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Arquivo do mês: outubro 2012

A vasta poesia de Drummond

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Um pouco da bela e vasta poesia de Carlos Drummond de Andrade. Homenagem aos 110 anos de nascimento do grande poeta modernista

  • Carlos Drummond de Andrade

Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto desses que vivem na sombra disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens que correm atrás de mulheres. A tarde talvez fosse azul, não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas: pernas brancas pretas amarelas. Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. Porém meus olhos não perguntam nada.

O homem atrás do bigode é sério, simples e forte. Quase não conversa. Tem poucos, raros amigos o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste se sabias que eu não era Deus, se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo se eu me chamasse Raimundo seria uma rima, não seria uma solução. Mundo mundo vasto mundo, mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer mas essa lua mas esse conhaque botam a gente comovido como o diabo.

Carlos Drummond de Andrade

Fruet – diálogo e transição

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Fruet nas pegadas do saudoso Maurício Fruet: diálogo e gestão participativa
Uma característica está chamando atenção do meio político e da população de Curitiba, a disposição do prefeito eleito Gustavo Fruet(PDT) para o debate e o diálogo. Eleito no último domingo, o novo prefeito tem enfrentado uma marotana de entrevistas e de contatos com variados segmentos da população da cidade. Hábil debatedor e eficiente expositor de ideias, Fruet vai tecendo um novo modelo de gestão. Um contraponto ao modo de governar da gestão de Ducci e do consórcio que dominou a administração municipal por mais de vinte anos.
As demandas da população são muitas e, acrescidas do sentimento de mudança, irão exigir um permanente esforço de mediação e de diálogo. Há uma demanda reprimida de participação democratica nos rumos da prefeitura.
O modelo de gestão anterior evitava canais de participação da população e dos setores organizados da sociedade. Os conselhos setoriais, as audiências públicas, o debate do orçamento municipal não passavam pelo crivo do participação popular.
Outra dificuldade era o relacionamento com as organizações sindicais dos servidores municipais, marcada por conflitos e pela ausência de efetivos mecanismos de mediação.
Portanto, além da transição formal da governança da capital, o novo prefeito sinaliza com a marca positiva do amplo diálogo. Uma transição na forma de gestão com mais democracia e participação cidadã. Um sinal alvissareiro.

As demandas do São Francisco e o novo prefeito

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O bairro São Francisco entre a especulação imobiliária e a preservação

Este artigo foi publicado no Blog no ínicio do ano de 2012. Por sua atualidade novamente reproduzo. As demandas do São Francisco já estão expostas em faixas e cartazes nas ruas do bairro. Com a eleição de Gustavo Fruet para a prefeitura, os moradores e o comércio local esperam soluções nas áreas de segurança, trânsito, mobilidade e preservação dos espaços históricos.

Marcos Borges / Agência de Notícias Gazeta do Povo

Marcos Borges / Agência de Notícias Gazeta do Povo / As faixas pedem, principalmente, que o prefeito cuide do trânsito da região

As faixas expressam as demandas do bairro

O São Francisco é o mais antigo bairro da cidade. Foi a nucleação inicial de Curitiba e até hoje no bairro está localizado grande parte do setor histórico. Seu nome está estritamente ligado a historia da igreja da ordem terceira de São Francisco das Chagas.

Seu primeiro nome foi: Pátio de Nossa Senhora do Terço. Em 1752, com a transferência da igreja ao religiosos Franciscanos passou a se chamar de Pátio de São Francisco das Chagas. Em 1860, seu nome mudou para Largo da Ordem Terceira de São Francisco. O próprio tempo e a tradição popular encurtaram o nome do bairro. No inicio do século XX foram elaborados os primeiros mapas, com divisão de bairros em Curitiba, e já indicavam a região com o nome de São Francisco.

Encravado na área central de Curitiba, o São Francisco, como todo bairro cêntrico, vive os altos e baixos dos fenômenos urbanos das grandes cidades, oscilando entre fases de valorização e fases de desprestígio. No entanto, nos anos recentes, todos os bairros da área central atravessam um período de valorização continuada, o que acentua a pressão organizada de incorporadoras, empresas do ramo da construção civil e de projetos e empreendimentos imobiliários – vários em curso na região. Os preços dos imóveis e dos terrenos alcançaram uma valorização de mais 150%.

O São Francisco é diversificado e com múltiplas vocações. Reune o sítio histórico fundamental de Curitiba. Além disso, turismo, gastronomia, atividades e espaços culturais pontificam na cena do bairro. Um comércio amplo e variado, na maioria de pequeno e médio porte, alguns estabelecimentos são centenários, também são componentes da paisagem do bairro. Ou seja, interesses e vocações sedimentadas.

Neste sentido, a presença crescente de negócios ligados aos interesses imobiliários, disputando os espaços da região, vai impactar, cada vez mais, na feição original do São Francisco. Como preservar e revitalizar o bairro é uma pergunta sempre na ordem do dia para os moradores, já que a atual administração municipal é prisioneira da lógica da especulação imobiliária.

Enquanto a contradição perdura vamos continuar curtindo o Largo da Ordem, o Passeio Público, o Torto, o Sal Grosso, a Padaria América, a barbearia do Silvino, a Sociedade 13 de maio, a Casa Romário Martins, a Igreja do Rosário, o Casarão da Upe, o cavalo babão, o relógio das flores, a feirinha nos domingos e na época do carnaval, os Garibadis e Sacis.

Opinião ## A eleição traça o futuro

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Por Celso Nascimento*

As eleições do segundo turno em cinco grandes cidades do Paraná não se esgotam em si mesmas. Elas se projetam imediatamente para futuros de curto e médio prazos e de maneira profunda, tanto do ponto de vista político quanto administrativo. Mudanças certamente virão nos dois sentidos, decorrentes da nova configuração que emergiu das urnas dos dias 7 e 28 deste mês.

Um dos efeitos recairá diretamente sobre o governo de Beto Richa. Não tendo ainda nem sequer chegado à metade completa do mandato – período em que normalmente os governantes ainda gozam as delícias da lua de mel com o poder –, Richa se verá obrigado a rever seus rumos se quiser sobreviver ao cataclisma que se abateu sobre ele.

A perda eleitoral que sofreu nos dois principais polos políticos do estado, Curitiba e Londrina – exatamente aqueles sobre os quais edificou sua carreira –, somada à inexpressividade de suas vitórias em outros redutos, obriga-o a repensar “o novo jeito de governar” que pregou na campanha que o levou ao Palácio Iguaçu em 2010.

Terá de lidar simultaneamente com duas frentes, diferentes porém não excludentes: a frente política e a frente administrativa.

A opção que adotou de fazer alianças com tantos quantos fosse possível em detrimento do seu partido, o PSDB, resultou em insucessos que podem custar caro para o seu próprio futuro. Após ter alijado Gustavo Fruet do partido e de vê-lo concorrer (e ganhar) como representante da oposição; e após ter implodido o PSDB de Londrina para apoiar o clã Belinati (Marcelo, PP) e vê-lo derrotado por Alexandre Kireeff (PSD), um empresário de pouca vivência política, Richa só pode se regozijar com os resultados de Ponta Grossa, Maringá e Cascavel. Nestes, foram eleitos os candidatos para os quais declarou apoio – Marcelo Rangel (PPS), Pupin (PP) e Edgar Bueno (PDT), respectivamente, nenhum do PSDB.

Entretanto, o regozijo se esgota quando se sabe que, em Maringá, o vencedor mais deve sua vitória ao peso político da família Barros (Ricardo, Silvio e Cida) do que à eventual participação do governador. Em Cascavel, ocorreu a reeleição de Edgar Bueno, do PDT, cujo histórico de militância político-partidária está longe de colocá-lo como pertencente ao mesmo grupo capitaneado por Richa. Em 2010, por exemplo, Bueno trabalhou por Osmar Dias, adversário de Richa na eleição estadual. Em Ponta Grossa, o deputado Marcelo Rangel (PPS), apoiado por Richa, ganhou do petista Péricles de Mello pela magra diferença de 0,8%.

Pior mesmo foi o que as urnas de Curitiba escancaram para o governador. Era na capital que Beto Richa esperava assentar sua plataforma de lançamento em direção à reeleição. Já não pode mais contar com ela – assim como não pode ter certeza de que os aliados que venceram em outras plagas lhe serão tão fiéis quanto a aposta que fez neles.

A Richa cabe agora pensar com urgência num rearranjo de suas forças – tarefa que se tornou mais difícil em consequência da quebra de confiança que patrocinou no interior de seus próprios arraiais, especialmente dentro do partido que preside. É mais do que certo que, em virtude dos insucessos e buscando compensá-los, deva promover com muita brevidade a reforma de seu secretariado visando dar-lhe a representatividade que hoje não tem.

Só providências do gênero político, no entanto, não bastam para salvar Beto Richa do buraco que ele mesmo cavou. São necessárias, também, providências urgentes na frente administrativa: o tempo perdido já é quase impossível de ser recuperado nos dois anos que lhe restam do atual mandato – mas sem dúvida precisarão ser preenchidos com pelo menos algumas das iniciativas e obras que, embora constantes de seu caderno de promessas, não foram até hoje minimamente cumpridas.

O Paraná espera que, ao voltar de seu périplo internacional, iniciado ontem, que o governador volte com fôlego e vontade para enfrentar a realidade crua que as urnas lhe apresentaram.

*Colunista da Gazeta do Povo

Eleições 2012: PT mais forte no Paraná

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PT Paraná
O Partido dos Trabalhadores no Paraná se fortaleceu nas eleições municipais de 2012, esta é a avaliação do diretório estadual do partido. O PT mobilizou lideranças nacionais e estaduais, além da militância, e disputou o segundo turno em quatro das cinco cidades mais importantes do estado. Também é necessário lembrar que o PT foi o partido mais votado no primeiro turno das eleições no Paraná com 776.828 votos válidos, ou seja, 12,95% do total.
Deste total de votos, o partido aumentou em 32% o número de prefeituras e elegeu 41 cidades, inclusive municípios estratégicos como Pinhais e Apucarana. O número de vices, vereadores e alianças também aumentou. Foram eleitos 350 vereadores, cerca de 140 municípios apoiados pelo PT e 42 vices, incluindo a vitória de Gustavo Fruet (PDT) e Mirian Gonçalves (PT) em Curitiba.
Apesar das acirradas disputas das candidaturas petistas no segundo turno, as campanhas de Enio Verri em Maringá, Péricles de Mello em Ponta Grossa e Professor Lemos em Cascavel evidenciaram a forte presença do PT nas principais cidade do estado. Os resultados eleitorais dos deputados estaduais foram bastante apertados: Lemos disputou a prefeitura com o candidato à reeleição Edgar Bueno (PDT) e fez 71.035 votos (44,44%); Péricles participou de uma das eleições mais disputadas no estado e perdeu por pouco mais de 1.500 votos, no total ele teve o apoio de 49,52% do eleitorado; Enio conquistou o voto de 47% dos maringaenses (92.646 votos), mas a eleição na cidade ainda não está definida já que o TRE negou a candidatura de Carlos Roberto Pupin (PP) por considerá-lo inelegível

Datafolha aponta vitória de Gustavo Fruet

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Natuza Nery  – enviada especial a Curitiba e  Estelita Hass Carazzai de Curitiba – Folha de São Paulo

Na véspera da eleição à Prefeitura de Curitiba, o candidato Gustavo Fruet (PDT) tem vantagem de 20 pontos sobre o adversário Ratinho Junior (PSC), segundo pesquisa Datafolha em parceria com a RPC TV.

Fruet tem 60% dos votos válidos, contra 40% de Ratinho. Os votos válidos não incluem brancos, nulos e eleitores que se declaram indecisos no levantamento.

No total de votos, os dois candidatos tiveram oscilações positivas em relação ao levantamento anterior. Fruet passou de 52% para 54%, enquanto Ratinho Junior avançou de 35% para 36%.

Os indecisos somam 5% dos entrevistados; outros 5% pretendem votar em branco ou nulo na eleição deste domingo.

O Datafolha ouviu 1.573 eleitores nesta sexta (26) e neste sábado (27). A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral com o número PR-00716/2012.

Segundo a pesquisa, 37% dos eleitores assistiram o debate desta sexta-feira –26% dizem que Fruet teve melhor desempenho, enquanto 14% preferiram Ratinho Jr.

De acordo com o levantamento, 92% dos eleitores de Curitiba dizem estar “totalmente” decididos sobre o voto. Entre os eleitores de Fruet, o índice é de 95%, contra 91% dos de Ratinho Junior.

O Datafolha também perguntou aos eleitores o número de seus candidatos para digitá-los na urna: 90% acertaram (a taxa é de 93% nos eleitores de Ratinho Jr. e de 91% nos de Fruet).

Divulgação
Gustavo Fruet (PDT), que deve ser eleito prefeito de Curitiba neste domingo
Gustavo Fruet (PDT), que deve ser eleito prefeito de Curitiba neste domingo

Imagem do dia: Fruet na Boca Maldita

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Essa é a imagem!!!

Fruet homenageado pela militância hoje na Boca Maldita no encerramento da campanha
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