Por André Machado*

Para quem não sabe Sinhinho era formada em cinema e havia trabalhado muito tempo em produtoras de filmes e comerciais. Afastou-se da profissão, segundo ela, porque não se sentia feliz “ fazendo propaganda para o capitalismo”.

As contradições pessoais de Sininho não teriam importância se ela não tivesse se destacado em ser a porta-voz dos Black-Blocs nas manifestações da juventude 2013, apresentados como aqueles que, com sua tática de pequenos grupos violentos e atacando os “símbolos” do capitalismo, iriam fazer as mudanças sociais que partidos de esquerda e sindicatos não serviam mais para organizar.

Em fevereiro deste ano, pelo facebook, numa retórica explosiva, Sininho declarou: “Não tô aqui para fazer bonito pra ninguém. Em relação aos políticos, que se fodam. Como vocês também, vou detonar as eleições esse ano.”

O interessante é que pouco mais de um ano depois das manifestações de junho, as coisas parecem tomar um formato mais claro sobre qual o papel de cada estratégia na luta social. Hoje, Sininho, indiferente às aspirações dos jovens de junho de 2013, trata de sua vida pessoal posando para uma revista VIP, mesmo continuando a defender os Black-Blocs.

Por outro lado, as tais organizações sociais organizadas (sindicatos e entidades populares), demonizadas pela própria Sininho, colocaram-se a frente de um plebiscito popular pela constituinte exclusiva do sistema político, no qual votaram 7,8 milhões de brasileiros,  exatamente para buscar dar voz e organização às aspirações de mudanças que os jovens e o povo exprimiram nas ruas no ano passado.

Pode-se dizer ainda que ao invés de “detonar as eleições” como prometeu, Sininho está completamente alheia a ela, parecendo não se importar que ganhem aqueles que propõem retroceder as conquistas e impedir que se avance.  O curioso é que os Black-Blocs, como Sininho, que quebraram algumas agências do Itaú, parecem agora pouco ligarem se a candidata deste banco assuma a presidência da República para governar para um mercado financeiro de verdade, e não simbólico.

Portanto, as fotos de Sininho para a Top Magazine trazem profundas lições.

*É funcionário do Banco do Brasil e diretor do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região. É historiador formado pela UFPR e mestre em Tecnologia pela UTFPR.

**Foto e legenda do editor do Blog. Artigo originalmente publicado na Blog www. andremachado.com.br