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Arquivo do mês: agosto 2014

Eleições 2014: Como Marina tenta montar o reverso de Lula

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Antes de entrar no tema, um pedido de desculpas. No artigo “O mito do cavaleiro solitário” atribuí a Marina Silva a condenação das pesquisas com células tronco e o ensino exclusivo do criacionismo nas escolas. Conferindo matérias da época, fica claro que em nenhum momento Marina colocou suas convicções acima da liberdade de pesquisa da ciência.

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Por Luis Nassif – Via GGN

Agora, ao tema.

O episódio Malafaia é elucidativo para entender dois pontos apontados aqui no Blog, sobre o programa e a candidatura de Marina Silva.

O primeiro, a qualidade do programa original da Rede Sustentabilidade.

Quem acompanha a série que escrevo sobre o Brasil 2015 poderá conferir que a maioria absoluta dos conceitos defendidos – e das críticas que faço à condução das políticas públicas – foi contemplada no Programa do Sustentabilidade..

O segundo, a incapacidade de Marina Silva de minimamente administrar conflitos. E, de certo modo, a falta de fôlego da própria Rede para enfrentar o velho.

Dois episódios demonstram isso.

1. O caso do aprofundamento da democracia participativa, uma das grandes bandeiras atuais. Bastou uma manchete preconceituosa do Estadão para a Rede soltar uma nota informando que os conceitos criticados pelo jornal constavam de um trabalho ainda não aprovado pelos coordenadores do programa. O programa é divulgado e os conceitos continuam lá.

2. O caso LGBT, ou como essa fantástica frente modernizadora, esse centro do mais avançado pensamento das ONGs paulistas, os centuriões da modernização foram botados para correr pelo pastor Silas Malafaia.

Reverso de Lula

Não apenas isso.

No fundo, o programa da Rede Sustentabilidade é um tentativa de reengenharia no modelo lulista.

Lula compôs com o mercado financeiro para viabilizar suas políticas sociais; o programa de Marina pretende compor com os movimentos sociais para viabilizar sua política econômico-financeira.

No período Lula-Dilma, com todas as concessões, o ponto central foram as políticas sociais; no programa da Rede, pelo contrário, é o mercado financeiro (explico logo adiante).

Há agravantes nessa estratégia.

Os tempos são outros, não há crescimento nem espaço fiscal para atender a todas as demandas. O próximo governante terá que administrar a escassez. E aí o programa da Rede não passa no teste de consistência:

1. Os novos tempos exigem o aprofundamento da democracia social e do Estado de bem estar. Aumenta o custo dos salários e exige um novo desenho econômico para preservar a capacidade da economia em gerar empregos de melhor valor.

2. O novo modelo só se sustenta com um salto na qualidade do emprego e das empresas. Exige uma nova política industrial, casada com planos de inovação, educação, visando garantir a oferta de empregos de maior valor agregado.

3. Definidos os dois passos anteriores, a macroeconomia precisa ser adaptada aos novos tempos. Ou seja, ela é a derivada. No programa do Sustentabilidade, juros e parte fiscal são o fator dominante.

Para mostrar melhor as incongruências, compararei o programa da Rede com o que está sendo elaborado por um conjunto de especialistas – macroeconomistas, economistas sociais, urbanistas etc – ligados ao chamado novo pensamento desenvolvimentista.

Primeiro movimento: a democracia social

Nos dois casos, há grande semelhança das ideias levantadas – pelo fato de que estão rodando por aí, na cabeça de especialistas, da academia, das ONGs.

Grosso modo, podem ser divididos nos seguintes subtemas:

1. Temas ligados à qualidade de vida.,

2. Temas ligadas ao federalismo.

3. Temas ligados ao aprofundamento da democracia social.

4. Micro-reformas desburocratizantes.

Quase todas as ideias significam melhorias incrementais em relação à dinâmica das políticas sociais já existentes.

É o que explica o belíssimo capítulo do programa da Rede sobre a inclusão de crianças com deficiência na rede escolar, belíssimo nos conceitos mas ignorando uma realidade concreta, uma das mais bem sucedidas políticas públicas do país: 800 mil crianças com deficiência sendo atendidas na rede escolar, com transporte, salas especiais, planos de trabalho individualizados. Ou a proposta de ensino em período integral ignorando que já existem 4 milhões de crianças nessas condições.

Todo esse trabalho foi possível porque tanto o governo Lula como Dilma garantiu espaço no orçamento público. É aí que se dão os grandes embates políticos, com corporações, mercados e grupos sociais querendo, cada qual, seu pedaço do bolo.

Segundo movimento: a reestruturação econômica

Nesse capítulo, a lógica mercadista se apresenta em toda sua exuberância.

O trabalho dos desenvolvimentistas procura identificar novos setores dinâmicos e defender políticas de fortalecimento com uso de política de compras, conteúdo nacional, investimento em inovação, educação, financiamento etc. E o pré-sal é o ponto central dessa reestruturação.

O pré-sal some do programa da Rede. Em relação aos combustíveis fósseis, a única menção é à necessidade de reduzir sua utilização por questões ambientais.

No capítulo energia, o programa perde-se em análises recorrentes sobre o novo modelo elétrico e na defesa sonhática de formas alternativas de energia, como se a energia solar e a eólica pudessem dar conta do recado de garantir energia para as próximas décadas.

Políticas de conteúdo nacional não se limitam meramente a assegurar um percentual de produtos nas compras públicas. São o ponto de partida para programas de capacitação, envolvendo a cadeia produtiva, universidades, atração de tecnologia externa, treinamento, cursos técnicos. São peças essenciais para permitir saltos de qualidade na cadeia produtiva.

O programa da Rede limita-se a aceitar os programas de conteúdo nacional existentes, “desde que com data marcada para terminar”. A ideia central continua sendo a de abrir o país para a competição externa, como se a invasão de importados e a queda da indústria decorressem da falta de competição.

Terceiro movimento: a política macroeconômica

É aí que se revela amplamente a política econômica da Rede.

Ampliação dos direitos sociais, reestruturação industrial, tudo isso depende de recursos orçamentários.

Um projeto político voltado efetivamente para o aprofundamento da democracia social e para a reestruturação econômica, não poderia conviver com dois vícios recorrentes que comprometem o orçamento público:

1. A política de metas inflacionarias que cria o pior dos mundos para o orçamento público. Cada aumento da inflação dispara uma alta dos juros que, por sua vez, compromete parcelas cada vez maiores do orçamento público, além de destruir a política cambial.

2. Para garantir o espaço para a apropriação do orçamento pelos juros, definem-se metas de superávit fiscal incompatíveis com períodos de estagnação econômica.

Não difere do que vem sendo praticado por sucessivos governos, e agravado nos últimos anos pelos problemas de gestão econômica de uma equipe medíocre, mantida pela teimosia de Dilma..

Um upgrade do governo Dilma exigiria uma mudança corajosa nesse modelo do tripé econômico, definindo um combate radical às heranças remanescentes da inflação inercial, substituindo as metas inflacionarias por outras formas de articulação das expectativas e, principalmente, desatrelando a dívida pública da política monetária do Banco Central.

É mais fácil essa mudança ocorrer com Dilma do que com Marina. Dilma abraça o tripé por não dispor de uma equipe com fôlego para propor políticas alternativas. Já no grupo de Marina, o tripé é sagrado.

Conclusão

O programa é relevante – seria mais não fossem os recuos inacreditáveis – por levantar temas dos novos tempos, conceitos contemporâneos, principalmente partindo de organizações sociais que promovem um arejamento no pensamento anacrônico da chamada elite empresarial.

Mas é evidente que o resultado final não é a ruptura com dogmas que seguram a transição para os novos tempos. Pelo contrário: reforçam a submissão do país a um modelo econômico que se esgotou globalmente.

*É jornalista. Artigo originalmente publicado no seu Blog

Semana do plebiscito popular por uma Assembleia Constituinte Exclusiva para fazer a reforma política. Participe!

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Concentração às 17h na Reitoria da UFPR, saída às 18h em direção a Praça Santos Andrade

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Venha participar do lançamento da semana de votação popular pela convocação de uma constituinte exclusiva para fazer a reforma política, com a presença de artistas populares e lideranças de movimentos populares e sociais.

Opinião ## Professor Paixão e as eleições na APP-Sindicato

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Artigo do Professor Paixão,candidato a presidência da APP-Sindicato pela Chapa 2, defende uma gestão mais atuante da entidade, com reforço no protagonismo da base e uma profunda renovação dos métodos de condução do sindicato. Além da busca permanente por um diálogo integrador com as diferentes forças que atuam no seio da categoria. Paixão também vai priorizar a luta pela valorização do conjunto da categoria, incluindo o quadro PSS, o “proletariado” do magistério. Sobre a “política-do-cafezinho”, Paixão avalia que “ela não trouxe resultados substantivos” para os professores e a educação.

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Material de propaganda da Chapa 2: APP mais democrática

Luiz Carlos Paixão da Rocha*

Apesar de avanços pontuais nos últimos períodos, a educação vive um dos seus piores momentos. Por um lado, um crescente e assustador quadro de adoecimento de professores e funcionários nas escolas. Por outro, percebemos o crescente desistimulo dos nossos jovens a acessarem carreiras na educação, em virtude da falta de valorização da profissão.

Faculdades tradicionais de nosso estado já começam fechar cursos de licenciaturas em virtude da diminuição da procura dos estudantes que buscam o ensino superior. Além do mais, nossas escolas estão com dificuldade de contratação de funcionários PSS para os trabalhos de limpeza, pois o trabalho como diarista tem sido mais vantajoso. Contraditoriamente a este quadro, cada vez mais cresce o discurso em nossa sociedade da importância da educação. Todos acham que é importante e necessário investir mais na educação.

Porém, entre este discurso simpático e a realidade que vivemos nas escolas há uma distância muito grande. Reverter este quadro é uma tarefa das mais urgentes. E a nossa APP tem um papel fundamental nesta luta. Tem que unir toda a categoria; tem que conclamar a sociedade; tem que costurar uma aliança muito forte porque as medidas de atração dos melhores estudantes para a profissão passam pela necessária valorização do professor e do funcionário da escola.

E não será com reposição da inflação que vamos conquistar a tão sonhada valorização. Precisaremos de medidas profundas dos governos municipais, estaduais e federal. Algumas medidas são urgentíssimas, como por exemplo, a necessidade de alteração da Lei de Responsabilidade Fiscal que hoje é um entrave para a melhoria das condições de trabalho e de salário dos professores e funcionários de escolas.

Apesar de a educação ter recursos próprios, estes muitas vezes não podem ser aplicados em aumentos salariais em virtude da referida Lei. Se esta não for alterada, os novos recursos que virão em todo país com a aprovação do Plano Nacional da educação não se materializarão em melhorias salariais para os educadores. Assim, a tal propalada política do cafezinho (negociação constante com os governantes nos marcos existentes que não levam às mudanças substantivas nas nossas condições de trabalho) precisa urgentemente ser superada.

Nossa chapa APP Independente, democrática e de luta propõe um salto de qualidade na organização sindical dos trabalhadores em educação do Paraná.

Precisamos de uma APP forte, democrática e com condições de estabelecer um diálogo mais efetivo com o conjunto da sociedade para diminuir a distância entre o discurso da importância da educação e a realidade que vivemos na escola e na política educacional de nosso estado e de nosso mais. Para tanto, precisamos um sindicato mais plural e independente de partidos e governos.

A independência que defendemos não é em relação a projetos de sociedade, mas sim a partidos e governos. Não temos nada contra a militância partidária. Muito pelo contrário. Achamos salutar que nossos dirigentes e integrantes da categoria tenham militância em partidos. Eu, aliás, já fui candidato e tenho filiação partidária.

Entendo a importância dos trabalhadores terem representação nos espaços legislativos e executivos. Porém, temos que diferenciar o que é organização partidária e o que é a organização da categoria. O sindicato é uma frente de trabalhadores e trabalhadoras organizados com o objetivo de construir relações de trabalho e sociais mais justas.

Este é um momento de ousadia. Nossa categoria não pode simplesmente ficar lutando para o cumprimento de Leis ou por reajustes pontuais. É nossa profissão que está em perigo. A partir da categoria, a APP precisa discutir a reformulação do modelo de escola que temos, que é o mesmo há mais de 50 anos. Este modelo tem deixado o conhecimento em segundo plano.

Precisamos ousar na construção de um novo modelo escolar. Precisamos discutir com seriedade as rotinas escolares, a organização do calendário e da matriz curricular.

O sindicato não pode ficar alheio à realidade do professor no chão da escola.

Nos países que hoje ostentam os melhores índices de qualidade da educação são visíveis as políticas sólidas de valorização dos trabalhadores em educação. Nestes, o discurso da importância da educação é materializado em políticas de reconhecimento social da importância do trabalho dos professores e funcionários. Nós também precisamos trilhar este caminho.

Por tudo isto, para garantir de fato a valorização que nossa categoria merece, nós resolvemos, após uma série de debates em todo o estado, construir uma chapa para concorrer à direção estadual da APP, e na maioria dos núcleos sindicais da entidade.

Nossa chapa é de renovação. Dos 17 integrantes, apenas três compõem a atual direção. Os outros 14 são lideranças representativas da luta pela educação pública em todo o estado do Paraná.

Procuramos garantir na nossa chapa representação de todos os segmentos da nossa categoria: professores, funcionários, em atividade, aposentados, que atuam na educação regular, especial, educação de jovens e adultos, educação profissional, educadores concursados e PSS. A nossa estratégia central de ação é a defesa da educação pública e de valorização dos profissionais da educação.

Sabemos que para tanto, o sindicato precisa estar inserido nas lutas pela transformação da sociedade que vivemos.

Na sociedade capitalista, a política educacional é ditada pelos interesses do mercado e não da sociedade.

Neste modo de organização social, a educação se limita a garantia de ferramentas (conhecimentos) mínimas para que nossos estudantes se a insiram no mercado de trabalho.

Ao contrário, nós que defendemos a educação pública, a concebemos como uma forma de garantir autonomia intelectual aos nossos estudantes. Por isto, ela precisa ser sólida e de qualidade. Assim, a defesa que fazemos da escola pública está inserida nas lutas de questionamento e alteração deste modelo econômico atual, que é produtor de um conjunto de desigualdades.

Assim, somos combatentes de políticas de estado ou governos que tentam minimizar o caráter público da educação, e as políticas sociais destinadas à maioria da população.

Vivemos um momento de construção de uma nova cultura política no país. O sindicato precisa estar preparado e fazer parte desta construção. Nosso sindicato precisa ser cada vez mais plural e democrático.

As pessoas não podem ter receio de divergir. Pensar diferente é um direito e não um crime. As relações precisam ser mais horizontais e menos verticais.

Temos o enorme desafio de gradativamente ir ampliando a consciência política sindical de nossa categoria. E esta se dará no debate plural de idéias e na ação organizada da categoria em torno da nossa APP-sindicato.

Por isto apresentamos uma série de propostas para intensificar a participação da categoria no sindicato, de modernização do atendimento ao nosso sindicalizado, e de fortalecimento da nossa ação sindical a partir da escola.

Só com uma APP arraigada em cada escola poderá enfrentar os desafios que o momento traz para a nossa profissão. São estes motivos que me movem a ser presidente da APP-Sindicato junto com a equipe da Chapa 2.

Conheço bem a nossa categoria, a nossa carreira e a organização da nossa APP-Sindicato em todo o estado. Sei dos desafios que temos pela frente. A experiência que adquiri nestes últimos anos me dá as condições para coordenar a inauguração de um novo ciclo de luta e conquistas em nossa entidade.

Além da militância nas principais lutas da categoria no último período tenho dedicado a estudar as políticas educacionais implantadas no país e no mundo.

Construímos um grupo muito preparado para enfrentar junto com a categoria os novos desafios da nossa profissão.

Concluo afirmando minha firme disposição de junto com cada professor e funcionário do estado do Paraná de lutar para que cada vez mais se diminua a distância entre o discurso da importância da educação e a realidade que vivemos em nossas escolas. Juntos, vamos vencer!

*Professor de Língua Portuguesa na rede pública Estadual do Paraná. Mestre em Educação em Políticas e Gestão em Educação pela Universidade Federal do Paraná. Candidato a presidente da APP-Sindicato pela Chapa 2 – APP Independente, democrática e de luta.

Eleições 2014: Demonizar Marina ou radicalizar o projeto democrático-popular

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Aos companheiros do campo democrático-popular, uma breve reflexão.

SOBRE MARINA

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Marina herdou de Campos o partido e também uma rede de contradições

1. A candidatura de Marina não pode ser demonizada por nós. Ela foi fruto de uma situação excepcional. Carrega em si contradições políticas e ideológicas nada fáceis de superar. O seu bloco partidário tem frágil unidade política e pouca capilaridade organizativa. O vento que bafeja a sua candidatura é movido por um sentimento de mudança, é verdade, mas não agrega setores à esquerda e à direita do atual espectro político do país. Camadas médias urbanas dos grandes centros e parcelas da juventude encontram de forma muito subjetiva um apelo em Marina(aí reside sua força e a sua fraqueza ao mesmo tempo).

2. O PT precisa buscar o diálogo com esses setores, encontrar formas de abordagens novas para atrair a simpatia e o apoio desses segmentos sociais. Durante as manifestações de junho de 2013, o partido se encolheu e muitos dirigentes viam aquele movimento em intensa disputa como uma orquestração, uma visão simplista e até despolitizada daquele rico processo.

3. Se o país avançou com as gestões de Lula/Dilma, melhorando a vida dos mais pobres, por outro lado, nós não fomos capazes de mudar a cultura e a superestrutura política do país. Largos setores da sociedade estão distantes da atual forma de fazer política e confundem o PT como um mantenedor do atual sistema.

4. Um novo ciclo de reformas é mais que uma necessidade, é uma condição básica para seguir avançando. Uma reforma política e partidária é indispensável para abrir caminho para as forças verdadeiramente transformadoras. Uma nova geração de programas econômicos e sociais precisa efetivamente ser levado a cabo no Brasil. Se reduzimos a miséria absoluta, garantimos certa mobilidade social, criamos uma nova classe média, está na hora de ampliar os direitos políticos e sociais para toda essa gente.

5. Portanto, temos que fazer a polarização política no sentido de recuperar a confiança e a empatia em nossas propostas de conteúdo mais avançado. Mudar a qualidade do debate político, desmistificando a tal “nova política” de Marina e recuperar a magia do projeto democrático-popular. Creio que o campo democrático-popular ainda tem energia e capacidade política para cumprir essa tarefa.

Vamos eleger Dilma para mudar de verdade!

Opinião ## Eleições 2014: O fator Marina e o envelhecimento dos partidos

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O Blog reproduz a análise do jornalista Luiz Nassif(GGN) sobre a disputa eleitoral e o impacto da “onda” Marina no processo em curso. Trata-se de uma avaliação que reforça a constatação da fragilidade dos partidos e a necessidade urgente e inadiável da reforma política.

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Por Luis Nassif

No Twitter, Xico Graziano vibrava com as notícias do IBOPE sobre a explosão da candidatura Marina Silva, apesar de poder ser a pá de cal na candidatura do seu partido. Não se trata de um twiteiro convencional, mas do homem de confiança de Fernando Henrique Cardoso, que chegou a ser cogitado para comandar a campanha de Aécio Neves nas redes sociais.

Seu entusiasmo é uma demonstração eloquente da falta de substância no discurso oposicionista. Nesses doze anos, limitaram-se a brandir um anacrônico “delenda PT” em vez de buscar o discurso novo.

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Nem se pense que do lado do PT houve alguma inovação.

As manifestações de junho de 2013 poderiam ter sido um presente para o partido e para Dilma. Com mais de um ano de antecedência, vinha o aviso das ruas: o povo já tem pão, já tem escola, já tem luz; falta participação.

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Sabia-se que, fechado o ciclo de inclusão – promovido pelas políticas sociais de Lula e Dilma – apareceria em cena um novo cidadão, mais exigente em relação aos serviços públicos, mais consciente em relação aos seus próprios direitos, mais cético em relação às instituições convencionais da democracia representativa.

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A onda Marina Silva é a comprovação maior de como os partidos – tanto o PT quanto o PSDB – afastaram-se dos intelectuais e do sentimento das ruas.

Hoje em dia, é comum ouvir de líderes partidários críticas a Dilma, por não ter interpretado devidamente o sentimento das ruas. Mas o próprio PT tratou a insatisfação popular como uma tentativa de golpe ou da direita ou de grupos de extrema esquerda. Quem ousasse dar legitimidade à insatisfação das ruas era execrado. Julgaram que o novo cidadão ainda levaria alguns anos para emergir. Não tiveram o menor sentimento de urgência.

Aliás, não conseguiram sequer divulgar – até agora – avanços inegáveis que aconteceram em diversas políticas públicas.

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Do lado do PSDB, nem se diga. Desde Mário Covas o partido perdeu totalmente o sentimento de povo. As manifestações de junho mereceram apenas algumas análises óbvias de FHC e nenhuma forma de ação.

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Com essa insensibilidade ampla, a bandeira do aprofundamento democrático e da democracia digital ficou exclusiva de Marina Silva – fortalecida pela demonização da política patrocinada esses anos todos pelos grupos de mídia.

Um eventual governo Marina Silva é um enorme risco para o país. Analistas já comparam a Jânio Quadros e Fernando Collor – pelo isolamento, pela falta de estrutura partidária, pela ausência de jogo de cintura para tratar com os políticos e pela falta de um projeto mais amplo de país.

Dilma e Aécio representam propostas de política econômica claras e conhecidas. Já Marina é cercada por grupos absolutamente heterogêneos, onde despontam desde “operadores” de mercado (no pior sentido), como André Lara Rezende, a um certo empresariado industrial paulista mais moderno, os nacionalistas do PSB, e ONGs do setor privado, de boa reputação. Juntos, não formam um projeto.

Mais que isso, sobre essa orquestra disforme paira a personalidade de Marina.

É imensamente mais teimosa e menos preparada que Dilma. Tem muito menos habilidade política e capacidade de escolha de equipe que Aécio.

O crescimento de sua candidatura não se trata de um fogo fátuo, como tantos outros da história recente do país. Que a onda irá refluir, não se tenha dúvida. Não se sabe apenas se refluirá antes de terminadas as eleições.

Mas sua eleição é inegavelmente uma aposta de altíssimo risco.

Fetiep promove seminário sobre as mudanças no mundo do trabalho e o papel dos sindicatos

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Na sexta-feira (29), a Federação dos Trabalhadores da Indústria do Estado do Paraná(Fetiep) reúne dirigentes de sindicatos, federações e centrais sindicais para debater e apontar caminhos que evitem retrocessos na legislação trabalhista, previdenciária e sindical. Esta é a proposta do “Seminário Repensar o Mundo do Trabalho e Elevar o Protagonismo da Classe trabalhadora”, que acontecerá a partir das 8h nas dependências do Hotel Mabu.

“Com o seminário, esperamos que a classe trabalhadora possa, de fato, debater o mundo do trabalho e pensar novas perspectivas para o movimento sindical, de modo que possamos superar os entraves que dificultam o nosso caminho nos marcos desta nova revolução científica e tecnológica que vivenciamos”, explica o presidente da Fetiep, Luiz Gin.

Seminrio Fetiep trabalho

Na programação do evento, constam palestras com o senador Paulo Paim(PT), o diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) Antônio Augusto de Queiroz, Carlos Machado de Lessa, professor da UFRJ e do jornalista Altamiro Borges, da Fundação Maurício Grabois. A abertura do evento ficará por conta dos presidentes Luiz Gin, da Fetiep, e de José Calixto Ramos, da CNTI e presidente da Nova Central Sindical.

Eleições 2014: Ibope faz pesquisa no Palácio Iguaçu e Beto lidera. No Paraná, a realidade é outra, anote aí!

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Segundo pesquisa do Ibope divulgada nesta terça-feira(25), o atual governador Beto Richa “lidera com folga” a disputa para o executivo estadual. Beto tem 43%, Requião, 26%, e Gleisi, 14%, diz o Ibope. O instituto entrevistou 1.008 eleitores entre os dias 21 e 23 de agosto. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. No meio político e partidário, é generalizada a suspeita de que a pesquisa foi realizada no Palácio Iguaçu...

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Pesquisa Ibope divulgada nesta segunda-feira (25) aponta Beto Richa (PSDB) com 43% das intenções de voto para o governo do Paraná, seguido de Requião (PMDB), com 26%, Gleisi Hoffmann (PT), com 14%, e Tulio Bandeira (PTC), com 1%. Esta é primeira pesquisa de intenção de voto feita pelo instituto sobre a eleição estadual após o registro das candidaturas. A pesquisa foi encomendada pela RPC TV.

Os candidatos Bernardo Pilotto (PSOL), Geonisio Marinho (PRTB), Ogier Buchi (PRP) e Rodrigo Tomazini (PSTU) somaram, juntos, 1%. Brancos e nulos somaram 8%, e 7% não responderam.

O resultado da pesquisa gerou intenso questionamento no meio político e nas redes sociais. Ainda é fresca na memória os graves erros do Ibope em 2012 em Curitiba, Foz do Iguaçu e Londrina.

*Com informações G1

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