sindical, ainda sob o período autoritário. Em 12 de maio de 1978, os metalúrgicos da Scania, em São Bernardo do Campo, ABC paulista, entram em greve. Naquele ano, três chapas (uma ligada ao movimento de oposição metalúrgica) concorrem no sindicato da categoria em São Paulo, que continua sob o comando de Joaquim dos Santos Andrade, o Joaquinzão. No sindicato de São Bernardo e Diadema, Luiz Inácio da Silva, o Lula, é reeleito em chapa única.

A atuação militante de Santo Dias, no entanto, não se restringiu ao movimento operário. Como membro ativo das recém-criadas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e dos movimentos de bairro, ele se engajou na luta por transportes, escolas e melhoria na qualidade de vida dos de trabalhadores. Participou ainda da coordenação do Movimento do Custo de Vida, entre 1973 e 1978, ao lado de sua mulher, Ana Maria do Carmo, liderança sindical e feminista.

“Ele é a memória do povo em luta na época da ditadura. É um militante que deu seu sangue e que mantém viva toda uma história de luta. Todos os que estão aqui hoje e todos os anos, já há 35 anos, relembram sua vida e confirmam que o que ele fez não foi em vão. Jamais vão conseguir tirar a luta e a esperança de um povo”, diz Ana Maria.

Ela ainda lembra vividamente os fatos que antecederam o crime contra Santo Dias. No primeiro dia da greve da categoria em outubro de 1979, as subsedes do sindicato, que abrigavam os comandos de greve, foram invadidas pela PM, que prendeu mais de 130 pessoas. Sem apoio do sindicato e com a intensa repressão, os metalúrgicos passaram a se reunir na Capela do Socorro. No dia 30, Santo Dias, então integrante do comando de greve, foi engrossar um piquete na frente da fábrica Sylvania e conversar com os operários do turno da tarde.

Pouco antes disso, viaturas policiais chegaram ao local. “Nós estávamos em só cinco pessoas no piquete. A pedido de Santo Dias, o mais pacífico de todos, já tínhamos concordado em deixar o local, mas de repente mais viaturas chegaram, nos cercaram e nos mandaram deitar no chão. Foi aí que eles dispararam contra Santo Dias, pelas costas. É difícil de compreender porque aconteceu uma coisa tão absurda”, lembra, emocionado, o ferramenteiro Vicente Garcia, que presenciou o assassinato. “Um companheiro viu tudo e reconheceu o policial. Ele foi julgado, mas acabou absolvido.”

Santo Dias foi levado já sem vida pelos policiais para o Pronto-Socorro de Santo Amaro. Sua esposa entrou à força no carro que transportava seu corpo para o Instituto Médico Legal (IML), o que, para ela, foi o gesto que impediu que seus restos mortais desaparecessem, como era comum com adversários políticos da ditadura. “Eles queriam sumir com o corpo para não ficarem com a culpa, mas nós não estávamos sozinhos. Tivemos muita coragem e enfrentamos os militares e toda a repressão que estava ao nosso redor naquele momento”, lembra Ana Maria.

A morte do metalúrgico foi anunciada por vários veículos de comunicação. No dia 31 de outubro, 30 mil pessoas saíram às ruas de São Paulo para acompanhar o enterro e protestar contra a morte do operário. “Era como se Santo Dias fosse uma pessoa marcada, porque participava das comunidades de base e porque era muito respeitado no sindicato. Acima de tudo, era uma pessoa muito pacífica”, lembra Garcia.

O corpo de Santo foi velado na Igreja da Consolação e levado para a Catedral da Sé, na região central. “Não é certo que a violência arme a mão de outro pobre para terminar com a vida de Santo, não é certo que andem armados policiais que se vão encontrar com o povo de braços cruzados, não é certo que haja dois pesos e duas medidas, uma para o patrão, outra para o operário”, afirmou, durante a cerimônia, o cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Paulo Evaristo Arns.

Uma das homenagens organizadas pelos operários, à época, foi a gravação de um disco com canções e poesias que narram a luta camponesa e operária em São Paulo, bem como a vida e a morte de Santo Dias.

Ouça, abaixo, a íntegra da gravação:

Opinião ## Por trás da onda de ódio e preconceito nas eleições 2014

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A expressiva vitória de Dilma Rousseff, que concede um quarto mandato presidencial consecutivo para o PT, é a garantia de que o povo brasileiro não quis voltar atrás nos avanços sociais e econômicos capitaneados pelos governos de Lula e, agora, de Dilma. O povo não viu na candidatura de Aécio as mudanças que necessitam ser feitas e deu à Dilma a responsabilidade de fazê-las.

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Brasileiros optaram pela mudança

Por Natalino Bastos*

Isso significa que muitas portas se manterão abertas para as mudanças que o povo brasileiro clama. Mas, o que mais chamou a atenção, foi o ódio de classe que se instalou no Brasil por uma elite conservadora e preconceituosa que não aceita a ascensão social das classes pobres do país! O preconceito chegou na forma mais deplorável possível, que é o ódio de classe.

O Brasil necessita de reformas: política, agrária, urbana, tributária, judiciária, dos meios de comunicação, etc. Não é pelo ódio de classe que vamos avançar nessas mudanças. É pela democratização dos direitos, das políticas públicas, pela inclusão social e econômica, superando os resquícios de uma sociedade monopolista, elitista e totalitária.

As reformas, assim como as eleições diretas, são uma vitória da democracia, da vontade de muitos sobre os privilégios de poucos. E foi exatamente em defesa de tais privilégios que se desencadearam nos últimos tempos, mais especificamente de um ano para cá, as ondas de ódio e preconceito que se aninharam na campanha do candidato de oposição. No afã de derrotar a candidata identificada com os trabalhadores e com as conquistas sociais de doze anos, não houve pudor que contivesse o emprego de qualquer tipo de arma.

Ideias generosas, nascidas do combate de séculos pela democracia e pela justiça social, foram violentamente pisoteadas. A tolerância, a solidariedade humana, a igualdade e a fraternidade, solenemente ignoradas. O ódio atingiu de médicos cubanos ao povo nordestino, de petistas à Venezuela, de gays a negros. Quem acompanhou este processo pelas redes sociais viu, inclusive, ameaças diretas de morte e alguns internautas a destilar seu ódio racista e ofensas sem precedentes aos nossos irmãos nordestinos e à própria presidente da República, então candidata à reeleição.

Os alvos dessa campanha têm uma coisa em comum: não pertencem aos setores privilegiados da sociedade, seja no Brasil ou (no caso de Cuba e Venezuela) no mundo. E aqui começa a ficar mais claro a razão desses sentimentos desumanos. O ódio e o preconceito foram armas profusamente empregadas na tentativa de derrotar Dilma e, com ela, os direitos econômicos, sociais e trabalhistas da grande maioria do povo brasileiro.

É necessário entender como funciona a campanha do ódio. Há uma pirâmide hierárquica. No topo dessa pirâmide ninguém se pronuncia claramente. A sinuosidade é a marca. Ideias são lançadas ao vento, ao mesmo tempo, com cuidado e veneno. Você não encontrará nas páginas dos principais jornais, nem nos pronunciamentos de cabeças coroadas, nada de muito direto.

Porém, quanto mais se desce a pirâmide, mais claras as coisas vão ficando. Meios de comunicação desclassificados, colunistas, radialistas, apresentadores de tevê e políticos de baixo escalão fazem questão de espalhar abertamente o preconceito e incitar o ódio, certos de que nada lhes acontecerá, num país onde os meios de comunicação não sofrem qualquer controle e a justiça costuma ser leniente.

Por fim, na base da pirâmide, existem aqueles que dão vazão aos mais baixos instintos e chegam ao paroxismo. “Morte aos nordestinos”, desrespeito à presidenta Dilma, e coisas até piores.

Constituem, na verdade, apenas a bucha de canhão para interesses de quem sequer suspeitam.

É hora de afirmar em alto e bom som verdades iluminadas:contra qualquer tipo de preconceito de raça, de gênero ou de orientação sexual; em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras, os de São Paulo como os de Alagoas; pelo esclarecimento dos motivos ocultos por trás das campanhas de ódio e preconceito; e pela solidariedade entre os povos de todo o mundo.

Essa luta está apenas começando. Pelo que vimos nesses dias pós-eleição, ainda vai longe. Mas vale a pena lutar por uma sociedade onde o amor sempre vencerá o ódio!

Natalino Bastos dos Santos

*Professor de Filosofia, é Presidente Municipal do Partido dos Trabalhadores de Curitiba-PR

3° turno nas ruas: Movimentos sociais convocam ato em SP pela Constituinte da Reforma Política

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“Dia 4 de novembro, em São Paulo, é hora de nos mobilizarmos para garantir a Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político”, informa a convocatória das entidades para o Ato que será realizado na Avenida Paulista, no vão livre do MASP. Confira.

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É hora de prosseguirmos a nossa luta pela mudança do sistema político Brasileiro. Nossa campanha da qual participaram milhares de brasileiros organizados em comitês populares conseguiu pautar a discussão e levantar uma proposta concreta de mudança.

Durante a semana da pátria (01 a 07 de setembro de 2014), mais de 7,7 milhões participaram do plebiscito popular por uma constituinte exclusiva e soberana do sistema político, sendo que a imensa maioria das pessoas que participaram (7,5 milhões) disseram SIM, querem uma Constituinte Exclusiva e Soberana do Sistema Político.

Após as eleições, setores conservadores da sociedade atacam a proposta de plebiscito. Não é de se espantar, já que deste Congresso (e do próximo) não sairá qualquer reforma política de fundo. Devemos enfrentar os ataques do congresso e dos setores da mídia que agem pra impedir a soberania popular e a participação do povo na escolha de seu futuro.

Assim, o comitê estadual do plebiscito convoca todos e todas militantes da reforma política a estarem conosco, neste ato de apoio ao plebiscito pela reforma política, que acontecerá no dia 04 de novembro, terça feira, as 18h no vão livre da MASP, deixando bem claro para este setor que a reforma política é uma necessidade e será conquistada com muita pressão social.

Não vacilemos! É hora de lutar

Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/1495092334093119/

Juros: Mercado 1 X 0 Povo

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O Banco Central (BC) elevou a taxa de juros mais uma vez. Para sinalizar ao mercado, o aumento de 0,25 joga a taxa básica de juro para 11,25%. Este é o maior nível da Selic desde novembro de 2011.

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A escalada dos juros

Na primeira reunião após as eleições, o Banco Central (BC) surpreendeu até o mercado financeiro e o setor produtivo ao elevar na noite de quarta-feira a taxa básica de juro, de 11% ao ano para 11,25%.

Especialistas avaliam que a medida pode simbolizar o começo do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, que reforçou, em entrevistas depois do pleito, o compromisso de combate à inflação. O juro está no maior nível desde novembro de 2011, quando chegou a 11,5% ao ano.

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) não foi unânime: foram cinco votos pelo aumento e três pela manutenção. Desde a sua última reunião, “a intensificação dos ajustes de preços relativos na economia tornou o balanço de riscos para a inflação menos favorável”, justificaram os integrantes da diretoria do BC, por meio de nota.

*Com informações Zero Hora

Pós eleição: Dilma sinaliza inflexão à esquerda no 2° mandato

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Presidente reconhece papel do Psol na sua reeleição

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Kennedy Alencar*

No segundo mandato, a presidente Dilma Rousseff deverá fazer uma inflexão à esquerda. A presidente reconhece que o PSOL teve um papel importante na sua reeleição, devido ao apoio de alguns políticos de expressão do partido, como o deputado estadual Marcelo Freixo e o deputado federal Jean Wyllys, ambos do Rio.

Na entrevista ao SBT, gravada ontem no Palácio da Alvorada, a presidente disse que vai dar suporte ao projeto que criminaliza a homofobia, num sinal de mudança de atitude em relação ao primeiro mandato.

Ao admitir realizar uma reforma política por meio de um referendo e não somente via plebiscito, Dilma tenta driblar resistências no Congresso e deixar de pé um tema que, segundo ela, foi cobrado pela juventude em seus atos de campanha.

Há resistências ao plebiscito no Congresso, tanto na oposição quanto na base de apoio governista, sobretudo no PMDB. A presidente disse que o importante é que seja feita uma consulta popular para aprovar a reforma política, não importa se via plebiscito ou referendo. O plebiscito é uma consulta que se faz antes de o Congresso votar a reforma. O eleitor escolhe temas que deseja ver regulamentados. O referendo é um endosso ou uma reprovação do eleitor a um projeto já votado pelo Congresso. É mais fácil politicamente fazer o referendo.

No plebiscito, a briga já começa na hora de compor a lista dos tópicos que serão aprovados ou descartados pelo eleitor. No referendo, o Congresso faz a sua proposta, e o eleitor decide o que vai valer.

*

A primeira derrota pós-reeleição na Câmara anuncia tempos difíceis na política para Dilma, porque foi apenas uma primeira mensagem da base de apoio da presidente. É verdade que o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), foi o maior articulador da derrubada do decreto que vinculava decisões de interesse social a conselhos populares de órgãos federais. O presidente da Câmara tem o poder de colocar os assuntos em pauta. E fez isso ontem para se vingar da derrota que sofreu ao disputar o governo do Rio Grande Norte contra Robinson Faria, do PSD.

O ex-presidente Lula apoiou Robinson, gravando mensagem eleitoral para o adversário de Henrique Alves. Lula agiu assim porque, nos bastidores, o peemedebista teria abandonado a candidatura de Dilma e apoiado o senador Aécio Neves (PSDB), o que ele nega. Para complicar para a presidente, há um racha no PMDB de Henrique Alves.

Uma ala peemedebista contesta Dilma. Essa derrota de ontem é apenas o começo do que pode ser um calvário para o governo na Câmara. Há outros projetos com forte impacto fiscal que estão aguardando votação. Portanto, é importante a presidente recuperar o controle da sua base de apoio rapidamente. Do contrário, essa turbulência política poderá contaminar a economia, que já tem os problemas, sobretudo por aguardar com ansiedade o nome do novo ministro da Fazenda. A derrota na Câmara é um alerta.

*É analista e comentarista político

Pós eleição: Lula quer mais cidadania, mais generosidade e menos preconceito para Brasil seguir avançando

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Em mensagem sobre o resultado eleitoral, o ex-presidente Lula saudou o povo brasileiro pela participação democrática nas eleições e reafirmou a importância do legado de programas sociais como o Bolsa Família. Além disso, em relação ao ódio e o preconceito surgidos durante a batalha eleitoral, Lula pediu que o preconceituoso “abra o seu coração, a sua cabeça e a alma”. Confira o vídeo.

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