Assinatura RSS

Arquivo do mês: julho 2013

Literatura ## Como fazer inimigos em Curitiba

Publicado em

Cristovão Tezza mora pertinho do DaltonTrevisan. É dureza, meu nego, não ser o melhor escritor nem em nosso bairro

 

Por Ernani Ssó*

O filho eterno

Não consegui ler. Se posso copidescar, com pouco esforço, reduzindo o livro a um terço mais ou menos, não consigo ler. Tanto faz se é bom ou não. Imagino o que faria o Trevisan com esse material. Talvez uns dois contos de três páginas, talvez uma meia dúzia de mini-histórias. Uma coisa é certa. Trevisan não buscaria a peninha do leitor.

Vida complicada

Nunca usei bigodinho, nem tive dente de ouro. Nunca comi broinha de fubá mimoso. Nunca chupei bala Zequinha. É o diabo, nunca namorei uma polaquinha.

Mas ouvi e ouço muito a corruíra no jardim. Nem tudo é danação.

Badalação

Não entendo a badalação em torno do Leminski. Quer dizer, entendo, sim, mas acho uma chatice. Dalton Trevisan e Jamil Snege botam Leminski no chinelo. O Leminski e a horda dos imitadores do Leminski juntos.

Poeta

O Paraná tem um poeta: Dalton Trevisan. Preste atenção nas frases do Trevisan. Preste atenção nas cenas do Trevisan. Está na cara que ele não pensa como prosador. Quem dera muito poeta fosse tão fundo e com tanta precisão com tão pouco.

Mal comparando

Não gosto de comparar escritores. Literatura não é simples como turfe, que se resolve com um cavalo chegando com um focinho na frente. Só dá pra comparar dois escritores quando um deles é um pangaré a caminho da fábrica de sabão.

Leminski: “a palmeira estremece/ palmas pra ela/ que ela merece” ou “Inverno/ É tudo o que sinto/ Viver/ É sucinto”.

Trechinho do dia a dia de um viúvo em Desgracida, do Dalton Trevisan: “De volta à Pensão Bom Pastor com um jornal, às vezes uma revista. Um pouco de jornal, daí o rádio, logo me chateio. Mais jornal, suspiro, os pequenos anúncios, gemido. No fim começo a falar sozinho. Sabe que faz bem?”.

Preciso entrar em detalhes? Leminski só brinca com o som das palavras. Pra que fazer sentido? Parece que faz slogans publicitários, frases bonitinhas pra tapear o vazio. Trevisan lida com coisa real, uma pessoa, a solidão dela, a briga pra sobreviver. Apenas isso é uma vantagem incomparável. Mas o modo como ele lida, puta que pariu. Recorta com tesourinha uns cacos de realidade e os cola numa ordem e com uma precisão perfeitas, quero dizer, de um modo que o efeito é cem vezes mais poderoso do que um acúmulo de cenas ou descrição de três páginas de lágrimas.

O sucesso do Leminski e os poucos leitores do Trevisan pra mim são um acinte.

Antiliterário

Li em algum lugar que o estilo do Trevisan é antiliterário. Não entendi no primeiro segundo. Tive de lembrar que o pessoal acha Iracema, do José de Alencar, literatura.

Estalo

Lendo e relendo Dalton Trevisan, penso que estou no caminho certo. Nunca vou chegar a lugar nenhum. Mas estou no caminho certo.

*É escritor. Artigo publicado em sua coluna de hoje no Site Sul 21

Anúncios

Cabeça de Requião movimenta comércio popular da Riachuelo

Publicado em

É grande o número de pessoas que visitam a loja de móveis usados onde está exposta à venda a cabeça do senador Roberto Requião (PMDB) na Rua Riachuelo, no São Francisco. No final da manhã, o objeto já estava cotado acima de R$ 4 mil reais. Este Blog confirmou com a proprietária a movimentação crescente de curiosos na loja.

Imagem do dia: Cabral, onde está Amarildo?

Publicado em

O pedreiro  Amarildo Dias está desaparecido há duas semanas. Entidades de Direitos Humanos cobram uma resposta da PM do Rio

Ativistas da ONG Rio de Paz fazem ato protesto na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (Tasso Marcelo/AFP)

Um protesto organizado na manhã desta quarta-feira (31), na praia de Copacabana, zona sul do Rio, cobra solução sobre desaparecimentos de pessoas não esclarecidos pela polícia. Entre eles, o do pedreiro Amarildo Dias, desaparecido há duas semanas, desde que foi abordado por policiais militares da UPP, durante operação na comunidade da Rocinha. Foto: Osvaldo Praddo/Agência O Dia

Imagem do dia: A cabeça de Requião

Publicado em
cabeça-requião-guilherme-naguëva.jpg
Cabeça-Requião de Guilherme Naguëva

Tragédia de Campo Grande: Moradores xingam Cabral e Paes de corruptos e safados

Publicado em

Acidente no RJ. Moradores xingam Sérgio Cabral e Eduardo Paes de corruptos e safados após rompimento de adutora

Moradores xingam Sérgio Cabral e Eduardo Paes de corruptos e safados após rompimento de adutora JADSON MARQUES/ESTADÃO CONTEÚDO

Casas e carros foram destruídos apóse serem atingidos por milhões de litros de água Foto: Jadson Marques-Estadão

 

Via Zero Hora

Durante a entrevista que o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes deram a jornalistas em Campo Grande, numa sala de aula da Escola Municipal Casimiro de Abreu, uma moradora gritou do lado de fora da escola:

— Isso é uma vergonha, gente! Tem gente morrendo aqui.

Uma menina de 3 anos morreu e outras sete pessoas ficaram feridas após o rompimento de uma adutora no bairro a madrugada desta terça-feira. A escola está sendo usada como ponto de apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social, que faz cadastramento dos moradores atingidos pelo rompimento da tubulação da Companhia Estadual de àgua e Esgoto no bairro.

A entrevista foi encerrada depois de cerca de cinco minutos e os dois saíram da sala, com seguranças e assessores, para pegar uma van com vidros escuros que os levaria embora, estacionada no pátio da escola. Quando a van cruzou o portão e chegou à rua, moradores cercaram o veículo e xingaram o governador e o prefeito de “safados” e “corruptos”.

Quando a van foi embora, acompanhada de um carro preto da segurança, uma mulher continuou:

— Eles dizem que vão indenizar todo mundo, mas isso é mentira! Já perdi minha casa há três anos e não recebi nada.

O governador e o prefeito não estiveram com as famílias que perderam suas casas, apenas com os jornalistas.

A caixa preta do transporte em Curitiba quem vai abrir?

Publicado em

Presidente da CPI da Urbs garante: “Existe sim uma caixa preta do transporte em Curitiba”

30.07.13 JORGE BERNARDI

Vereador acredita que sistema de informática pode ser caixa preta

Por Elizangela Jubanski e Adilson Arantes – Via Banda B

O vereador Jorge Bernardi (PDT), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Urbs que foi instaurada na Câmara Municipal de Curitiba para investigar irregularidades no transporte público afirmou que existe, sim, a caixa preta da Urbs.  A declaração foi dada na manhã desta terça-feira (30) à Banda B durante o Jornal 1ª Edição, com o jornalista Adilson Arantes. “A caixa preta existe sim. Eu e outros vereadores, acreditamos que a caixa preta está no sistema de informática fazendo com que todos os dados sejam consolidados”, disse.

Também outro aspecto, segundo Bernardi, pode integrar a caixa preta. “O processo de licitação também. Nunca antes o transporte público de Curitiba precisou de subsídio e há dois anos isso precisou ser feito porque os indicadores que calculam a tarifa estão muito acima do justo ou do real. A caixa preta está nesses dois itens, acreditamos”, apontou.

De acordo com ele, a CPI tem quatro finalidades: investigar os indícios de que há um lucro excessivo por parte das empresas; o processo de licitação que aconteceu há 3 anos; a composição da tarifa e como ela é calculada; os indícios de que não foram recolhidos os tributos municipais, o ISS (Impostos Sobre Serviço).

“Na tarifa técnica 11,46% do valor da tarifa é o lucro das empresas. Isso significa que elas estão recebendo de cada passagem R$ 0,34 de lucro. Esse lucro pode ser analisado também por quilômetro rodado, ou seja, cada quilômetro que um ônibus roda são R$ 0,69 a composição de lucro dessa tarifa. As empresas rodam cerca de 450 mil quilômetros diários e isso gera um lucro diário de R$ 310 mil. Somando isso tudo temos uma previsão anual de lucro de torno de R$ 102 milhões”, explica

Ainda, Bernadi acrescentou que denúncias podem vir da população. “No site da CMC tem telefones e emails onde pessoa pode entrar em contato e passar qualquer informação relevante. Qualquer vereador pode receber essas denúncias, principalmente os 13 que compõe a CPI”.

Sobre a ida de diretores da Urbs ao plenário da Câmara, o vereador afirmou que, por enquanto, é necessário o depoimento deles como testemunhas. “Ainda não indiciamos ninguém, então como testemunhas eles tem que prestar esclarecimento legal”, finalizou. A CPI tem o prazo de 90 dias para ser apurada e, conforme investigada, concluída. O vereador afirmou que o tempo é curto e que as apurações apenas começaram.

Rombo provocado por tucanos em SP chega a R$ 425 milhões

Publicado em

Via Carta Capital

Alckmin e Serra: chefes do propinoduto

Com acesso a documentos inéditos e o depoimento voluntário de um ex-funcionário da multinacional alemã Siemens ao Ministério Público, a revista IstoÉ revelou que o esquema montado por empresas da área de transporte sobre trilhos em São Paulo para vencer e lucrar com licitações públicas nos governos do PSDB nos últimos 20 anos contou com a participação de autoridades e servidores públicos, além de abastecer um propinoduto milionário que desviou dinheiro das obras para políticos tucanos.

Ao analisar documentação e depoimentos colhidos, integrantes do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Ministério Público se surpreenderam com a quantidade de irregularidades encontradas nos acordos feitos entre os governos tucanos de São Paulo e as companhias encarregadas da manutenção e aquisição de trens e da construção das linhas. Segundo a investigação, o cartel superfaturou cada obra em 30%. Ou seja, de cada dez reais desembolsados com o dinheiro arrecadado dos impostos, os governantes tucanos jogaram nos trilhos três reais. Foram analisados 16 contratos correspondentes a seis projetos. Segundo o MP e o Cade, somente nesses negócios, os prejuízos aos cofres públicos chegaram a 425,1 milhões de reais.

Dentre os contratos envolvendo superfaturamento, segundo a publicação, está a instalação da fase 1 da Linha 5 Lilás do metrô da cidade de São Paulo. A licitação foi vencida pelo consórcio Sistrem, formado pela francesa Alstom, a alemã Siemens, a ADtranz (da canadense Bombardier) e a espanhola CAF. Os serviços foram orçados em 615 milhões de reais. Segundo testemunhosao Cade e ao MP, o contrato rendeu uma comissão de 7,5% a políticos do PSDB e dirigentes da estatal – o que significa cerca de 46 milhões de reais em propina.

De acordo com a revista, o responsável por estabelecer o esquema com as empresas no contrato era o executivo Masao Suzuki, da Mitsui. Apesar disso, sua empresa não foi a principal beneficiária. Quem ficou com a maior parte dos valores recebidos na fase 1 da Linha 5 Lilás do metrô foi a Alstom, que comandou o cartel durante a licitação.

Já no contrato da Linha 2 do metrô, o superfaturamento identificado até agora causou um prejuízo de 67,5 milhões de reais ao tesouro paulista. As licitações investigadas foram vencidas pela dupla Alstom/Siemens e pelo consórcio Metrosist, da qual participa também a Alstom também fez parte. O contrato, orçado em 81,7 milhões de reais, previa a prestação de serviços de engenharia, o fornecimento, a montagem e a instalação de sistemas destinados à extensão oeste da Linha 2 Verde. Desde que foi assinado, em outubro de 1997, recebeu 13 reajustes. Enquanto as multinacionais francesa e alemã ficaram responsáveis pelo projeto para fornecimento e implantação do trecho Ana Rosa/ Ipiranga. A Asltom e a Siemens receberam 143,6 milhões de reais para executar o serviço.

%d blogueiros gostam disto: